Christine Semba sobre a AME: “É muito bom ver que este evento pode sobreviver a qualquer turbulência”

PorChissana Magalhães,24 abr 2018 6:52

Christine Semba, da WOMEX
Christine Semba, da WOMEX(Patrick Printz)

Gestora cultural, consultora especialista em intercâmbios culturais e da WOMEX, Christine Semba tem sido, até o ano passado, uma das caras da Atlantic Music Expo. Este ano, acompanhou de perto mas apenas na assistência ao evento musical. Sobre a polémica ruptura com o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas (MCIC) diz ser “completamente falso” o que se disse sobre os montantes auferidos pelo consórcio que organizou, até aqui, a AME.

“Estou aqui não apenas como participante mas como uma amiga. Era importante estar aqui este ano porque é uma grande transição. E é muito bom constatar que este evento pode sobreviver a qualquer turbulência. Este evento está a tornar-se adulto”, diz-nos Christine Semba a escassas horas do encerramento da AME 2018, quando finalmente acede a nos conceder uma entrevista.

Descontraída, revela a sua ligação emocional com a feira atlântica e a equipa que nela trabalha.

“Somos amigos, somos uma família. Então, mesmo não estando a colaborar na organização este ano, eu quis estar aqui porque era um ano importante”.

A consultora fala da situação de incerteza na realização desta 6ª edição que se criou quando, após comunicado do MCIC em que este anuncia que se retira da organização da AME alegando, entre outras razões, irregularidades nas contas do evento - o consórcio integrado pela Womex e Harmonia decide abrir mão do contrato e não continuar na organização.

O impasse ainda durou algum tempo até que, uma semana depois, uma nova coligação de produtores e agentes artísticos nacionais - a Associação Cabo Verde Cultural, com o produtor Augusto “Gugas” Veiga como representante – assumisse a responsabilidade de dar continuidade à feira musical.

“O facto de o evento agora ser organizado por uma associação de produtores e gente ligada à música é muito positivo, assim como ver que a entidade ligada ao Turismo [Cabo Verde Trade Invest] compreendeu que a AME é importante para o país”, afirma Semba e acrescenta que a preocupação que todos sentiam foi agora substituída pela felicidade de ver que “a AME sobreviveu”.

“Este tipo de eventos, de conferências, em todo o mundo não sobrevive sem patrocínios e sem investimento público, porque não são eventos comerciais. São eventos para promover a música, para promover o país, trazer pessoas … O lucro não está no dinheiro imediato, directo. Mas o impacto deste evento na economia é alto. Podemos ver os restaurantes, hotéis, táxis, e mesmo no meio musical”, acrescenta.

A também especialista da Rede das Cidades Criativas da UNESCO não se esquivou a comentar sobre os alegados ganhos financeiros excessivos por parte do consórcio liderado por ela e Djô da Silva, com os quais o Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas justificou a sua saída da organização da AME.

“Ficamos tristes com certas declarações feitas sobre o nosso trabalho e o dinheiro que “estávamos a tirar para nós”. Completamente falso. Não quisemos reagir de forma mais veemente mas, registamos aqui que isso não é forma de se tratarem parceiros. Não é um bom sinal para ninguém que queira envolver-se [numa parceria com o MCIC]. Você contribui para algo e depois é tratado desta forma por certas pessoas”, aponta Christine Semba.

A representante da Womex explica que o contrato para a realização da AME 2018 foi rescindido com o consórcio a abrir mão dos valores a que tinha direito.

“Dissemos que não queríamos dinheiro nenhum. Porque nós queremos dinheiro pelo nosso trabalho e não para outras coisas”.

E diz não compreender a utilidade de se espalharem “certos rumores que podem destruir reputações”, algo que declara não acreditar ser positivo para ninguém até porque, diz, o caso teve alcance internacional e não ficou uma imagem positiva “quer para nós, quer para o vosso país”.

Alguma chance de voltar a colaborar na organização da Atlantic Music Expo, agora com os novos organizadores?

“Sim, claro! Há grandes chances de voltarmos a colaborar directamente com a AME no futuro”, assegura.

Por agora, enquanto directora de conteúdos e programadora, está envolvida na preparação da próxima edição da WOMEX (World Music Expo) que terá lugar em Las Palmas, Grand Canaria (Canárias) de 24 a 28 de Outubro.

“É aqui próximo de Cabo Verde e muitas pessoas estão a vir ter connosco e a dizer que nunca estiveram na WOMEX e gostariam de ir. Portanto, as relações com os artistas e produtores daqui não foi afectada”, conclui.

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Autoria:Chissana Magalhães,24 abr 2018 6:52

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  19 nov 2018 3:22

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