O anúncio foi feito durante uma cerimónia realizada na ilha do Sal, que contou com a presença do primeiro-ministro, Ulisses Correia e Silva, do vice-primeiro-ministro, Olavo Correia, do presidente da VINCI Concessões e da VINCI Airports e PCA da Cabo Verde Airports, Nicolas Notebaert, bem como do CEO da Cabo Verde Airports, Jorge Benchimol Duarte.
Na sua intervenção, Nicolas Notebaert manifestou satisfação e orgulho por regressar a Cabo Verde para celebrar “um momento crucial, não apenas para a Cabo Verde Airports, mas também para o próprio desenvolvimento do país”, destacando o sucesso da primeira fase de investimentos e o arranque de uma segunda etapa “ainda mais ambiciosa”.
O responsável recordou a assinatura, em Julho de 2022, do contrato de concessão por 40 anos, classificando-o como “um verdadeiro contrato de casamento”, firmado num contexto ainda marcado pela pandemia da covid-19.
Desde a entrada em vigor do contrato, no verão de 2023, segundo Notebaert, duas acções estratégicas avançaram em paralelo: o lançamento imediato das obras da Fase 1-A, agora concluídas dentro do prazo previsto, e o reforço da conectividade aérea do arquipélago, através de uma estratégia ativa de marketing junto das companhias aéreas.
Este esforço traduziu-se num crescimento recorde do tráfego aéreo. Em 2025, os aeroportos de Cabo Verde registaram 3,5 milhões de passageiros, o que representa um aumento de 60% face a 2022 e um crescimento de 26% relativamente aos níveis pré-pandemia de 2019.
Este desempenho foi impulsionado pela abertura de 35 novas rotas aéreas em dois anos e meio, 20 das quais apenas em 2025, bem como pela entrada de companhias low-cost como a Transavia e a EasyJet, que contribuíram para a redução do custo das viagens e para a dinamização da procura.
“A conectividade aérea é vital para um território arquipelágico como Cabo Verde. Não é apenas uma comodidade, é um elo essencial entre as ilhas e com o mundo, fundamental para a coesão nacional, para o desenvolvimento do turismo, dos negócios e para a mobilidade da diáspora”, sublinhou Notebaert.
A conclusão da Fase 1-A, em 2025, envolveu investimentos de 80 milhões de euros e permitiu “avanços significativos” nas infraestruturas e na qualidade dos serviços aeroportuários.
Entre as principais realizações destacam-se a renovação das pistas nos aeroportos do Sal e de São Nicolau, a modernização dos terminais, a reconfiguração das áreas de estacionamento de aeronaves, a instalação de balcões de check-in self-service e a implementação de soluções avançadas de tecnologias de informação.
Na mesma ocasião, foi lançado oficialmente o novo programa de investimentos – a Fase 1-B –, que prevê a aplicação de 142 milhões de euros ao longo de três anos.
Este novo ciclo permitirá expandir e modernizar ainda mais os aeroportos do arquipélago, com ampliações de terminais, criação de novas áreas comerciais, melhorias operacionais e ambientais e projectos estruturantes, como a extensão da pista no aeroporto da Boa Vista.
“No total, os investimentos previstos ascendem a cerca de 250 milhões de euros ao longo de cinco anos, totalmente autofinanciados pela Cabo Verde Airports, sem encargos para o orçamento do Estado. Além disso, 80 milhões de euros já foram pagos ao concedente a título de pagamento inicial”, sublinhou.
Segundo a VINCI Airports, este programa é sustentado por um modelo “robusto” de parceria público-privada, apoiado por financiamentos ligados à sustentabilidade, incluindo um empréstimo de 60 milhões de euros para a Fase 1-A e um novo financiamento de 120 milhões de euros para a Fase 1-B.
No plano ambiental, o grupo prevê ainda investir 47 milhões de euros, ao longo de seis anos, em iniciativas focadas na eficiência energética, energias renováveis, economia circular e proteção da biodiversidade.
Por sua vez, o CEO da Cabo Verde Airports, Jorge Benchimol Duarte, considerou que a parceria público-privada “é muito mais do que um projeto”, tratando-se de “um compromisso com o futuro”, que está a transformar a conectividade do país, a impulsionar a atividade aeroportuária e a criar valor sustentável com impacto real na economia e na sociedade.
O dia, segundo os responsáveis, não marca um ponto final, mas o início de uma nova etapa, que inclui também estudos de viabilidade para uma solução aeroportuária em Santo Antão.
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