Polícia queniana deteve homem acusado de recrutar combatentes para a Rússia

PorExpresso das Ilhas, Lusa,26 fev 2026 13:44

A polícia do Quénia anunciou hoje que deteve um homem acusado de participar num esquema que enganou quenianos com promessas de trabalho qualificado na Rússia, mas que acabou por levá-los para a linha de frente dos combates na Ucrânia.

Festus Omwamba foi detido sob suspeita de tráfico de pessoas na cidade de Moyale, no norte do Quénia, perto da fronteira com a Etiópia, e será transportado para a capital, Nairobi.

O porta-voz da polícia, Michael Muchiri, contou que Omwamba estava a fugir após regressar da Rússia.

Omwamba, que foi identificado por três recrutas quenianos, tinha desaparecido depois de as famílias começarem a protestar contra o desaparecimento e a morte dos seus familiares na guerra na Ucrânia.

Um recruta que fugiu da linha da frente e procurou refúgio na Embaixada do Quénia na Rússia, e que conseguiu regressar a casa, John Kamau, disse que conheceu Omwamba numa casa em Nairobi, onde estavam alojados outros recrutas que aguardavam a viagem para a Rússia.

Outro recruta, que pediu anonimato por receio de ser localizado pelos russos, declarou que Omwamba evitava contactar os recrutas por mensagem de texto e, em vez disso, ligava-lhes ou encontrava-se com eles pessoalmente.

O recruta inscreveu-se após ser informado de que conseguiria um emprego como canalizador na Rússia, mas, ao chegar, teve o passaporte confiscado e foi levado para um campo militar por alguns dias antes de ser enviado para a linha da frente do conflito.

Todos os recrutas disseram que Omwamba supervisionou os seus pedidos de visto de turista e a compra de passagens, e duas semanas após o primeiro contacto, eles receberam os vistos e viajaram para a Rússia.

A prisão de Omwamba é um grande avanço na pressão do Governo para impedir o recrutamento de quenianos para lutar na Ucrânia.

Na semana passada, o Governo queniano disse que mais de mil quenianos foram recrutados para lutar pela Rússia na Ucrânia e que pelo menos 89 quenianos ainda estavam na linha de frente, 39 hospitalizados, 28 desaparecidos em combate, outros tinham voltado para casa e pelo menos um morreu.

Um relatório dos serviços de informação apresentado ao parlamento do Quénia pelo líder da maioria, Kimani Ichung'wah, afirmou que funcionários do Governo queniano e russo conspiraram com agências de recrutamento para atrair quenianos para o conflito.

A embaixada da Rússia em Nairobi negou as acusações, afirmando, num comunicado, que nunca emitiu vistos para ninguém com a intenção de viajar para a Rússia para lutar na Ucrânia.

"A Federação russa não impede que cidadãos de países estrangeiros se alistem voluntariamente nas forças armadas", frisou.

O ministro dos Negócios Estrangeiros do Quénia, Musalia Mudavadi, disse, em 9 de Fevereiro, que viajaria para a Rússia para o que chamou de "uma abordagem diplomática para controlar quaisquer entidades duvidosas que estejam a tirar proveito de alguém nesta aventura infeliz".

Mudavadi sublinhou que os esforços para garantir a libertação dos quenianos nas prisões ucranianas e repatriar aqueles que estão na Rússia continuam.

"Lembram-se que, mesmo ao mais alto nível, o Presidente [do Quénia, William Ruto,] fez um apelo para que, se realmente houvesse quenianos que se encontravam do lado errado da lei, o Governo ucraniano analisasse como eles poderiam ser processados e trazidos de volta", explicou o ministro.

Segundo os dados publicados pela Organização Não-Governamental (ONG) INPACT, cerca de 1.417 africanos, incluindo dois cidadãos angolanos, foram recrutados pela Rússia para combater contra a Ucrânia.

A ofensiva militar russa no território ucraniano, lançada a 24 de Fevereiro de 2022, mergulhou a Europa naquela que é considerada a crise de segurança mais grave desde a Segunda Guerra Mundial (1939-1945).

Foto: depositphotos

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,26 fev 2026 13:44

Editado porAndre Amaral  em  26 fev 2026 21:19

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