93

PorFrancisco Carapinha,19 abr 2021 9:53

Presidente da Federação Cabo-verdiana de Xadrez
Presidente da Federação Cabo-verdiana de Xadrez

Quando projectei a realização da Taça de Cabo Verde de xadrez, tinha em mente uma competição que envolvesse as Associações Regionais e que, neste tempo de pandemia, trouxesse a retoma das competições presenciais a essas regiões.

Acima de tudo, desinibir os xadrezistas, espalhados pelo país, de voltaram à competição OTB (Over-The-Board) e demonstrar que, seguindo o plano de contingência sanitária da Federação Cabo-verdiana de Xadrez (FCX), é possível realizar competições esquísticas com baixo risco de contágio do bicharoco COVID-19.

Relativamente ao número de participantes, na minha projecção, apontava para os 40/50 jogadores, um número que considerava, para os tempos que correm, de muito bom.

Quando a competição foi lançada era essa a minha perspectiva, inalterável durante o período normal em que decorreram as inscrições. Houve um momento que comecei a temer que essa previsão não fosse alcançada, de tal forma que em reunião de direcção da FCX foi decidido prolongar, em mais uma semana e meia, o prazo para efectuar as respectivas inscrições.

Só quando iniciei a preparação dos sorteios das várias fases regionais, é que me fui apercebendo da realidade que tinha em mãos:
Sal – 32 inscritos;

S. Vicente – 20 inscritos;

Praia – 16 inscritos;

St. Antão – 13 inscritos;

S. Nicolau – 12 inscritos.

Ou seja, tínhamos 93 inscritos para a primeira edição da Taça de Cabo Verde. Repito, para que não haja qualquer dúvida: foram 93 xadrezistas cabo-verdianos que se inscreveram, naquela que é, até agora, a competição nacional com maior número de participantes.

Se para 40/50 participantes já considerávamos bom, que dizer de 93?

Excepcional, parece-me ser o termo certo.

Desses 93 jogadores inscritos, há a registar o facto de 9 serem do sexo feminino, um recorde em competições oficiais de índole nacional.

Embora estas nove atletas sejam em número ainda aquém do que pretendemos, o certo é não há comparação com os primeiros campeonatos nacionais de rápidas e semi-rápidas, realizados em 2017, onde só participou uma jogadora cabo-verdiana. Isto foi apenas há 4 anos e com um deles estragado pela pandemia.

Complementando os dados referentes a estes 93 formidáveis audaciosos, 45 deles são seniores, 20 são veteranos, 11 são juniores, 16 são juvenis e 1 iniciado.

Parece-me estarem reunidas todas as condições para que estejamos em presença de uma das maiores competições de xadrez jamais realizada em Cabo Verde.

Mesmo com pandemia, mas calculando e mitigando os riscos de contágio, o xadrez parece-me ser um bom exemplo para o país.

Mas falando da competição em si, S. Vicente teve as honras de abertura, realizando nas passadas Quinta e Sexta – feiras (dias 8 e 9) as duas rondas da sua primeira eliminatória.

Entretanto, no passado Domingo (dia 11), a capital seguiu as passadas de S. Vicente e, na sede da sua associação, jogou-se a 1.ª ronda da 1.ª eliminatória. A ronda final desta eliminatória jogar-se-á hoje, dia 14, a partir das 18:00 Horas.

Também hoje, mas a partir das 20:00 Horas, joga-se, em S. Vicente, a última ronda da 2.ª eliminatória que foi iniciada ontem.

Santo Antão reservou, para dia 23 de Abril, o inicio da sua fase regional, enquanto que Sal e S. Nicolau iniciarão um dia depois (dia 24).

A Fase Nacional, numa parceria entre a FCX e a Câmara Municipal da Ribeira Grande, irá decorrer naquele concelho da Ilha das Montanhas, entre os dias 29 de Maio e 1 de Junho.

Esta será a primeira grande competição de xadrez a acontecer em Santo Antão, embora fosse nesta região que nasceu, oficialmente, a segunda Associação de Xadrez do país (uma década após ter sido constituída a Associação de S. Vicente).

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A Fase Nacional será transmitida, na totalidade, para o mundo inteiro, através da internet e contará com a participação de 8 jogadores.

Portanto, dos 93 inicialmente inscritos, 8 deles encontrar-se-ão na ilha de Santo Antão, mais concretamente no concelho da Ribeira Grande, para disputarem a 1.ª Taça de Cabo Verde e consequentemente um lugar na final do Campeonato Nacional Individual Absoluto de 2021.

Para a composição dos 8 finalistas, a apurar nas diversas fases regionais, Santo Antão, por ser a região organizadora da final, contribuirá com 2 lugares, Sal e S. Vicente, por serem os que apresentaram mais inscritos, contribuirão também com 2 lugares cada e finalmente Praia e S. Nicolau, cada um, participará com 1 jogador.

Estão reunidas todas as condições para que no final possamos aplaudir, mais uma vez, o xadrez nacional.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1011 de 14 de Abril de 2021. 

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Autoria:Francisco Carapinha,19 abr 2021 9:53

Editado porAndre Amaral  em  6 mai 2021 22:19

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