

La Palma é a ilha onde o percurso prossegue. É aprofundamento. Mais alta e mais verde, marcada por uma geografia de montanha e por uma natureza em tensão, impõe-se como território onde nada é garantido. A paisagem lembra, a cada instante, que habitar uma ilha é viver com o risco.
Se em El Hierro o essencial se revelou na medida, em La Palma revela-se na intensidade. O vulcão recente não é memória. É presença. Mostra uma evidência simples: o chão pode falhar, o equilíbrio é provisório e a permanência não se assegura. Habitar é aceitar essa condição.
Esta segunda sessão das Conversas Macaronésicas, dedicada ao património como processo de aprendizagem e de desenvolvimento, inscreve-se nesse mesmo movimento: da memória à acção, da leitura do passado à capacidade de agir no presente.
O percurso fez-se, desde logo, no território. No norte da ilha, entre a encosta e o mar, o olhar deteve-se e avançou: miradouros, caminhos, produção, matéria trabalhada. O património deixou de ser tema. Tornou-se prática. A experiência veio antes da palavra.
Foi nesse encadeamento que, ao fim da tarde, a sessão decorreu na Casa Principal Salazar. Houve abertura, conversa centrada no património nas ilhas – Açores, Madeira, Cabo Verde e Canárias – recital de poesia e actuação musical pelo grupo Entre Ilhas, com participação de Luís Firmino. A palavra não acrescentou. Confirmou.
Há, aqui, uma mudança clara. A comunidade relaciona-se com a paisagem e com os seus limites. Habitar exige compreender essas condições. O Atlântico afirma-se como realidade vivida e como exigência.
La Palma não prolonga o início. Desloca-o. Ao introduzir a instabilidade – geológica, simbólica e social – acrescenta uma dimensão essencial à leitura destas Conversas. Reconhecer o lugar implica aceitar o que nele escapa ao controlo.
E talvez seja essa a evidência que aqui se afirma: o Atlântico não garante. Obriga a recomeçar.








Actividades da segunda Sessão
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