O anúncio foi feito algumas horas antes do final do prazo do ultimato, apresentado no domingo, a terminar às 23:44 TMG (21:44 em Cabo Verde) de hoje.
Numa mensagem publicada em maiúsculas, Donald Trump disse que os Estados Unidos e o Irão tiveram "conversas muito boas e produtivas", que podem levar a "uma resolução completa e total" da guerra, adiantando que as negociações vão continuar "ao longo da semana".
Trump acrescentou que a suspensão da ameaça de atacar centrais elétricas iranianas está "sujeita ao sucesso das reuniões e discussões em curso".
O Presidente norte-americano não avançou, no entanto, mais pormenores sobre as negociações diplomáticas e o Irão ainda não mencionou qualquer conversa entre os dois países, mas o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, disse que falou por telefone com o homólogo turco, Hakan Fidan.
A Turquia já atuou como intermediária nas negociações entre Teerão e Washington.
O Irão respondeu esta manhã ao ultimato do Presidente norte-americano, avisando que ia atacar centrais elétricas em todo o Médio Oriente e minar o golfo Pérsico se as ameaças fossem cumpridas.
Se forem realizados, os ataques poderão cortar o fornecimento de eletricidade a grandes áreas da população no Irão e em redor do Golfo, além de paralisar as centrais de dessalinização que fornecem água potável a muitos países desérticos.
Há também preocupações crescentes sobre as consequências de quaisquer ataques a instalações nucleares.
O tom aguerrido da retórica mostra como a guerra atingiu um ponto inimaginável no início do conflito, a 28 de fevereiro, quando os Estados Unidos e Israel começaram a bombardear o Irão.
Numa mensagem divulgada no fim de semana, Trump disse que os EUA "iam destruir" as centrais elétricas do Irão, a menos que o país abrisse o estreito de Ormuz no prazo de 48 horas, agora prolongado.
O Irão fechou o estreito, por onde passa um quinto do petróleo mundial, além de outras matérias essenciais, em resposta aos ataques dos EUA e de Israel.
Um pequeno número de navios consegue atualmente passar naquele canal, embora o Irão garanta que a via continua aberta a todos exceto aos EUA, a Israel e aliados destes dois países.
O bloqueio já causou, no entanto, muitos danos nos mercados energéticos, provocando uma subida dos combustíveis e, consequentemente, dos preços dos alimentos e de outros produtos muito além do Médio Oriente, estando a afetar toda a economia global.
"Nenhum país vai ficar imune aos efeitos desta crise se esta continuar neste sentido", afirmou o responsável da Agência Internacional de Energia, Fatih Birol.
A Guarda Revolucionária do Irão prometeu retaliar caso Trump cumpra a ameaça, afirmando que Teerão atacará centrais elétricas em todas as áreas da região que fornecem eletricidade às bases norte-americanas, "bem como as infraestruturas económicas, industriais e energéticas em que os norte-americanos têm uma participação".
O presidente do parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, acrescentou que o Irão ia considerar as infraestruturas vitais em toda a região como alvos legítimos, incluindo instalações de energia e dessalinização essenciais para o abastecimento de água potável nos países do Golfo.
Foto: depositphotos
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