A onda de assaltos a residências, instituições e pessoas esteve na base da manifestação de cidadãos no Sal na passada quinta-feira, explicou Jaime Delgado ao Expresso das Ilhas.
Para este residente daquela ilha o clima de insegurança é notório e foi por isso que “um grupo de cidadãos resolveu sair à rua para ver se o governo toma medidas porque isto está a ficar preocupante”.
“O ministro [da Administração Interna, Paulo Rocha], antes da manifestação disse que o governo ia reforçar a segurança e estamos à espera. Vamos elaborar um documento e ficamos a aguardar para ver se há medidas no imediato. Se não houver voltamos a sair às ruas até que haja solução para este problema tanto para os nacionais como para os turistas”, garante Jaime Delgado.
A esta onda de assaltos não têm escapado, sequer, os turistas que procuram o Sal e, garante Jaime Delgado, “o que temos ouvido das pessoas e por algum pessoal que trabalha na área do turismo é que a insegurança e os assaltos aos nacionais e turistas têm aumentado muito”.
“Falta policiamento”, diz quando questionado sobre a origem deste aumento da criminalidade. “Há poucos polícias e na ilha do Sal houve um aumento populacional no último ano por causa dos hotéis. Mas esse aumento policial não foi acompanhado por um aumento do número de agentes. À noite há poucos polícias na rua, eles têm poucas viaturas e quando há uma ocorrência eles dizem que não podem ir porque as viaturas estão noutras diligências. Quando é assim fica difícil”.
Jaime Delgado assegura que o grupo a que pertence, e que organizou a manifestação da passada semana, o Sal 1720 está a elaborar um documento que “vai ser enviado aos órgãos competentes. Estamos a reunir um grupo para apresentar algumas soluções. O grupo é vasto e podemos apresentar algumas soluções que estão a ser estudadas”.
Benvindo Almeida, também ele morador naquela ilha, admite que há “falta de segurança e revolta por causa da saída do comandante da Polícia Nacional”, Elias Silva. Ainda assim recusou participar na manifestação. “Há uma movimentação política à volta disto. Eu não participei porque havia ali muita gente que não estava lá para se manifestar mas sim para fazer campanha contra o governo e contra a câmara municipal”, condena.
No entanto, não nega. “A situação agravou. Já se tornou preocupante. A polícia quer fazer o seu trabalho, mas às vezes é a própria lei que não ajuda. O sistema não colabora e os agentes da autoridade acabam por ficar frustrados porque fazem o seu papel e depois acaba tudo em nada, porque os criminosos são levados ao tribunal e acabam por ser soltos”.
A situação é “preocupante, não se pode negar. Tanto para os cidadãos como para os turistas”, reconhece apontando, no entanto que “já se nota uma maior presença de polícias tanto durante o dia como durante a noite”.
De uma coisa Benvindo Almeida não tem dúvidas. A Polícia Nacional na mais turística das ilhas de Cabo Verde precisa de reforços. “Claro que sim e não só de polícias. É preciso que eles sejam equipados como deve ser para poderem sair à rua”. E recorda o último assalto feito a um casal de turistas: “foi na quarta-feira (25) e com uma técnica assustadora. Eles encontraram uma janela mal fechada mandaram um gás lá para dentro do quarto. As pessoas que lá estavam ficaram inconscientes e eles entraram, roubaram o que quiseram e foram-se embora e o casal não deu conta de nada”
Assembleia Municipal analisa situação
Na última sessão da Assembleia Municipal do Sal, realizada na quarta-feira passada, os eleitos municipais manifestaram-se preocupados com o cenário de insegurança na ilha, que vem “ganhando” contornos com “alguma gravidade”, pelo que exigem do Governo medidas para garantir a tranquilidade e protecção da população.
Segundo relata a Inforpress, João Rocha, deputado da bancada do MpD afirmou que a situação de segurança tem vindo a dar sinais de “alguma fragilidade”, embora tenha mencionando a implementação de algumas medidas já tomadas pelo Governo no sentido de inverter a situação.
Apontou, entretanto, para a necessidade de aumento de efectivos policiais na ilha, reforço de meios materiais nas esquadras e de patrulha e controlo de entrada de passageiros no Porto da Palmeira, entre outros auxílios.
Por sua vez, a líder da bancada do PAICV, Kátia Carvalho, seguindo pelo mesmo diapasão, refere que ficar em silêncio, “negar” a realidade ou “a ineficiência” do sistema no combate à insegurança é “compactuar” com a criminalidade.
O único deputado da UCID, Luís Delgado, manifestou a mesma preocupação, lembrando que um dos desafios proposto pela edilidade era a questão do saneamento e segurança na ilha, disse que quanto à limpeza “está a ser conseguida”, mas já em termos de segurança “está bem longe”.
Ministro garante plano específico para a ilha
Também na passada quarta-feira, Paulo Rocha, ministro da Administração Interna, anunciou que a ilha do Sal vai ser reforçada com um plano específico e adaptado a segurança turística e com mais recursos humanos.
“A ilha do Sal será reforçada nos próximos dias com mais meios humanos bem como com um plano específico adaptado à segurança turística”, assegurou o ministro sublinhando que a Polícia Nacional está empenhada e dedicada no sentido de reduzir as reincidências criminais e devolver a confiança à população da ilha do Sal.
Paulo Rocha disse ainda que o Governo está a trabalhar no reforço os meios de patrulhamento costeiro em todo o país com a aquisição de mais cinco embarcações de patrulhamento marítimo costeiro em Junho deste ano. ![]()
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Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 857 de 02 de Maio de 2018.
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