“História dourada com pedras negras” é o tema-enredo do grupo Cruzeiros do Norte. O líder do grupo, Jailson Juff, acredita que o facto de este ano desfilarem dois grupos, e não seis, não influenciará o desempenho da sua agremiação.
“Quando optámos por desfilar, pensámos em São Vicente. São Vicente sempre mereceu um trabalho de qualidade. Para nós, é um desafio maior do que no ano passado. Estamos cá a lutar para poder ultrapassar o desfile do ano anterior”, promete.
O orçamento está nos 12 mil contos, apesar de ser uma meta ambiciosa, diz Juff.
“Dificilmente chegaremos lá. Normalmente, nunca chegamos aos 8 mil contos. Esperamos que este ano possamos chegar, para conseguir colocar tudo na rua da forma como o nosso carnavalesco pensou no desfile”, calcula.
O grupo de Cruz espera levar cerca de 1.500 foliões à Rua de Lisboa, ao som de “Histórias douradas”, de Edson Oliveira.
“Estamos na luta, todos os dias entram mais pessoas e esperamos chegar lá. Temos dezassete alas, quatro carros alegóricos. Desde o ano anterior que colocamos quatro carros alegóricos e queremos continuar, mas está a ser uma luta. Vamos ter dois reis, duas rainhas, porta-bandeira e mestre-sala, rainha de bateria e destaques de alas, uns 20 destaques”, diz Jailson Juff.
Depois de toda a polémica envolvendo a Liga Independente dos Grupos Oficiais do Carnaval de São Vicente (LIGOC-SV), ao longo dos últimos meses, Juff defende o regresso da organização do Carnaval mindelense à Câmara Municipal.
Flores do Mindelo
Flores do Mindelo é o outro grupo que resiste. A 17 de Fevereiro levará às ruas do centro histórico um desfile a partir do enredo “Mindelo é uma flor que não murcha por ser resiliente”.
Segundo Eloisa Monteiro, do colectivo, esperam-se 800 a 1000 foliões, divididos em dez alas, com várias figuras de destaque e ao som da música “Matá Sodad”, de Gai Dias.
“Carros alegóricos, temos três, juntamente com um tripé, que faz parte da nossa comissão de frente. Temos dez alas, contando com a bateria. Figuras de destaque, temos duas rainhas, dois reis, a porta-bandeira e o mestre-sala, temos as musas e as passistas e alguns destaques referentes a cada andor”, explica.
Contas feitas, o orçamento do Flores do Mindelo está nos 11 mil contos.
“É o nosso orçamento global, porém temos de fazer ginástica, ginástica e ginástica para o dinheiro poder chegar, com a ajuda dos patrocínios que nós temos”, contabiliza.
Para Eloisa, se o futuro trouxer “todas as condições”, estaleiros e espaços de ensaio, o Carnaval será melhor. Até lá, vale a pena o esforço extra, porque “o Carnaval é do povo”.
“O nosso Carnaval já temos, temos no sangue. A perspectiva é para, a cada ano, inovarmos, termos mais condições. Se este ano fizermos um bom Carnaval, no ano seguinte faremos um bem melhor e assim sucessivamente”, ambiciona.
Organização
Perante o recuo de quatro grupos oficiais e com uma crise instalada na LIGOC-SV, a Câmara Municipal de São Vicente assumiu a organização do Carnaval. O vereador José Carlos da Luz lembra que esta era a prática até à criação da Liga.
“A Câmara chamou a si a organização do Carnaval, tendo em conta a indisponibilidade de alguns grupos. Quem sempre organizava o Carnaval era a Câmara Municipal, depois veio a LIGOC. Nós não temos nenhum problema em organizar o Carnaval. A Câmara Municipal tem um bom staff, um bom grupo de pessoas, que tem uma vasta experiência e que não tem nenhum problema em organizar o Carnaval”, assegura.
Os preparativos decorrem a bom ritmo e estão na recta final, garante o vereador.
“Já fizemos muitos encontros de trabalho com a Polícia Nacional, com os Bombeiros, com os representantes dos grupos e com todos os membros da comissão, para que possamos fazer um bom Carnaval. Estamos todos preparados para dar um grande espectáculo”, promete.
Sobre a ausência de Samba Tropical, Monte Sossego, Estrela do Mar e Vindos do Oriente, o vereador é categórico: “apenas faz falta quem está”.
“São estes dois grupos oficiais que temos e é com estes dois grupos oficiais que vamos fazer um bom Carnaval”, conclui.
Os desfiles carnavalescos têm início já esta sexta-feira, dia 13, com a apresentação de escolas e jardins de infância, que se prolongarão até sábado, dia 14.
Dia 15, domingo, os desfiles ficarão a cargo dos grupos de animação. Segunda-feira, 16, a noite começará às 20 horas, ficando por conta do já tradicional desfile dos professores e de grupos de mandingas.
Terça-feira de Carnaval, dia grande, teremos Flores do Mindelo (19:30) e Cruzeiros do Norte (20:30). Cada grupo completará duas voltas ao circuito.
com Selton Monteiro (estagiário)
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1263 de 11 de Fevereiro de 2026.
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