Influências para um grande desfecho: MI Mariano Ortega e Célia R. Guevara, jogadores de Cabo Verde

PorFrancisco Carapinha,22 jun 2020 7:15

​No passado dia 5 de Junho, completaram-se 10 anos, após a minha última participação, como jogador, na Taça de Portugal de Xadrez.

Nada teria de especial esta minha efeméride, não fosse o facto de nesse ano de 2010, a Taça de Portugal ter sido conquistada pela equipa que eu representava, o Grupo Desportivo Diana de Évora, o que fez com que o meu nome ficasse também inscrito como um dos vencedores da competição.

Curioso, ou não, é que cerca de um mês mais tarde, quando se jogou a final da referida taça, no lado da equipa vencida, encontravam-se 2 jogadores, um GM e um MI, que anos mais tarde, através de mim, viriam a jogar em Cabo Verde, contribuindo para o desenvolvimento e divulgação do xadrez em terras crioulas.

O facto é que os conhecimentos e as amizades que fui adquirindo, durante os anos em que tenho estado ligado ao xadrez, muito têm contribuído para o desenvolvimento que a modalidade vai conhecendo no nosso país. E essa ligação, que já é bem longa, foi confirmada por um “jogador da nossa praça”, numa altura em que lhe mostrei uma Revista Portuguesa de

Xadrez de 1978, que ele logo comentou ser anterior ao seu nascimento. Nessa publicação, havia uma notícia, para o qual remeti o meu interlocutor, onde o meu nome era parte do assunto noticiado. Após a leitura que o meu parceiro de conversa fez da referida notícia, não me contive e atirei:

“-Como vês, ainda tu não eras nascido e já eu andava no xadrez.”

É natural que ao longo de mais de 42 anos de ligação ao xadrez, se conheça e trave amizade com muita gente ligada á modalidade, incluindo quem pode influenciar algumas decisões.

Aproveitando-me dessas amizades e influências que fui granjeando ao longo de todos estes anos, estabeleci contacto com o presidente da federação cubana de xadrez quando me foi apresentado por um influente amigo e destacado dirigente da FIDE América. Com essa ocorrência, tinha o propósito de obter a concordância, do líder do xadrez cubano, na autorização federativa para que o Mestre Internacional Mariano Ortega e sua esposa, Célia Rodriguez Guevara, se transferissem da federação de Cuba para a federação de Cabo Verde.

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É claro que antes de falar directamente com o meu homólogo cubano, já tinha solicitado, a alguém das nossas relações, para que fosse feita uma sondagem e abordagem sobre a transferência pretendida. Assim, teria uma melhor uma percepção da posição do lado cubano e melhor me prepararia.

Durante o 90.º Congresso da FIDE, e depois das apresentações formais, eu e o presidente da federação cubana iniciamos uma conversa onde, com objectividade e diplomacia, dê a conhecer as minhas intenções.

Logo na primeira conversa fiquei com a firme impressão que a nossa pretensão ia ser atendida, pois vi que o meu homólogo cubano tinha ficado agradado com a forma como tinha sido tratado o assunto, bem como com a a exposição que lhe apresentei.

Falamos mais duas vezes durante o Congresso e a decisão ficou de ser tomada, em Cuba, pela directoria da sua federação.

Durante algum tempo, fui trocando mensagens, com o agora também meu amigo cubano, de forma a que as nossas pretensões fossem conseguidas, o que veio a acontecer em finais do mês passado, quando recebi o mail que concedia autorização da Federação Cubana para que o MI Mariano Ortega e Célia Rodriguez Guevara, se transferissem para a federação cabo-verdiana, dispensando-nos do pagamento, á federação de Cuba, de qualquer verba indemnizatória.

De imediato preparei os dossiês, que já estavam quase prontos, para enviar á Federação Internacional de Xadrez (FIDE).

No passado dia 10 de Junho, recebi da instância que regula o xadrez mundial, a confirmação que tanto o MI Mariano Ortega, como a sua esposa, tinham sido transferidos da Federação de Cuba para a Federação de Cabo Verde. Portanto, a partir daquele dia, ambos passaram a ostentar a nossa bandeira nas respectivas fichas da FIDE.

É claro que estas transferências não são de borla e a nossa federação terá de pagar à FIDE as respectivas taxas de transferência, um valor que consideramos ser um bom investimento, pois com elas ganhamos de imediato qualidade com perspectiva de melhorá-la num futuro próximo.

É de referir também que, com estas transferências, desde o dia 11 de Junho, qualquer um dos dois jogadores podem participar, com a bandeira de Cabo Verde, em eventos da FIDE, no entanto, para representarem Cabo Verde antes de 9 de Junho de 2021, há necessidade do pagamento de taxas de transferência suplementares, bastante elevadas para os cofres da federação.

Estas transferências, que colocam o xadrez em Cabo Verde num outro patamar, foram, durante alguns meses, fruto de conversações guardadas com algum sigilo, para que ninguém pudesse vir estragar o que se estava a contruir, abortando todo o processo.

Foi com alegria que na passada semana, dei a conhecer, em primeiro lugar aos presidentes das Associações Regionais, que o MI Mariano Ortega e Célia Rodriguez Guevara, passaram a ser jogadores de Cabo Verde e os novos n.º 1 e 2, respectivamente, do nosso ranking.

Não tenho dúvidas que as minhas influências, contactos e amizades, acumulados ao longo de muito tempo, contribuíram para este desfecho tão favorável.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 968 de 17 de Junho de 2020. 

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Autoria:Francisco Carapinha,22 jun 2020 7:15

Editado porSara Almeida  em  22 jun 2020 16:36

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