Condutores de Hiaces pedem intervenção do Governo para travar aumento das tarifas

PorSheilla Ribeiro,17 ago 2026 8:06

A Associação dos Condutores e Fiscalizadores das Paragens Norte de Santa Catarina de Santiago(ACFPNSC) exigiu este domingo, 16, ao Governo e à ARME uma intervenção urgente para clarificar e regular os preços praticados pelos hiaces que asseguram ligações entre os municípios da ilha e assim evitar que os passageiros fiquem sujeitos a tarifas definidas livremente pelos condutores.

Num comunicado divulgado na sequência da posição da ARME sobre a regulação dos preços dos Hiaces, a associação questiona a decisão da entidade reguladora de se declarar sem competência para regular os Hiaces que asseguram ligações entre localidades do interior de Santiago e a Praia.

Os representantes dos condutores defendem que estes transportes operam com rotas, terminais e horários definidos e que, por isso, devem continuar abrangidos por mecanismos de regulação e fiscalização.

A ACFPNSC afirma ainda que os serviços funcionam com horários fixos, entre as 07h00 e as 19h00, considerando que estes elementos demonstram a existência de uma organização dos transportes que permite a definição e fiscalização dos preços praticados.

Para os representantes dos condutores, esta situação poderá deixar os passageiros sujeitos a preços definidos individualmente pelos operadores e por isso defende que a ausência de uma referência comum de preços poderá agravar as dificuldades enfrentadas pelas famílias que dependem diariamente destes transportes.

Os condutores recordam ainda uma anterior intervenção do Governo e da ARME durante uma crise no setor, em que houve reuniões entre representantes dos condutores, a entidade reguladora e os proprietários, além da atribuição de subsídios aos combustíveis.

A ACFPNSC refere também que, nesse período, a ARME terá estabelecido regras de preços e advertido para a aplicação de sanções em caso de incumprimento, incluindo multas e o eventual cancelamento de alvarás e licenças.

Os representantes dos condutores criticam a ausência de uma intervenção semelhante por parte do atual Governo e consideram que o Executivo deveria assumir um papel de mediação entre os operadores, a entidade reguladora e os passageiros, sobretudo num contexto de aumento dos custos de funcionamento do setor.

A associação afirma que não pretende que os custos da atual situação sejam transferidos diretamente para os passageiros.

No entanto, alerta que o aumento das despesas com combustível, manutenção e outros custos de operação poderá acabar por refletir-se no preço dos transportes e afetar as famílias que dependem destas ligações.

Os condutores apelam, por isso, a uma intervenção das entidades competentes para clarificar as regras aplicáveis aos Hiaces, definir responsabilidades na fiscalização dos preços e encontrar uma solução que permita conciliar a sustentabilidade do setor com a capacidade financeira dos passageiros.

De referir que na sexta-feira, 14, a ARME esclareceu que não lhe cabe aprovar ou atualizar os preços cobrados pelos hiaces nas ligações para o interior de Santiago, por considerar que este serviço não se enquadra legalmente no transporte público regular coletivo de passageiros, depois de os condutores de hiaces em Santiago defenderem a actualização das tarifas de transporte, devido ao aumento do preço dos combustíveis.

Conforme informou, estes serviços não são classificados, à luz da legislação em vigor, como Serviço Público de Transporte Regular Coletivo de Passageiros e, por isso, os respetivos preços não estão sujeitos à fixação ou atualização pela entidade reguladora.

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Autoria:Sheilla Ribeiro,17 ago 2026 8:06

Editado porAndre Amaral  em  17 ago 2026 10:19

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