Opositor Simões Pereira ouvido como "declarante" no Tribunal na Guiné

PorExpresso das Ilhas, Lusa,13 fev 2026 14:13

O principal opositor na Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, foi hoje ouvido pelo Tribunal Militar na qualidade de declarante sobre uma alegada tentativa de golpe de Estado em Outubro de 2025, de acordo com os advogados.

"Não é suspeito de nada, foi ouvido como simples declarante", afirmou um dos advogados, Mário Lino Pereira da Veiga, no final da audiência, em Bissau, numa declaração aos jornalistas divulgada pela comunicação social local.

O presidente do Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde (PAIGC), Domingos Simões Pereira, encontra-se em prisão domiciliária, depois de mais de dois meses na cadeia, desde a tomada de poder pelos militares, na Guiné-Bissau, em 26 de Novembro de 2026.

Em 25 de Outubro e a poucas semanas das eleições gerais, o Estado-Maior das Forças Armadas da Guiné-Bissau anunciou a detenção de vários militares na sequência de uma alegada tentativa de golpe de Estado perpetrada por generais e oficiais de alta patente do Exército.

De acordo com o advogado, foi no âmbito desta alegada tentativa de golpe de Estado que Domingos Simões Pereira foi chamado hoje ao Tribunal de Militar e que "foi ouvido na qualidade de declarante" para responder "sobre o que sabe ou não sabe" acerca do caso.

"Ele não sabe nada e nunca se meteu nisso", disse o advogado aos jornalistas, vincando que "não é suspeito, nem é nada" e que "dificilmente vai ser ouvido uma segunda vez" neste processo.

O advogado afirmou ainda que o Tribunal Militar lhes transmitiu que a convocatória de hoje "não tem nada a ver" com a prisão domiciliária a que Domingos Simões Pereira está sujeito.

"O tribunal disse-nos que esta medida (a prisão domiciliária) não tem nada a ver com este processo", referiu, indicando que o coletivo de advogados vai "ter que ver qual a outra via de resolver esta situação da prisão domiciliária".

Simões Pereira é líder do PAIGC e da coligação PAI- Terra Ranka, que venceu as eleições legislativas de Junho de 2023 e foi afastada do poder com a dissolução do parlamento, tendo sido deposto da presidência do parlamento e o executivo substituído por um Governo de iniciativa presidencial.

Dois anos depois, a Guiné-Bissau foi a eleições gerais, presidenciais e legislativas, pela primeira vez sem o histórico partido PAIGC, excluído do processo eleitoral, assim como o líder, por decisão judicial.

O PAIGC apoiou nas eleições gerais de 23 de Novembro de 2025 o candidato Fernando Dias, que reclamou vitória na primeira volta sobre o ex-Presidente e candidato a um segundo mandato, Umaro Sissoco Embaló.

Um golpe militar interrompeu o processo eleitoral, três dias depois das eleições e um dia antes da divulgação dos resultados oficiais provisórios.

Foto: depositphotos

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,13 fev 2026 14:13

Editado porAndre Amaral  em  13 fev 2026 20:19

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