Olimpíadas

PorFrancisco Carapinha,28 dez 2020 9:30

O facto de o campeonato mundial de equipas em xadrez ser designado por Olimpíada não significa a existência de qualquer ligação com os tradicionais Jogos Olímpicos.

Aliás, foi após a tentativa falhada de incluir o xadrez nos Jogos Olímpicos de Verão realizados em Paris, no ano de 1924, que levou a que durante o decorrer desses jogos, se realizasse, também em Paris, a 1ª Olimpíada não oficial de xadrez.

Segundo consta, a tentativa, nessa altura, de incluir o xadrez nos Jogos Olímpicos, falhou devido aos problemas existentes na distinção entre jogadores amadores e profissionais.

O certo é que a FIDE (Federação Internacional de Xadrez) foi formada no Domingo, 20 de julho de 1924, dia do encerramento dessa 1ª Olimpíada de Xadrez não oficial.

A primeira Olimpíada oficial de Xadrez, organizada pela FIDE, veio a realizar-se em Londres, três anos depois, ou seja, em 1927.

A partir daí e até 1950, as Olimpíadas eram realizadas ocasionalmente anualmente e em intervalos irregulares.

A regularidade da realização bienal só se iniciou a partir de 1950 e perdurou até ao presente ano de 2020, altura em que era suposto realizar-se, na capital russa, a 44.ª Olimpíada de Xadrez.

A pandemia do COVID veio estragar os planos dos xadrezistas de todo o mundo, havendo necessidade de suspender a competição que deveria ter-se realizado em Moscovo, durante o Verão passado.

Programava-se assim, para 2021, a realização da suspensa Olimpíada (a 44.ª), para em 2022 se retomar, em Minsk (Bielorrússia), a realização bienal da principal competição mundial de selecções de xadrez.

Como, na semana passada, aqui dei conta, a Assembleia Geral da FIDE, realizada no passado dia 6 de Dezembro, aprovou a realização da Olimpíada de 2024 em Budapeste (Hungria), e que supostamente seria a 46.ª Olimpíada.

Digo supostamente, porque vieram a ser conhecidos factos que alteram o calendário previsto e como tal a provável numeração da competição.

Ficamos a saber, através do presidente da FIDE, Arkady Dvorkovich, que “a República da Bielorrússia e seu governo decidiram que não podem realizar as Olimpíadas”.

Segundo Arkady, a FIDE ainda tentou encontrar uma solução, ou seja, outra sede para a Olimpíada de 2022, mas como não conseguiu encontrar outra alternativa, muito contribuindo para isso a actual situação pandémica, decidiu-se pela realização de uma única Olimpíada durante este período.

Assim, a próxima Olimpíada ocorrerá em 2022 em Moscovo e a seguinte em 2024 em Budapeste.

Inesperadamente ficamos a saber que haverá 4 anos de interregno entre a próxima Olimpíada e a anterior, que foi realizada no ano de 2018 em Batumi (Geórgia), e de boa memória para Cabo Verde, que aí se estreou nas competições entre equipas nacionais.

Esta interrupção forçada ficará na história das Olimpíadas de xadrez, assim como ficou, em 1936, a Olimpíada, designada por não-oficial, que foi realizada em Munique pela Federação Alemã de Xadrez. A sua realização deve-se ao facto da FIDE não ter organizado o evento por causa da posição anti-semita da Federação Alemã que pretendia banir a participação de judeus.

Questões politicas estiveram também na origem dos acontecimentos de 1976, ano em que a Olimpíada se realizou em Haifa (Israel) e que muitos países membros da FIDE decidiram não participar protestando assim com o facto do evento se realizar em Israel, um país que muitos deles não reconheceram.

Entre as nações que não compareceram estavam todos os países árabes, alguns dos quais viriam a participar numa outra competição paralela, realizada em Trípoli (Líbia) e designada por Contra Olimpíada.

Outros ausentes em Haifa, foram todos os países do Bloco de Leste, incluindo a maioria dos candidatos habituais à medalha.

Refira-se que nesta 22.ª Olimpíada realizada em Haifa, pela primeira vez, houve uma competição exclusivamente feminina.

As questões de geopolítica vieram a marcar a história das Olimpíadas de Xadrez em 2016, realizadas em Baku (Azerbaijão), quando a delegação da Arménia boicotou o evento alegando que corria sério risco de segurança devido ao conflito armado existente, desde 1991, entre os dois países.

Retiradas as questões políticas, as Olimpíadas de Xadrez são encaradas pelos xadrezistas em todo o Mundo como a festa da modalidade.

É a competição por excelência, onde se podem encontrar os melhores jogadores do mundo com outros menos cotados, para isso contribuindo o facto de não haver eliminatórias para a conquista de vagas, como é recorrente nas outras modalidades. Nas Olimpíadas de xadrez, todos os países regularmente inscritos na FIDE podem participar no evento, além da equipa olímpica de deficientes visuais (IBCA) e da equipa olímpica de pessoas portadoras de necessidades especiais (IPCA). Outra curiosidade é que o país sede pode ter duas equipas.

Na última edição do evento, no ano de 2018, competiram 185 equipas na competição Open e 151 equipas na competição feminina.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 995 de 23 de Dezembro de 2020. 

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Autoria:Francisco Carapinha,28 dez 2020 9:30

Editado porAndre Amaral  em  28 dez 2020 18:41

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