Irão nega acordo com Trump: "Não chames acordo à tua derrota"

PorExpresso das Ilhas, Lusa,25 mar 2026 8:02

• Irão controla estreito de Ormuz, bloqueando transporte marítimo e elevando preços do petróleo globalmente • EUA mobilizam 5.000 fuzileiros navais enquanto submetem plano de cessar-fogo com 15 pontos ao Irão • Trump enfrenta pressão interna crescente devido ao impacto económico dos preços dos combustíveis • Teerão admite contactos indiretos mas rejeita categoricamente qualquer negociação com Washington

Resumo criado por IA

O Irão respondeu hoje às declarações do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que estaria a negociar com Teerão: "Não chames acordo à tua derrota. A era das tuas promessas chegou ao fim", disse o Exército iraniano.

Num comunicado divulgado pela agência Tasnim, ligada à Guarda da Revolução Islâmica iraniana, o porta-voz do Comando Unificado de Operações Khatam al-Anbiya, o coronel Ebrahim Zolfaghari, insistiu que as declarações da Casa Branca sobre as negociações com a República Islâmica são falsas.

Não chames acordo à tua derrota. A era das tuas promessas terminou. Existem hoje duas frentes: a verdade e a mentira. E nenhum amante da verdade se deixa seduzir pelas tuas ondas mediáticas", afirma o comunicado.

"Será que os teus conflitos internos chegaram a um ponto em que estás a negociar contigo mesmo?", continuou.

O Exército iraniano também advertiu que o preço do petróleo não voltará a ser o que era até que as Forças Armadas iranianas "garantam a estabilidade da região".

"Nem os vossos investimentos na região se concretizarão, nem verão os preços da energia e do petróleo de antes, até compreenderem que a estabilidade na região é garantida pela mão poderosa das nossas forças armadas", acrescenta o texto do Comando Unificado de Operações.

Donald Trump manifestou-se na terça-feira convencido de que Teerão e Washington vão "chegar a um acordo" no âmbito das conversações que o Presidente norte-americano afirma estar a manter com a República Islâmica, onde se verificou "uma mudança no regime".

Teerão reconheceu ter mantido alguns contactos indiretos com a Casa Branca, mas rejeitou categoricamente qualquer tipo de negociação.

Trump afirmou ainda que os representantes do Irão com quem Washington está a dialogar "concordaram que nunca terão a arma nuclear" e que Teerão lhe concedeu um "grande presente" relacionado com o estreito de Ormuz, rota comercial fundamental para o petróleo, controlada pelo Irão, e pedra angular deste conflito.

O Exército iraniano declarou, porém, que, até que a sua "vontade" seja feita, nenhuma situação "voltará a ser o que era": "Ninguém como nós chegará a um acordo com alguém como vocês", sublinhou o porta-voz.

O The New York Times noticiou na terça-feira, citando uma fonte, que falou sob condição de anonimato, que a Casa Branca terá submetido ao Irão um plano de cessar-fogo com 15 pontos, através de intermediários do Paquistão, que se ofereceram para acolher negociações entre Washington e Teerão.

Paralelamente, o Pentágono está a mobilizar duas unidades da Marinha que irão adicionar à presença militar norte-americana na região cerca de 5.000 fuzileiros navais e milhares de marinheiros.

As duas medidas estão a ser interpretadas como uma manobra de Trump para se garantir "máxima flexibilidade" quanto ao que irá fazer a seguir, acrescentou a fonte.

Autoridades israelitas, que têm defendido que Trump continue a guerra contra o Irão, ficaram surpreendidas com a apresentação de um plano de cessar-fogo, ainda segundo a mesma fonte.

A Casa Branca não respondeu aos pedidos da Associated Press para um comentário sobre esta notícia.

Entretanto, ataques aéreos atingiram a República Islâmica, enquanto mísseis e drones iranianos atacaram Israel e alvos em toda a região.

Com os preços do petróleo a subir e os consumidores a sentirem o impacto nas bombas de gasolina, Trump tem estado sob crescente pressão interna para pôr fim à guerra.

O bloqueio de Teerão ao estreito de Ormuz paralisou o transporte marítimo internacional, fez disparar os preços dos combustíveis e ameaça a economia mundial.

"O poder estratégico de que costumavam falar transformou-se num fracasso estratégico", afirmou Zolfaghari.

"Aquele que se autointitula superpotência mundial já teria saído desta confusão se pudesse. Não disfarcem a vossa derrota como um acordo. A vossa era de promessas vazias chegou ao fim", reiterou.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,25 mar 2026 8:02

Editado porSara Almeida  em  25 mar 2026 13:19

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