Países africanos precisam de “esforço massivo” para recuperar dos efeitos da pandemia – BAD

PorExpresso das Ilhas, Lusa,23 ago 2020 15:26

Akinwumi Adesina
Akinwumi Adesina(PIUS UTOMI EKPEI/AFP/Getty Images)

O presidente do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD) disse hoje que os países africanos vão precisar de um “esforço massivo” para recuperar dos efeitos da pandemia da covid-19, que anulou décadas de desenvolvimento económico.

“Nenhuma nação foi poupada, a nossa humanidade colectiva está em risco, os efeitos serão profundos e prolongados, e será preciso um esforço massivo de ajuda aos países, em particular os africanos, para recuperarem da pandemia”, disse Akinwumi Adesina no discurso de boas-vindas aos Encontros Anuais do banco.

“Nunca a necessidade de construir resiliência foi tão crítica para garantir o desenvolvimento económico, financeiro e ambiental” dos países africanos, disse o banqueiro, justificando a decisão de realizar pela primeira vez os Encontros em formato virtual com as medidas de contenção da propagação da covid-19.

“A decisão de reunir de forma virtual foi motivada pela necessidade de garantir a segurança de todos nestes tempos extraordinários, em que os limites ciência foram testados, o âmbito da capacidade orçamental foi esticado até limites inimagináveis e os ganhos económicos de décadas foram perdidos para a pandemia, que abalou economias, povos e instituições em todo o mundo”, disse o banqueiro.

No discurso de boas vindas aos Encontros, que decorrem de terça a quinta-feira, Adesina lembrou os 10 mil milhões de dólares disponibilizados através de um instrumento financeiro específico de ajuda aos países africanos para combaterem os efeitos da pandemia e vincou que este apoio é financeiramente sustentável para o banco.

“Fomos rápidos a implementar o papel contra-cíclico de ajuda às economias, dentro dos nossos limites prudenciais, e o nosso apoio está a dar um alívio orçamental muito necessário, já que todos os países estão a lidar com um aumento da dívida, dos défices e com necessidade urgente de mais recursos”, concluiu.

A reunião deste ano surge na sequência das críticas feitas pelos Estados Unidos à decisão da comissão de ética do banco, que ilibou o presidente do banco, Akinwumi Adesina, das acusações feitas por um conjunto anónimo de funcionários sobre favorecimento de familiares e atribuição de contratos.

A comissão nomeou um grupo de trabalho, do qual fazia parte a antiga Presidente da Irlanda, para validar as conclusões da investigação, tendo o grupo concluído que Adesina devia ser absolvido de todas as acusações feitas pelo grupo anónimo de funcionários e que o comité de ética analisou de forma isenta o caso.

Adesina deverá, por isso, ser eleito, para um novo mandato de cinco anos.

Continente africano regista mais 270 mortes e 10 mil infectados por SARS-CoV-2

O número de mortes por covid-19 em África é hoje de 27.592, mais 270 do que no sábado, num universo de 1.178.770 infectados no continente, cujas regiões Austral e do Norte são as mais afectadas, segundo dados oficiais.

A pandemia de covid-19 já provocou pelo menos 805 mil mortos e infectou mais de 23 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo um balanço feito pela agência francesa AFP.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,23 ago 2020 15:26

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  3 mar 2021 23:21

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