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​“Temos que virar ainda mais o discurso para a ciência” – Casimiro Vizzini

PorNuno Andrade Ferreira,21 jul 2018 15:00

Bolseiros do Campus África, depois da conferência com peritos da UNESCO
Bolseiros do Campus África, depois da conferência com peritos da UNESCO

Casimiro Vizzini, da Divisão de Políticas Científicas e Capacitação da UNESCO em Paris, defende um aprofundamento da aposta na ciência, como motor de desenvolvimento. Ao Expresso das Ilhas, em Tenerife, o especialista explica que a criação de uma mentalidade científica é um dos objectivos da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO).

Vizzini coloca a tónica na diplomacia científica, uma forma de relação entre países que coloca o foco na procura de soluções comuns para problemas comuns.

“A ideia nasce da capacidade da ciência se transformar num terreno comum, para poder superar dificuldades que a política não chega a superar. A ciência como língua comum, a ciência como território neutral para o desenvolvimento e criação da paz”, concretiza.


Dados da UNESCO indicam que, na África Subsariana, apenas 0,4 por cento do PIB dos Estados é destinado a Pesquisa e Desenvolvimento (R&D, Research and Development, no original, em inglês). Da lista de 15 países no mundo que mais investem em investigação científica, em percentagem do PIB, não consta nenhum africano.

Ao perspectivar o futuro da investigação científica na África ocidental, a organização dirigida por Audrey Azoulay relata progressos mais lentos que no resto do continente, mas estima que, apesar dos atrasos, “a criação de redes de centros de excelência na sub-região, das matemáticas aplicadas às ciências ambientais ou agricultura, deve ajudar os cientistas a melhorar a cooperação e aumentar os seus resultados”.

Casimiro Vizzini, que passou por Tenerife como convidado do Campus África, reconhece a importância dos passos que têm sido dados, mas pede mais, começando pela educação.

“Temos que virar ainda mais o discurso politico para a ciência. A ciência tem um valor económico essencial. Precisamos de muito mais educação científica e cientistas em todas as sociedades, nos países em desenvolvimento e países desenvolvidos. A educação científica é também uma prioridade para a UNESCO. Uma parte importante da nossa actividade é também a criação de uma multidisciplinaridade de formação, para que a mentalidade e a cultura da ciência possam chegar a todos os domínios”, observa.

“O continente africano é um continente jovem, é um continente que tem um potencial enorme. É um continente que tem recursos naturais em quantidades impressionantes, que temos que respeitar e aproveitar do potencial dessa riqueza”, acrescenta.

Casimiro Vizzini participou sexta-feira numa conferência sobre “diplomacia científica em África”, promovida no âmbito do Campus África, iniciativa da Universidade de La Laguna, que decorre até dia 26 de Julho, e que reúne em Tenerife, Canárias, mais de uma centena de bolseiros africanos. 

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Autoria:Nuno Andrade Ferreira,21 jul 2018 15:00

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  23 jul 2018 6:07

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