Rosa de Porcelana ganha concurso para traduzir biografia de Cesária Évora

PorChissana Magalhães,22 mai 2019 17:05

Filinto Silva, editor da Rosa de Porcelana
Filinto Silva, editor da Rosa de Porcelana

A Rosa de Porcelana ganhou recentemente vários concursos para financiamento de traduções de obras para língua cabo-verdiana e portuguesa. A editora foi também seleccionada, de entre 200 candidaturas, para fazer circular obras de Monteiro Lobato fora do Brasil.

A maior biografia jamais escrita sobre Cesária Évora está em lingua polaca. “Cesária Évora”, da autoria de Elżbieta Sieradzińska, uma grande fã da maior embaixadora de Cabo Verde, tem quase 500 páginas de texto e ainda fotografias, reproduções de capas de revistas e páginas de jornais, cartazes, bilhetes de espectáculos, entre outros elementos, como o mapa "Mindelo da Cesária Évora".

Até 2020 a editora Rosa de Porcelana conta ter pronta para lançamento a tradução portuguesa desta obra, cujo concurso para uma bolsa de tradução do Instituto de Tradução da Polónia venceu recentemente.

“Neste momento já adjudicamos a tradução ao professor Wlodzimierz Szymaniak, que é polaco, e contará com a supervisão do Português pelo professor Brito Semedo”, avança em primeira mão ao Expresso das Ilhas Filinto Silva, da Rosa de Porcelana.

Capa da biografia "Cesária Évora"
Capa da biografia "Cesária Évora"

O professor e investigador Manuel Brito Semedo é de resto quem, em 2015, deu a conhecer no seu blogue esta biografia em polaco, apontando para a pertinência da sua tradução para o Português e outras línguas.

A Rosa de Porcelana ganhou ultimamente outros consursos internacionais. Um deles é uma bolsa para tradução de Pequim, em que a editora irá traduzir anualmente para o Português quatro escritores chineses.

“Já começamos com Jidi Majia, grande poeta e autor do livro “Palavras de Fogo” que lançamos ( a tradução) há pouco tempo em Macau”, diz referindo-se ao livro mais conhecido do poeta chinês que conta acima de 20 obras, estando traduzido para mais de vinte idiomas e publicado em mais de trinta países

“Brevemente, será a vez da prosa com um romance de um nobel da literatura chinês”, elenca o editor.

Com entusiasmo, Filinto Silva anuncia que a editora luso-cabo-verdiana foi a escolhida entre 200 candidaturas para publicar fora do Brasil obras de Monteiro Lobato que entraram em domínio público.

“A Fundação da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro abriu concurso internacional e ganhamos os dois titulos que queriamos: “Sitio do Picapau Amarelo” e “A Rapariga do Nariz Arrebitado”.

A obra de Monteiro Lobato, um dos autores de literatura infantil mais populares no Brasil e não só, entrou em domínio público a 1 de Janeiro deste ano, ou seja, os direitos autorais não mais pertencem exclusivamente aos seus descendentes.


Bo Morrem

Para além das traduções para Português, a Rosa de Porcelana invistiu nesse ramo editorial com traduções para língua cabo-verdiana. No ano passado candidatou-se e ganhou uma bolsa para tradução da Direcção Geral do Livro de Portugal.

“Morreste-me”, livro de José Luis Peixoto onde o autor expia a dolorosa perda do pai, foi o primeiro titulo traduzido pelo próprio Filinto Silva e que contou com a supervisão do especialista em lingua cabo-verdiana Marciano Moreira para chegar a “Bo Morrem”, a versão crioula.

“O papel dele para garantir um controlo de qualidade da tradução foi fundamental”, aponta Silva que classifica esse passo como uma ousadia da editora.

“É a primeira vez que a Direcção do Livro de Portugal financia algo em língua cabo-verdiana, o que achamos que só dá prestigio à instituição. Até porque, em verdade, a língua cabo-verdiana tem forte influência da língua portuguesa, particularmente o Português clássico, reinol, do século XV-XVI”.

Com o precendente aberto o editor afirma que já há contactos de Angola e Moçambique com interesse em seguir o mesmo caminho.

“Estão a nos perguntar o caminho para conseguirem o mesmo com as suas línguas, e nos apontamos. Porque acredito que temos que escancarar a porta. Acredito que a indiminização que se nos deve é isso: abrir oportunidades de desenvolvimento - dos canônes, dos centros - para entrarmos, para partilharmos do mundo”.

“Morreste-me” estava já traduzido para 25 linguas. “Nenhuma delas africana”, observa o editor que acredita que ao trazer a literatura do mundo para o crioulo estar-se-á a contribuir para o avanço da valorização da lingua cabo-verdiana.

E é assim que a Rosa de Porcelana está também a traduzir para o cabo-verdiano um livro de Gonçalo M. Tavares, autor que será uma das presenças do Festival Literatura-Mundo do Sal este ano.

“Os Velhos Também Querem Viver”, que vai ser “Bedjus També Kre Vive”, é baseado na peça “Alcestes” do autor clássico grego Sófocles e deverá ter lançamento na cidade da Praia conjuntamente com “Bo Morrem”, daqui a poucos meses, com presença de ambos os autores. 

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Autoria:Chissana Magalhães,22 mai 2019 17:05

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  23 mai 2019 7:15

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