
Há gestos simples que não desapareceram; ficaram apenas à espera do seu tempo – e do momento certo para regressarem com sentido.
Sentar, conversar, ouvir: três actos antigos, hoje quase raros, mas que persistem como fundamento de qualquer vida em comum que se queira pensada e partilhada.
Hoje à tarde, 27 de Março, na Livraria Nhô Eugénio, abriu-se um poial. Não no sentido literal, mas no que ele sempre significou entre nós: um lugar de encontro onde a palavra circula com tempo próprio, onde a escuta é atenção e o convívio se torna pensamento.
Assim teve início o ciclo Conversas de Poial.





A sessão decorreu sem pressa, como convinha. Houve música – viola e bic –, imagens que convocaram a memória e uma conversa em torno da Claridade, entendida não como passado encerrado, mas como gesto fundador que permanece activo e interrogante.
No centro, a apresentação da CRIoula MBS Editora, afirmando uma ideia simples e exigente: publicar menos, pensar melhor, cuidar da palavra como quem cuida de um bem comum.
O que ali aconteceu foi discreto – e, por isso mesmo, significativo. Num tempo marcado pela aceleração e pela dispersão, abriu-se um espaço de atenção e de permanência, onde a palavra não se esgota no instante, mas se constrói na duração.
O poial não é um objecto; é uma forma de estar no mundo.

Hoje, voltou a existir – e ficou aberto.
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