Dú Fialho: O extremo esquerdo de Otto Glória

PorWilliam Vieira,17 dez 2020 14:20

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​O miúdo da rua de Mindelo Natural de Mindelo, Alberto António Monteiro, conhecido por Dú Fialho, nasceu em 18 de julho de 1928. Desde muito tenro, apresentou muita destreza para o futebol, jogando nos bairros de Mindelo. Na ilha da diva dos pés descalços, representou a Académica de Mindelo e naquele tempo, surgira uma proposta quase que irrecusável, numa boa ocasião, onde poderia projetar a carreira de futebolista e prosperar também a nível financeiro com um trabalho digno.

O miúdo da rua de Mindelo

Natural de Mindelo, Alberto António Monteiro, conhecido por Dú Fialho, nasceu em 18 de julho de 1928.

Desde muito tenro, apresentou muita destreza para o futebol, jogando nos bairros de Mindelo. Na ilha da diva dos pés descalços, representou a Académica de Mindelo e naquele tempo, surgira uma proposta quase que irrecusável, numa boa ocasião, onde poderia projetar a carreira de futebolista e prosperar também a nível financeiro com um trabalho digno.

Transferência para o Benfica de Bissau e chegada ao SL Benfica de Lisboa

Como se identificava uma ascensão económica no território ultramarino da Guiné-Bissau, Fialho emigrou para a aquela província, não só por questões futebolísticas, mas também por questões profissionais.

A proposta surgira por parte do Benfica de Bissau, uma sucursal do SL Benfica de Lisboa. Ali, o extremo esquerdo expôs toda a sua destreza, atuando sobre os flancos. O impacto do são-vicentino foi tão grande que os ecos chegaram rapidamente a Lisboa e em concreto ao clube Sport Lisboa e Benfica.

Futebol europeu e SL Benfica

Chegou ao “Glorioso” com 25 anos, sob o comando técnico da dupla Ribeiro dos Reis e José Simões, no início da temporada 53-54.

Estreou-se com a camisola encarnada no dia 4 de outubro de 1953, na abertura do campeonato português de futebol, onde celebrou a primeira vitória ao serviço do seu novo clube, num jogo em que o SL Benfica venceu o Lusitano GC por 2-0.

Segundo rezam as crónicas, Fialho tinha um talento nato para o desporto rei. Excelente capacidade de drible, desconcertante nas extremidades, técnica apurada e muita precisão nos cruzamentos, obrigou a sua imposição no clube de imediato.

Com a entrada do extremo cabo-verdiano, Rogério, outro extremo do clube, foi obrigado a passar para o lado direito e Dú fixava-se no lado esquerdo, posição da sua preferência, constituindo um trio de ataque temível, com a grande figura do futebol português na altura e agora lenda José Águas, pai de Rui Águas, antigo selecionador nacional de Cabo Verde, na linha mais avançada do terreno de jogo.

1954/55: A chegada de Otto Glória e o primeiro título

Depois da saída da equipa técnica liderada por Ribeiro dos Reis, por não estarem de acordo com a introdução do profissionalismo no clube e com a chegada do técnico brasileiro Otto Glória, permaneceu a titular no flanco esquerdo, com Francisco Palmeiro a atuar na outra ponta.

Em 1 de dezembro de 1954, esteve presente no jogo de inauguração da Catedral da Luz. Naquela temporada, marcou 5 golos em 17 jogos e sagrou-se pela primeira vez campeão de Portugal, quebrando o enguiço do clube encarnado de 5 anos sem conquistar o maior título do futebol português.

Na equipa constavam ainda grandes nomes como Mário Coluna, José Águas, Salvador Martins, Francisco Calado, conquistando na mesma temporada a dobradinha (título da Taça de Portugal), estando Dú Fialho ausente naquela decisão devido a lesão, como veremos mais a diante.

Realizou 16 dos 19 jogos naquele período, porém, chegou o momento menos bom, que ficaria marcado no seu percurso desportivo.

Lesão e saída do SL Benfica

Contraiu uma grave lesão na 20ª jornada da liga portuguesa, com o CF Belenenses de Matateu, que o condicionaria o resto da carreira desportiva, afastando-o da titularidade e posteriormente do SL Benfica.

Devido á lesão, ficou gravemente fraturado num Hálux (dedo grande de um dos pés), impedindo-o de usar sapatos fechados no pós-carreira, passando quase que exclusivamente a utilizar calçados abertos e chinelos, como eram da sua preferência.

Na última temporada ao serviço do Benfica (1955/56), sob dificuldades, e com a chegada de Domiciano Cavém, foi relegado para o banco de suplentes e representou o clube por apenas uma única vez.

Apesar de estarem, o FC Porto e o Benfica, com os mesmos pontos, o clube encarnado perdera o campeonato, numa titânica luta com os dragões até a última jornada.

Deixou um legado de 3 temporadas, 4 165 minutos, 51 jogos e 12 golos pelo clube encarnado.

Lusitano de Évora, seleção, retirada e falecimento

Depois de deixar o SL Benfica, com 28 anos, ingressou no Lusitano de Évora, um clube onde foi sempre idolatrado. Jogaria ali entre 1956/57 a 1961/62. Realizou 6 épocas ao serviço do clube de Alentejo, onde era um ídolo e fora bastante acarinhado, atingindo uma marca de quase 100 jogos, tendo marcado 25 tentos no total.

Representou a seleção de Cabo-verdiana pela primeira vez, no dia em que assinalava a data da independência de Cabo Verde a 5 de julho de 1975.

Pendurou as chuteiras aos 34 anos de idade.

Como treinador, orientou em Angola, ao serviço do Sport Luanda e Benfica e em Portugal treinou o Juventude de Évora, Desportivo de Beja (67/68 e 68/69) e o Grupo União Sport de Montemor.

Ainda foi selecionador de Cabo Verde em 1982, 7 anos após a independência do pequeno arquipélago. Como selecionador, liderou a seleção nacional por 13 jogos, vencendo 4 e perdendo 9 vezes.

No dia 20 de outubro de 2015, Cabo Verde e Portugal despediam-se assim, de um dos maiores talentos do futebol ultramarino (antes da independência), de nome Alberto António Monteiro, aos 87 anos, na cidade de Évora, onde fixou residência e constituiu família, deixando excelentes recordações que ficaram marcadas na história do futebol português e cabo-verdiano para a prosperidade.

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Autoria:William Vieira,17 dez 2020 14:20

Editado porAndre Amaral  em  23 jan 2021 22:19

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