No entanto, essa revolução digital também trouxe desafios para a saúde mental. O segredo está no uso equilibrado da tecnologia, maximizando seus benefícios e reduzindo os riscos.
A tecnologia tem um impacto positivo inegável. Aplicativos de meditação, psicoterapia online e comunidades virtuais oferecem suporte emocional acessível. Para quem vive longe de centros urbanos, a digitalização tornou a psicoterapia mais viável. Em países como Cabo Verde, onde muitos cidadãos vivem na diáspora, a terapia online mantém o acompanhamento psicológico acessível em qualquer lugar do mundo.
Além disso, cresce a presença das mulheres no setor tecnológico, desenvolvendo soluções voltadas para o bem-estar. A diversidade na criação de plataformas digitais garante ferramentas mais inclusivas e eficazes. Mulheres lideram iniciativas que ampliam o acesso à saúde mental, desde apps de suporte até redes de autocuidado e equilíbrio emocional.
Por outro lado, o impacto negativo da tecnologia na saúde mental exige atenção. O uso excessivo das telas pode levar a distúrbios do sono, dificuldades de concentração e aumento do stress. O “doomscrolling”, o consumo compulsivo de notícias negativas, reforça ciclos de ansiedade. Para os adolescentes, a cultura das redes sociais intensificou a comparação constante, impactando a autoestima e aumentando casos de ansiedade e depressão. Muitos pais, apesar de presentes, não conseguem acompanhar essa nova realidade digital, criando um abismo geracional.
Diante desses desafios, é fundamental desenvolver uma relação mais consciente com a tecnologia. A desintoxicação digital não significa rejeitá-la, mas sim estabelecer limites saudáveis, como horários sem telas e priorização de interações presenciais. Pequenas mudanças podem fazer uma grande diferença.
A tecnologia tem o poder de conectar, educar e transformar vidas, mas seu uso precisa ser guiado pelo equilíbrio. O futuro digital será definido pela nossa capacidade de garantir que a inovação caminhe lado a lado com o bem-estar humano. Afinal, a tecnologia deve servir ao ser humano – e não o contrário.
____________________________________________________________
Breve biografia da autora
Christie Barros Brigham Wahnon, 38 anos, é Psicóloga Clínica e da Saúde, Pós-graduada em Saúde Pública e Promoção da Saúde, com sólida experiência na promoção da saúde mental. Atuou como coordenadora do Centro Psicossocial de Santa Maria - Sal e desde 2016, é quadro do Ministério da Saúde, desempenhando funções na Delegacia de Saúde da Praia.
Já foi docente universitária, e é formadora e oradora em diversas instituições públicas e privadas,ministrando temas ligados à saúde mental, inteligência emocional, prevenção do burnout, promoção do bem-estar e saúde ocupacional.
É sócia-gerente de uma clínica de psicologia e bem-estar. Coordena o Ano da Saúde Mental em Cabo Verde, liderando estratégias nacionais para colocar a saúde mental no centro das políticas públicas e sociais do país.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1218 de 2 de Abril de 2025.