Governo chinês deve admitir que tem campos de internamento de muçulmanos

PorExpresso das Ilhas, Lusa,5 nov 2018 15:40

O Governo chinês deve reconhecer perante a ONU a existência de campos de internamento ilegais de um milhão de muçulmanos na região de Xinjiang Uighur, exige a organização Amnistia Internacional, numa posição divulgada hoje.

"O Conselho dos Direitos Humanos deve enviar uma mensagem inequívoca ao governo chinês para que termine uma campanha de repressão sistemática na região de Xinjiang Uighur, incluindo a detenção arbitrária de um milhão de pessoas", disse Patrick Poon, investigador da Aministia Internacional.

O Conselho dos Direitos Humanos da ONU reúne terça-feira para discutir a situação na China, no âmbito das Revisões Periódicas Universais, que regularmente analisa como cada Estado membro está a cumprir as suas obrigações de respeito pelos direitos humanos.

Na última revisão periódica, o governo chinês tinha dado garantias de que especialistas independentes da ONU poderiam visitar a região autónoma de Xinjiang Uighur, mas a Amnistia Internacional denuncia que nenhum desses agentes chegou a receber autorização para essas deslocações.

As autoridades chinesas negaram a existência de qualquer campo de detenção, até ao passado dia 16, quando o governador da região autónoma os descreveu como campos de "treino vocacional", numa entrevista a meio de comunicação estatal chinês.

Mas, para a Amnistia Internacional, há inegáveis evidências - incluindo imagens de satélite e depoimentos de famílias de pessoas desaparecidas - sugerindo que "as violações dos direitos humanos estão a ser realizadas em grande escala, dentro dos campos", sobretudo contra a minoria muçulmana.

Para Patrick Poon, investigador da Amnistia Internacional, "os campos de internamento são lugares de tortura e de outros maus-tratos", acrescentando que há suspeitas de uma intensificação destas acções governamentais de "internamento, vigilância intrusiva, doutrinação política e assimilação cultural forçada" contra grupos étnicos, sobretudo de origem muçulmana.

A Amnistia Internacional denuncia ainda a existência de um regulamento, adoptado pelo governo da região autónoma, segundo o qual muitas práticas muçulmanas são classificadas como "extremistas" e consideradas causa para suspeição judicial.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,5 nov 2018 15:40

Editado pormaria Fortes  em  20 nov 2018 3:22

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