O promotor do Kriol Jazz Festival, José da Silva, avançou que este ano o evento contará com artistas de nove países diferentes. “É mais uma edição em que queremos promover a crioulidade, convidando artistas que se identificam com o mundo crioulo.”
José da Silva afirma que a programação do Kriol Jazz Festival sempre foi pensada no sentido de incluir, pelo menos, artistas de quatro continentes ligados à crioulidade. Por isso, procurou trazer artistas do Brasil e dos Estados Unidos, valorizando a mistura de culturas, bem como da música latina e da costa africana.
“Além disso, convidam-se músicos da Europa para se juntarem a este encontro, numa verdadeira celebração da crioulidade, ser crioulo no sentido mais amplo – promovendo a mistura de raças, entre branco e preto, e o cruzamento entre continentes, como a América (Norte e Sul), a Europa e a África”, revela. Segundo José da Silva, esta festa pretende reunir todas as pessoas na Cidade da Praia, promovendo o convívio entre diferentes culturas.
Por outro lado, sublinha que realizar o Kriol Jazz em Cabo Verde não é fácil. “Em primeiro lugar, é necessário garantir financiamento, o que constitui um grande desafio no país. Todos os anos temos conseguido, mas gostaríamos de ter mais recursos financeiros para investir em artistas de renome no universo do jazz.” Ainda assim, realça que este ano conseguiram assegurar um cartaz de qualidade. Em relação aos desafios, afirma que o principal tem sido o financeiro.
“O segundo é convencer o público a aderir ao festival, especialmente num contexto mundial difícil, em que o custo de vida está cada vez mais elevado. Não é fácil para as pessoas comprarem um bilhete para um espectáculo, pois priorizam as despesas do dia-a-dia. No entanto, esperamos contar com um público suficientemente expressivo.” Quanto à evolução do festival, sublinha que tem sido mui to positiva.
“O festival encontrou o seu público. Hoje em dia, o Kriol Jazz Festival tem um público bem identificado, que tem o hábito de marcar presença, seja nacional ou internacional. Temos muitas pessoas que vêm de fora, da diáspora, bem como estrangeiros.” Homenagem Após ter prestado homenagem a Horace Silver, Codé di Dona, Cesária Évora, Manuel Clarinete, Morgadinho, Dany Silva, Chico Serra, Humbertona, ao grupo Bulimundo, ao grupo Os Tubarões, aos compositores Daniel Rendall e Pedro Rodrigues, ao amigo Nhonhô Hopffer Almada, ao compositor Ney Fernandes e ao músico Totinho, Zeca di Nha Reinalda é o homenageado desta edição.
José da Silva conta que este ano decidiram homenagear Zeca di Nha Reinalda por ser um grande artista de Cabo Verde, que está a celebrar os seus 50 anos de carreira. “É, portanto, o momento ideal para lhe prestar esta homenagem. Aproveitamos também o facto de o artista ainda estar entre nós para lhe fazer uma homenagem em vida, como reconhecimento por todo o trabalho desenvolvido ao longo destes anos em prol de Cabo Verde e da sua música.
A nível vocal, tem sido uma referência marcante e de grande força”, destaca.
Impacto
O promotor considera que o impacto do Kriol Jazz tem sido significativo. “Desde a criação do Kriol Jazz Festival, o pano rama musical em Cabo Verde mudou bastante. Os nossos músicos evoluíram, pois o contacto com os artistas internacionais funciona também como uma escola, abrindo horizontes e incentivando-os a ousar mais.” Sobre o futuro do Kriol Jazz, sublinha que é incerto, uma vez que o festival depende de parceiros institucionais e da Câmara Municipal, bem como do contexto político. “Se quem está no poder aprecia o festival, há financiamento; caso contrário, o evento pode tornar-se in viável.”
Programação
Na sexta-feira, dia 10, o festival será aberto, como sempre, com um artista cabo-verdiano. Desta vez, a organização escolheu a cantora Ceuzany, uma voz da ilha de São Vicente.
A música continua na Pracinha da Escola Grande com a actuação de Alfredo Rodríguez, pianista com vários anos de carreira, que já actuou em grandes festivais de jazz a nível mundial. Depois, sobe ao palco uma artista do Brasil, Margareth Menezes, considerada a voz do afropop brasileiro.
Segundo o produtor José da Silva, Margareth Menezes é uma artista com mais de 40 anos de carreira, reconhecida mundial mente pela sua voz e estilo próprio.
O produtor do Kriol Jazz Festival frisou que, mais do que artista, Margareth Menezes é actualmente Ministra da Cultura do Brasil. “Assim, certamente, terá também uma agenda política em Cabo Verde, para além de um espectáculo muito esperado. Esperamos que apresente um concerto ao nível do que tem feito ultima mente no Brasil.”
A noite do dia 10 será encerrada com os Les Quatre Étoiles, do Zaire, um grupo dos anos 80. No sábado, dia 11, o festival começa com a cantora Fattu Djakité, natural da Guiné Bissau e residente em Cabo Verde há vários anos.
Ainda no sábado, haverá actuações de um grupo dos Estados Unidos, Brooklyn Funk Essentials, de Ismaël Lô, do Senegal, e de Saad Tiouly, de Marrocos.
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