Protestos no Irão tornaram-se violentos "para dar desculpa" a Trump para intervir

PorExpresso das Ilhas, Lusa,12 jan 2026 8:17

Abbas Aragchi, ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão
Abbas Aragchi, ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão

O chefe da diplomacia do Irão, Abbas Araghchi, disse hoje que os protestos em todo o país "tornaram-se violentos e sangrentos para dar uma desculpa" para uma intervenção militar dos Estados Unidos.

A alegação do ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano surgiu num encontro com diplomatas estrangeiros em Teerão e foi citada pela emissora Al Jazeera, financiada pelo Qatar, que tem permissão para operar apesar do corte da internet no Irão.

Araghchi não apresentou provas para suportar esta alegação, mas garantiu que "a situação está sob controlo total" em todo o país, numa altura em que activistas garantem que pelo menos 544 pessoas foram mortas - a grande maioria manifestantes.

Trump diz que Irão "quer negociar"

"Os líderes iranianos ligaram" no sábado, disse Trump aos jornalistas a bordo do avião presidencial no domingo, acrescentando que "está a ser planeada uma reunião"

"Eles querem negociar", acrescentou o republicano.

Trump disse que está a receber actualizações de hora em hora sobre os protestos e que a administração que lidera "tomará uma decisão".

O presidente norte-americano alertou, no entanto: "talvez tenhamos de agir antes de uma reunião".

As forças armadas dos Estados Unidos estavam a considerar "opções muito fortes" em relação ao Irão, no meio de crescentes receios de uma repressão violenta contra o movimento de protesto no país.

"Estamos a analisar a questão com muita seriedade. As forças armadas estão a analisar a questão e estamos a considerar opções muito fortes. Tomaremos uma decisão", disse Trump.

O presidente norte-americano acredita que o Governo iraniano "está a começar" a ultrapassar uma linha, porque "morreram pessoas que não deviam ter morrido", algo que atribuiu ao "reinado de violência" de Teerão.

"Alguns manifestantes morreram espezinhados; eram muitos. E alguns foram baleados", afirmou.

O republicano disse acreditar que o Irão leva as suas ameaças a sério depois de "anos" a lidar com o país, citando as mortes do general da Guarda Revolucionária Qasem Soleimani, do líder do Estado Islâmico Abu Bakr al-Baghdadi e "a diminuição da ameaça nuclear iraniana".

No domingo, o presidente do parlamento do Irão avisou que os militares norte-americanos e Israel serão "alvos legítimos" caso de ataque por parte de Washington.

Os comentários de Mohammad Bagher Qalibaf representam a primeira vez que Israel é incluído na lista de possíveis alvos de um ataque iraniano.

Qalibaf, um linha-dura, fez a ameaça enquanto os deputados invadiam a tribuna do parlamento iraniano, gritando: "Morte à América!"

O presidente dos Estados Unidos desvalorizou possíveis ataques iranianos a bases norte-americanas: "Se o fizerem, atacá-los-emos a níveis nunca antes vistos".

O diário Wall Street Journal avançou que Trump irá reunir-se com os membros do executivo na terça-feira para a primeira discussão formal sobre possíveis acções contra o Irão, incluindo ciberataques, sanções e bombardeamentos.

O líder norte-americano indicou ainda que planeia ligar ao empresário Elon Musk para discutir o posicionamento de satélites Starlink para "manter a internet a funcionar" no Irão.

Activistas dos direitos humanos anunciaram no domingo que a repressão dos protestos já fez pelo menos 544 mortos e avisaram que o número deve ser maior já que o corte da Internet desde quinta-feira no país está a dificultar a contagem.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,12 jan 2026 8:17

Editado porAndre Amaral  em  12 jan 2026 12:19

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