Senadores democratas querem saber se EUA atacaram escola primária no Irão

PorExpresso das Ilhas, Lusa,12 mar 2026 7:59

Dezenas de senadores democratas exigiram quarta-feira respostas ao governo de Donald Trump à medida que aumentam as provas que apontam para o envolvimento dos EUA no bombardeamento de uma escola primária iraniana, que causou 165 mortes, na maioria crianças.

Em carta assinada por mais de quatro dezenas de senadores, os democratas pressionaram o secretário da Defesa, Pete Hegseth, sobre a culpabilidade dos EUA e qual tinha sido a avaliação prévia do ataque.

O bombardeamento da escola e a matança que causou, envolvendo crianças, tornou-se um dos pontos focais do ataque israelo-norte-americano ao Irão, e, se se confirmar a autoria norte-americana, ficará como um dos ataques com mais vítimas civis causadas pelos militares dos UA nas últimas duas décadas, pelo menos.

No princípio, Donald Trump responsabilizou o Irão pelo ataque, mais tarde admitiu que ignorava quem tinha sido responsável e agora diz que aceita o resultado da investigação do Pentágono.

A questão assumiu carácter de urgência na quarta-feira, depois de o New York Times noticiar que uma investigação preliminar apurou que a responsabilidade era dos EUA.

Se for determinado que os EUA são os responsáveis pelo ataque, isso vai reduzir ainda mais o apoio já reduzido aos ataques que está a fazer ao Irão, quando Trump, que se pronunciou enquanto candidato contra o envolvimento norte-americano em guerras "estúpidas", enfrenta questões persistentes sobre as razões deste ataque e o que pode levar ao seu fim.

Entretanto, acumulam-se provas de que a responsabilidade é dos EUA e que o ataque poderia ter sido evitado.

Aconteceu no sábado de manhã, quando começa a semana escolar iraniana, quando o edifício estava cheio de crianças.

A análise da informação de satélites feita pela Associated Press a mostra que a escola, tal como outros alvos atingidos no mesmo dia, tem características visíveis do ar que a identificam como local civil antes de ser atingida.

Na semana passada, a AP informou que as imagens de satélite, as análises de peritos e as informações divulgadas pelos militares norte-americanos todas apontavam para o ataque ter tido sido feito pelos EUA.

Esta presunção reforçou-se na segunda-feira, com a divulgação de novas gravações a mostrarem o que peritos identificaram como um míssil de cruzeiro Tomahawk, de fabrico norte-americano, a atingir um complexo militar, com fumo já a subir da área onde a escola estava localizada.

As imagens de satélite disponíveis mostram que o edifício escolar era parte de um complexo militar até 2017, quando foi construído um muro para os separar.

Na mesma altura, as imagens mostram as paredes e torno do edifício escolar pintadas cores vibrantes, com domínio do azul e cor-de-rosa, tão brilhantes que se viam do espaço.

De resto, a escola era claramente designada enquanto tal nos mapas em linha e tinha um sítio na internet, de aceso fácil, cheio de infirmações sobre estudantes, professores e funcionários.

A proximidade de uma escola a um alvo militar legitimo não altera o seu estatuto de local civil, disse Elise Baker, advogada do Atlantic Council, m centro de reflexão sedeado em Washington.

Se os EUA foram considerados responsáveis, disse o senador Tim Kaine, durante um encontro com jornalistas na quarta-feira: "Ou mudámos as nossas regras de determinação de alvos ou fizemos um erro".

Alguns republicanos também estão a preocupados. O senador Kevin Cramer, eleito pelo Estado do Dacota do Norte, disse a jornalistas que é preciso "ir até ao fundo disto" e depois "admitir se se sabe de quem é a responsabilidade".

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,12 mar 2026 7:59

Editado porAndre Amaral  em  12 mar 2026 11:54

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