Sánchez falava aos jornalistas após um encontro com o Presidente chinês, Xi Jinping, quando questionado sobre se as suas declarações sobre o deteriorar da ordem internacional poderiam ser vistas como uma crítica ao Presidente norte-americano, Donald Trump.
"Espanha tem uma posição coerente em matéria de política externa. Não deve ofender ninguém", afirmou o chefe do Executivo, defendendo um "sistema internacional baseado em regras" e rejeitando a prevalência da "lei da selva".
Lamentou que os países que criticam governos que, na sua perspetiva, violam o direito internacional acabem por ficar "sujeitos à ameaça desses países", numa referência implícita aos Estados Unidos e a Israel, na sequência da crise desencadeada pela guerra com o Irão.
A expressão utilizada por Sánchez coincide com a usada horas antes por Xi, no início da reunião bilateral no Grande Palácio do Povo, ao afirmar que China e Espanha estão "do lado certo da história" face à "lei da selva", num momento em que o direito e a ordem internacionais foram "gravemente postos em causa".
O líder espanhol sublinhou que o quadro multilateral criado após a Segunda Guerra Mundial proporcionou "o maior período de prosperidade e de paz no mundo", acrescentando que, do ponto de vista de Espanha, o respeito pelo direito internacional não é apenas uma questão moral, mas também de interesse nacional.
"Nós não teremos qualquer problema em continuar do lado certo da história, a defender aquilo que consideramos justo", acrescentou.
Sánchez reúne-se ainda hoje em Pequim com o primeiro-ministro chinês, Li Qiang, e com o presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional (órgão legislativo), Zhao Leji.
Na segunda-feira, no arranque da visita oficial, o chefe do Governo espanhol apelou à China para reforçar o seu papel na resolução de conflitos como o do Irão e para promover uma maior abertura comercial, com vista a reduzir desequilíbrios como o défice que Espanha mantém com o país asiático.
Xi diz a Sánchez que estão "do lado certo da História" vs "lei da selva"
Do lado chinês, o presidente Xi Jinping destacou a convergência de posições com Espanha, numa referência a conflitos como o do Irão, no início do encontro que manteve com Sánchez no Grande Palácio do Povo, no âmbito da visita oficial do líder espanhol à China.
A reunião começou com um discurso semelhante de ambas as partes, com Sánchez a lamentar também o enfraquecimento do direito internacional e a defender o reforço do sistema multilateral.
Xi manifestou satisfação por voltar a encontrar-se com Sánchez, recordando que esta é a quarta visita do dirigente espanhol à China em quatro anos, e sublinhou que, desde o primeiro encontro em 2023, ambos têm promovido uma relação bilateral com "determinação estratégica".
Segundo o Presidente chinês, apesar do contexto internacional, as relações entre os dois países têm registado um desenvolvimento estável, contribuindo igualmente para a estabilidade das relações entre a China e a Europa.
"Os factos demonstram que o aprofundamento da cooperação bilateral corresponde aos interesses dos dois povos", afirmou.
Num mundo "em mudança e turbulento", Xi considerou que a ordem internacional foi "gravemente minada", acrescentando que a forma como cada país encara o direito internacional reflete a sua visão do mundo, dos valores e das responsabilidades.
"Tanto a China como Espanha têm princípios e defendem a justiça, estando dispostas a ficar do lado certo da História", afirmou.
Xi defendeu que os dois países devem reforçar a comunicação, consolidar a confiança mútua, aprofundar a cooperação e rejeitar um regresso à "lei da selva", salvaguardando o verdadeiro multilateralismo e promovendo a paz e o desenvolvimento globais.
Sánchez recordou igualmente tratar-se da sua quarta visita à China, considerando que tal reflete a hospitalidade do Governo chinês e a solidez das relações bilaterais, agora reforçadas com o lançamento de um diálogo estratégico entre os dois países.
O chefe do Executivo espanhol defendeu a necessidade de renovar o sistema multilateral para que represente de forma mais fiel o atual mundo multipolar e contribua para a paz e a estabilidade globais.
Sánchez lamentou que essas metas estejam a ser comprometidas pelos vários conflitos em curso, acrescentando que esses desafios ajudam a explicar a sua presença na China.
"Para que juntos, Espanha e China, possamos contribuir para soluções face às tensões comerciais, às complexidades geopolíticas, às guerras e aos desafios ambientais e sociais que afetam o mundo", afirmou.
O líder espanhol sublinhou que o objetivo comum deve ser reforçar o sistema multilateral e o direito internacional, que considerou estarem a ser postos em causa de forma recorrente e perigosa.
Sánchez defendeu ainda que a relação bilateral pode contribuir para aprofundar os laços entre a China e a União Europeia, salientando que a cooperação entre ambas as partes beneficiará as suas sociedades e a prosperidade global.
"Espanha estará à altura do desafio histórico, será corajosa, clara e previsível, e trabalhará sempre pelo entendimento entre nações", afirmou, dirigindo-se a Xi.
O primeiro-ministro acrescentou que Espanha é um país "estável e previsível", convicto de que esse espírito é essencial para alcançar uma paz duradoura.
Xi recordou ainda a visita dos reis de Espanha à China, em novembro passado, destacando os consensos alcançados, e pediu a Sánchez que lhes transmitisse os seus cumprimentos.
Sánchez respondeu transmitindo as saudações do rei Felipe VI e da rainha Letizia Ortiz, sublinhando a gratidão pela visita.
Após o encontro, o Presidente chinês ofereceu um almoço ao chefe do Governo espanhol, no qual participaram também a esposa de Sánchez, Begoña Gómez, e o ministro dos Negócios Estrangeiros, José Manuel Albares.
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