População reclama por mais polícias e mais meios de combate à criminalidade

PorExpresso das Ilhas,5 mai 2018 7:46

​População do Sal está receosa com o aumento da insegurança na ilha. Os assaltos sucedem-se e já nem os turistas escapam. O último assalto a turistas “teve uma técnica assustadora”, revela um morador da ilha.

A onda de assaltos a residências, instituições e pessoas esteve na base da manifestação de cidadãos no Sal na passada quinta-feira, explicou Jaime Delgado ao Expresso das Ilhas.

Para este residente daquela ilha o clima de insegurança é notório e foi por isso que “um grupo de cidadãos resolveu sair à rua para ver se o governo toma medidas porque isto está a ficar preocupante”.

“O ministro [da Administração Interna, Paulo Rocha], antes da manifestação disse que o governo ia reforçar a segurança e estamos à espera. Vamos elaborar um documento e ficamos a aguardar para ver se há medidas no imediato. Se não houver voltamos a sair às ruas até que haja solução para este problema tanto para os nacionais como para os turistas”, garante Jaime Delgado.

A esta onda de assaltos não têm escapado, sequer, os turistas que procuram o Sal e, garante Jaime Delgado, “o que temos ouvido das pessoas e por algum pessoal que trabalha na área do turismo é que a insegurança e os assaltos aos nacionais e turistas têm aumentado muito”.

“Falta policiamento”, diz quando questionado sobre a origem deste aumento da criminalidade. “Há poucos polícias e na ilha do Sal houve um aumento populacional no último ano por causa dos hotéis. Mas esse aumento policial não foi acompanhado por um aumento do número de agentes. À noite há poucos polícias na rua, eles têm poucas viaturas e quando há uma ocorrência eles dizem que não podem ir porque as viaturas estão noutras diligências. Quando é assim fica difícil”.

Jaime Delgado assegura que o grupo a que pertence, e que organizou a manifestação da passada semana, o Sal 1720 está a elaborar um documento que “vai ser enviado aos órgãos competentes. Estamos a reunir um grupo para apresentar algumas soluções. O grupo é vasto e podemos apresentar algumas soluções que estão a ser estudadas”.

Benvindo Almeida, também ele morador naquela ilha, admite que há “falta de segurança e revolta por causa da saída do comandante da Polícia Nacional”, Elias Silva. Ainda assim recusou participar na manifestação. “Há uma movimentação política à volta disto. Eu não participei porque havia ali muita gente que não estava lá para se manifestar mas sim para fazer campanha contra o governo e contra a câmara municipal”, condena.

No entanto, não nega. “A situação agravou. Já se tornou preocupante. A polícia quer fazer o seu trabalho, mas às vezes é a própria lei que não ajuda. O sistema não colabora e os agentes da autoridade acabam por ficar frustrados porque fazem o seu papel e depois acaba tudo em nada, porque os criminosos são levados ao tribunal e acabam por ser soltos”.

A situação é “preocupante, não se pode negar. Tanto para os cidadãos como para os turistas”, reconhece apontando, no entanto que “já se nota uma maior presença de polícias tanto durante o dia como durante a noite”.

De uma coisa Benvindo Almeida não tem dúvidas. A Polícia Nacional na mais turística das ilhas de Cabo Verde precisa de reforços. “Claro que sim e não só de polícias. É preciso que eles sejam equipados como deve ser para poderem sair à rua”. E recorda o último assalto feito a um casal de turistas: “foi na quarta-feira (25) e com uma técnica assustadora. Eles encontraram uma janela mal fechada mandaram um gás lá para dentro do quarto. As pessoas que lá estavam ficaram inconscientes e eles entraram, roubaram o que quiseram e foram-se embora e o casal não deu conta de nada”

Assembleia Municipal analisa situação

Na última sessão da Assembleia Municipal do Sal, realizada na quarta-feira passada, os eleitos municipais manifestaram-se preocupados com o cenário de insegurança na ilha, que vem “ganhando” contornos com “alguma gravidade”, pelo que exigem do Governo medidas para garantir a tranquilidade e protecção da população.

Segundo relata a Inforpress, João Rocha, deputado da bancada do MpD afirmou que a situação de segurança tem vindo a dar sinais de “alguma fragilidade”, embora tenha mencionando a implementação de algumas medidas já tomadas pelo Governo no sentido de inverter a situação.

Apontou, entretanto, para a necessidade de aumento de efectivos policiais na ilha, reforço de meios materiais nas esquadras e de patrulha e controlo de entrada de passageiros no Porto da Palmeira, entre outros auxílios.

Por sua vez, a líder da bancada do PAICV, Kátia Carvalho, seguindo pelo mesmo diapasão, refere que ficar em silêncio, “negar” a realidade ou “a ineficiência” do sistema no combate à insegurança é “compactuar” com a criminalidade.

O único deputado da UCID, Luís Delgado, manifestou a mesma preocupação, lembrando que um dos desafios proposto pela edilidade era a questão do saneamento e segurança na ilha, disse que quanto à limpeza “está a ser conseguida”, mas já em termos de segurança “está bem longe”.

Ministro garante plano específico para a ilha

Também na passada quarta-feira, Paulo Rocha, ministro da Administração Interna, anunciou que a ilha do Sal vai ser reforçada com um plano específico e adaptado a segurança turística e com mais recursos humanos.

“A ilha do Sal será reforçada nos próximos dias com mais meios humanos bem como com um plano específico adaptado à segurança turística”, assegurou o ministro sublinhando que a Polícia Nacional está empenhada e dedicada no sentido de reduzir as reincidências criminais e devolver a confiança à população da ilha do Sal.

Paulo Rocha disse ainda que o Governo está a trabalhar no reforço os meios de patrulhamento costeiro em todo o país com a aquisição de mais cinco embarcações de patrulhamento marítimo costeiro em Junho deste ano.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 857 de 02 de Maio de 2018.

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Autoria:Expresso das Ilhas,5 mai 2018 7:46

Editado porAndre Amaral  em  26 set 2018 3:22

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