O número de grupos oficiais no desfile tem diminuído. No ano passado, quatro grupos participaram na avenida e, este ano, apenas três vão marcar presença e concorrer aos vários prémios atribuídos pela Câmara Municipal da Praia. Em conversa com o Expresso das Ilhas, os responsáveis dos grupos mostram-se preocupados com a redução do número de grupos oficiais nos desfiles.
Entre os principais constrangimentos apontados estão a falta de espaços seguros para a realização dos ensaios, locais para a confecção dos andores e para guardar os materiais de desfile.
Segundo os grupos, estas dificuldades têm levado muitos a desistir de participar no Carnaval. Ainda na Cidade da Praia, conforme referem, as empresas não estão devidamente sensibilizadas para apoiar o Carnaval.
Em relação aos desfiles, antes do dia 17, os jardins de infância e as escolas vão invadir a avenida, mostrando o seu brilho e folia.
O Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas garante que, na Cidade da Praia, os grupos Afro Abel Djassi, Vindos D’África, Vindos do Mar e Samba Jó já receberam, de forma integral, o montante do financiamento atribuído. Igualmente, a Câmara Municipal da Praia já disponibilizou os apoios aos grupos que vão desfilar.
Este ano, o Afro Abel Djassi retorna à avenida como um grupo de animação. É importante destacar que o grupo não participou no desfile do ano passado e, nos anos anteriores, apresentou-se como oficial.
Vindos D’África
Vencedor do Carnaval de 2025, o grupo promete, este ano, invadir a avenida para fazer a festa com um enredo que assinala os 40 anos do seu percurso.
Segundo o presidente, José Gomes (Breu), o enredo deste ano tem como objectivo contar a história dos Vindos D’África, grupo fundado em 1986, no bairro Craveiro Lopes, que tem marcado presença todos os anos no desfile de Carnaval.
“Este ano vamos levar sete alas, onde vamos retratar um pouco do nosso percurso e da nossa história no Carnaval da Praia”, indica.
Com este enredo, o grupo pretende, de forma resumida, contar a sua trajectória. “Vamos apostar muito na nossa bandeira, na nossa identidade. Quem fizer a leitura vai perceber que focamos bastante na nossa bandeira”.
O presidente do grupo frisou ainda que a sociedade tem-se desligado da sua identidade. “Quando um povo perde a sua identidade, é perigoso. Por isso estamos a lutar para revisitar a nossa identidade, para que as pessoas vejam que essa é a raiz de um povo”.
Por outro lado, refere que os Vindos D’África já conquistaram vários títulos, “tudo fruto do nosso trabalho e da nossa organização”. Embora reconheça que se trata de uma competição em que todos os grupos almejam o título, sublinha que “este ano, mais do que ganhar, vamos fazer a nossa festa”.
José Gomes destaca ainda o trabalho de inclusão do grupo, que envolve jovens de quase todas as comunidades da Cidade da Praia. “Recebemos jovens de várias comunidades, porque sabem que somos um grupo inclusivo e que aqui conseguem fazer aquilo de que gostam. Se alguém quer ser rainha, não podemos dizer que não por falta de dinheiro. Tentamos sempre encontrar uma forma de a vestir.”
Samba Jó
“África Minha, África Nossa” é o tema escolhido pelo grupo do Palmarejo para o desfile deste ano, no qual esperam conquistar vários prémios e levar muita alegria à avenida.
O presidente do grupo, João Elias (Jó), explica que o tema pretende retratar a cabo-verdianidade. “Temos a mania de rejeitar a África. Rejeitamos o facto de sermos africanos, quando, na verdade, somos africanos e estamos na costa de África”.
João Elias afirma que o grupo pretende levar um bom Carnaval à Praia, apesar das dificuldades. “Vamos concorrer, embora estejamos a ver que o Carnaval da Praia está a morrer. Uma cidade que já teve sete grupos hoje tem apenas três a desfilar”.
Na sua opinião, este ano nem deveria haver concurso. “Fazer um concurso com apenas três grupos não é bonito. Devia haver mais foco no trabalho e na moral dos grupos do que na competição. Estamos aqui com grande esforço”.
O presidente sublinha ainda que este ano não tem sido fácil, pois “muito dinheiro não faz Carnaval em cima da hora”. Segundo explica, o Carnaval é algo que deve ser preparado com antecedência. “Neste momento temos muito material no chão e nem sabemos se tudo vai entrar na avenida, porque o tempo é curto”.
Quanto aos figurinos, João Elias refere que a maioria é custeada pelo próprio grupo, incluindo as figuras principais do Carnaval. “Na Cidade da Praia, as pessoas ainda não têm aquele sangue de Carnaval na veia. No Brasil, por exemplo, as pessoas pagam os seus próprios trajes. Aqui, acabamos por investir nas figuras principais para elevar o nível do nosso Carnaval”.
Vindos do Mar
O grupo de Achada Grande Frente estará na avenida com um tema que retrata uma lenda ancestral angolana: a Quianda, uma divindade das águas, venerada como sereia protectora dos mares, rios e lagos, com forte ligação aos pescadores.
Segundo a presidente do grupo, Amélia Monteiro, o tema escolhido, apesar de ser um mito, tem muito a ver com o interior humano. “É aquilo que existe dentro de nós. Achamos que isso é muito importante, tanto para nós como para dar conhecimento aos outros sobre coisas úteis que devemos fazer”.
Com nove alas e cerca de 300 figurantes, o grupo promete levar à avenida um desfile cheio de energia e cor. Amélia Monteiro garante que os preparativos estão na recta final, faltando apenas alguns ajustes.
A expectativa é grande. “Queremos crescer mais e, por isso, estamos a dar o nosso máximo para um bom acabamento do trabalho. O nosso objectivo é também conquistar alguns prémios”.
Carnaval com Tabanka Djaz
Após o desfile oficial, o palco do Parque 5 de Julho, na Cidade da Praia, acolhe um espectáculo do grupo musical da Guiné-Bissau, Tabanka Djaz.
O grupo vai celebrar o Carnaval com os praienses, apresentando temas de sucesso amplamente conhecidos pelo público.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1263 de 11 de Fevereiro de 2026.
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