A segunda noite da 15.ª edição do Kriol Jazz Festival arrancou ao som da cantora cabo-verdiana Ceuzany, que abriu o palco às 20h30 com o tema “Amor di mi ku bo”. A noite ficou marcada por grandes actuações e pela boa vibração do público, numa casa bem composta. Durante a sua actuação, Ceuzany apresentou também músicas do seu mais recente álbum, a par de sucessos já conhecidos do público.
A artista mindelense afirmou que actuar no festival foi uma honra. “Quando soube que iria actuar no Kriol Jazz Festival, foi uma festa”, declarou em palco.
No final da actuação, confessou ter sentido algum nervosismo inicial devido à responsabilidade de abrir o certame. “Graças a Deus, tudo correu bem. O público recebeu-me com uma energia muito boa. Tenho um grande público na ilha de Santiago e estou muito contente pela forma como me acolheram”.
A cantora aproveitou ainda para falar sobre o seu novo álbum, que aborda temas como a violência doméstica. Segundo a artista, o trabalho tem sido bem recebido e procura transmitir uma mensagem de força às mulheres. “Nenhuma mulher deve passar por essa situação”.
Ceuzany destacou a importância do Kriol Jazz para o país, sublinhando que o evento promove o intercâmbio cultural e traz artistas de renome internacional a Cabo Verde.
A noite prosseguiu com a actuação do pianista cubano Alfredo Rodríguez, que trouxe ao palco uma fusão de jazz com ritmos tradicionais cubanos, como a timba.
Durante o concerto, revisitou temas emblemáticos e apresentou composições do seu mais recente álbum, “Take Cover”, lançado em Janeiro de 2026, com participações de nomes como Alain Pérez, Al2 El Aldeano e Pedrito Martínez.
O músico disse-se satisfeito pela estreia em Cabo Verde. “É a minha primeira vez no país, estou muito contente pelo convite e estou a sentir-me em casa”.
Seguiu-se a actuação da cantora brasileira Margareth Menezes, que partilhou o palco com Ju Moraes, do grupo Sambaianas, e com a cantora Nara Couto, que participaram na 12.ª edição do Atlantic Music Expo.
Durante o espectáculo, Margareth Menezes prestou homenagem a Cesária Évora, interpretando o tema “Sodade”, num momento que emocionou o público presente.
A artista brasileira destacou a forte ligação entre o público cabo-verdiano e o baiano. “Foi um espectáculo muito especial.
O público de Cabo Verde é muito parecido com o público da Bahia, senti uma ligação muito boa”, afirmou.
Menezes revelou ainda que já tinha sido convidada anteriormente para o festival, mas só este ano conseguiu integrar a programação. “A música é isso: levar alegria às pessoas”.
A cantora recordou a sua relação com Cabo Verde e disse ter assistido a um concerto de Cesária Évora em Salvador, descrevendo a diva dos pés descalços como uma artista de enorme simplicidade e presença marcante.
“Foi uma grande honra estar aqui e voltar ao país”, disse, referindo ainda a sua participação no Festival da Baía das Gatas, que aconteceu há vários anos.
O encerramento da noite ficou a cargo do grupo congolês Les Quatre Étoiles du Zaïre, um supergrupo de soukous formado em Paris, em 1982, que marcou a música africana nas décadas de 1980 e 1990. Conhecidos pelas suas ricas harmonias vocais e energia em palco, os músicos encerraram a segunda noite do festival com muita vibração.
A 15.ª edição do Kriol Jazz Festival continua este sábado, dia 11, com actuações de Fattú Djakité, Ismaël Lô, Brooklyn Funk Essentials e Saad Tiouly.
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