“Páginas de um Tempo Pretérito” da autoria de Lopes Talaia é apresentado esta sexta-feira na Biblioteca Nacional

PorAntónio Monteiro,15 jul 2022 10:33

Amilcar Spencer Lopes na apresentação de «Páginas de um Tempo Pretérito»  na Ribeira Brava, São Nicolau
Amilcar Spencer Lopes na apresentação de «Páginas de um Tempo Pretérito» na Ribeira Brava, São Nicolau

Depois da sua ilha natal São Nicolau é a vez da Cidade da Praia receber o lançamento do primeiro livro de poemas de Lopes Talaia, pseudónimo do diplomata, político, jurista e compositor Amilcar Spencer Lopes. A apresentação estará a cargo de Antonieta Lopes e de Carlos Bellino Sacadura.

“Páginas de um tempo pretérito” compila cerca de 100 poemas escritos entre os 20 e os 40 anos do autor. Em conversa com o Expresso das Ilhas Amilcar Spencer Lopes explica por que decorridos todos esses anos só agora os deu à estampa.

“Eu sempre estive ocupado com outras coisas. Primeiro era estudante, depois fiz o serviço militar, depois voltei aos estudos e depois comecei a trabalhar com muita intensidade, porque em Cabo Verde há muito trabalho a ser feito. Trabalhei na área da justiça, trabalhei na área da diplomacia, trabalhei na área política e, por conseguinte, estava ocupado suficientemente com papeis e canetas por estar aí a publicar. Mesmo assim, de vez em quando ia publicando um poema. Publiquei no Ponto & Vírgula, publiquei nas no Ponto & Vírgula, publiquei nas Folhas Verdes, etc., mas não estava no meu espírito dedicar-me à literatura. Era coisa que eu mais fazia para consumo pessoal”.

Páginas de um Tempo Pretérito” está dividido em cinco partes que se complementam, mas podem ser lidas separadamente. Conforme o autor, umas são mais introspectivas e outras mais objectivas.

“Trata-se de uma coletânea de poemas que estavam guardados e que resolvi compilar num pequeno livro. De modo que nem estou preocupado com o volume do livro e entendi que podia perfeitamente partilhá-lo com a minha comunidade. Também fui estimulado por amigos que leram os poemas e que acharam que valia a pena publicá-los. Assim os três primeiros capítulos terão essa componente objectiva e os outros dois últimos a componente mais pessoal”.

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Instado a comentar se o capítulo intitulado Tempo Definido traz poemas de intervenção bastante em voga nas últimas décadas do regime colonial o poeta não quis ser muito explícito.

“Se quiser chamar a isso poemas de intervenção…Eu acho que era uma época. Nós todos acabamos por viver a nossa época. São coisas irrepetíveis. Nessa altura tínhamos o factor colonialismo e, por conseguinte, eu vivi sob o regime colonial durante boa parte da minha juventude, seguramente durante toda a minha adolescência e os primeiros anos da minha juventude. Por conseguinte, tem influência naturalmente pelo peso específico que a situação impunha sobre as pessoas e também pelas experiências, pela leitura e pela parte espiritual que também comporta uma situação dessas”.

Se Amilcar Spencer Lopes tinha atribuído a autoria do seu livro anterior “Ilha Formose e outras mornas”, ao seu nome de casa “Miquinha” para a presente obra o autor foi buscar o criptónimo Lopes Talaia aos apelidos do avô paterno.

Quando comecei a escrever poesia ainda na minha juventude, era hábito as pessoas usarem pseudónimo. Até porque nós estudávamos literatura portuguesa, onde havia autores com pseudónimo e na nossa literatura cabo-verdiana Baltasar Lopes e outros escreviam poesia com pseudónimo. Eu adotei Lopes Talaia, aliás, acaba por nem ser tanto assim afastado uma vez que é o apelido do meu avô. Isto é, Talaia estaria na minha genealogia anterior, só que desapareceu com o tempo. Eu achei interessante recuperar esse nome que não é assim tão afastado das minhas origens”.

Questionado se o pseudónimo tem alguma relação com o género musical recentemente declarado Dia Nacional da Talaia Baxu o também compositor trouxe à tona os seus conhecimentos musicais. “Eu acho que isso não tem nada a ver com Talaia Baxu, até porque pessoalmente não acho que seja um género tão exclusivo da ilha do Fogo. Há uma certa forma de tocar baixo nas zonas rurais de Cabo Verde, no Fogo, em Santo Antão, em São Nicolau, com afinidades. Eu antes de sair de São Nicolau já tinha dançado música desse estilo. Se foi importando do Fogo, ou se foi com influência, eu não sei. Agora, eu não estou a relacionar o Talaia Baxu, género musical, com o meu nome. Aqui o Talaia é mesmo apelido”.

“Páginas de um Tempo Pretérito” é apresentado esta sexta-feira pelas 18h00 na Biblioteca Nacional, na Praia. A apresentação estará a cargo dos Professores Antonieta Lopes e Carlos Belino Sacadura.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1076 de 13 de Julho de 2022. 

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Autoria:António Monteiro,15 jul 2022 10:33

Editado porAndre Amaral  em  10 set 2022 23:28

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