Segundo o relatório Africa Economic Update de Abril, a economia cabo-verdiana deverá manter um ritmo de crescimento sólido, estimado entre 4,8% e 5,1% no médio prazo, sustentado sobretudo pela recuperação do turismo e pela estabilidade macroeconómica.
O documento sublinha que Cabo Verde tem conseguido recuperar de forma consistente dos impactos da pandemia, apresentando um desempenho acima da média de várias economias africanas não exportadoras de recursos naturais. Ainda assim, o crescimento é descrito como positivo, mas insuficiente para promover uma transformação estrutural profunda da economia.
Rendimento cresce acima da média regional
Um dos principais destaques vai para a evolução do rendimento per capita. De acordo com o Banco Mundial, o nível actual é mais de 45% superior ao registado em 2014, colocando o país entre os melhores desempenhos da região neste indicador.
Este avanço reflecte, segundo a instituição, a combinação de crescimento económico, estabilidade institucional e recuperação de sectores-chave como o turismo e os serviços.
Dívida pública recua, mas continua elevada
O relatório destaca igualmente progressos na gestão da dívida. A dívida externa registou uma redução significativa, na ordem dos 9,9 pontos percentuais do Produto Interno Bruto (PIB), resultado de políticas de consolidação fiscal e do recurso a financiamento concessional.
Apesar desta melhoria, o nível global da dívida pública continua elevado, rondando valores próximos de 100% do PIB em anos recentes. O Banco Mundial alerta que a sustentabilidade da dívida permanece dependente da continuidade do crescimento económico e do acesso a condições favoráveis de financiamento externo.
Défices e espaço fiscal limitado
As contas públicas continuam a apresentar défices significativos, com registos próximos de 7% do PIB em determinados períodos. Esta situação limita a capacidade do Estado para responder a choques externos, como aumentos nos preços da energia ou crises económicas internacionais.
Economia vulnerável a choques externos
Classificado como uma economia não rica em recursos naturais, Cabo Verde mantém uma forte dependência do exterior, tanto ao nível das importações, nomeadamente energia e alimentos, como do turismo, principal motor da economia.
Esta estrutura torna o país particularmente vulnerável a flutuações externas, incluindo variações nos preços do petróleo ou alterações na procura turística internacional.
Desafios estruturais persistem
O Banco Mundial identifica como principais desafios a necessidade de diversificação económica, o reforço da base produtiva e a redução da exposição a choques externos.
Apesar dos progressos registados, o relatório conclui que Cabo Verde continua a apresentar características típicas de pequenas economias insulares: limitações de escala, elevada dependência externa e constrangimentos estruturais ao desenvolvimento.
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