Estados Unidos afirmam estar próximos de um acordo "sólido" com Teerão

PorExpresso das Ilhas, Lusa,25 mai 2026 8:02

Os Estados Unidos afirmaram hoje que continuam prestes a concluir um acordo "sólido" com o Irão, depois de Donald Trump ter atenuado, na véspera, as esperanças de um acordo iminente para pôr fim à guerra no Médio Oriente.

"Temos o que considero ser algo bastante sólido em cima da mesa no que diz respeito à capacidade deles de abrir o Estreito" de Ormuz, mas também "de entrar em negociações" sobre o programa nuclear iraniano, declarou o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio em Nova Deli.

"Pensávamos ter notícias ontem à noite, talvez hoje (segunda-feira), mas não me atrevo a avançar muito sobre isso", acrescentou.

Desencadeado a 28 de fevereiro por um ataque norte-americano e israelita ao Irão, o conflito alastrou-se a grande parte do Médio Oriente e causou milhares de mortos, sobretudo no Irão e no Líbano, onde o movimento pró-iraniano Hezbollah se juntou às hostilidades no início de março, atacando território israelita.

Um cessar-fogo está em vigor desde 08 de abril entre o Irão e os Estados Unidos, mas a economia mundial continua a ser abalada pelo quase bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz, por iniciativa do Irão, há quase três meses.

Enquanto os Estados Unidos trabalham para chegar a um acordo, o Presidente Donald Trump moderou as esperanças no domingo, apesar dos sinais de progresso de ambos os lados.

"Pedi aos meus representantes que não se apressassem a chegar a um acordo, pois o tempo joga a nosso favor", escreveu Trump na rede social Truth Social, alertando também que o bloqueio imposto pelos EUA aos portos iranianos permaneceria em vigor "até que um acordo seja concluído, certificado e assinado".

A Casa Branca considera "que a aprovação do acordo pelas autoridades iranianas poderá demorar vários dias", segundo o meio de comunicação Axios.

"Como o Presidente disse, ele não tem pressa, não vai celebrar um mau acordo e o Presidente não assinará um mau acordo", sublinhou hoje Marco Rubio.

Segundo a imprensa norte-americana, o acordo em preparação entre Teerão e Washington permitiria que os navios voltassem a atravessar o Estreito de Ormuz, passagem pela qual transitava um quinto dos hidrocarbonetos consumidos no mundo antes do conflito.

Impulsionados pelas expectativas de acordo, os preços do petróleo recuaram esta manhã na Ásia. Os preços do barril de Brent do Mar do Norte e do WTI americano caíram mais de 5% pouco depois das 04:00 TMG.

Segundo a CBS News, que cita fontes próximas das discussões, a última proposta incluiria também o desbloqueio de certos ativos iranianos em bancos no estrangeiro.

"Apesar das discussões iniciadas hoje [domingo], os Estados Unidos continuam a travar certas cláusulas do acordo, nomeadamente a questão do desbloqueio dos ativos iranianos congelados, e estes pontos permanecem, neste momento, por resolver", indicou a agência noticiosa iraniana Tasnim.

A Fars, outra agência de notícias iraniana, divulgou que as sanções relativas ao petróleo, gás e outros produtos petroquímicos seriam igualmente levantadas enquanto as negociações prosseguissem, a fim de permitir ao Irão exportar estes produtos, essenciais para a sua economia.

O acordo em discussão não parece, entretanto, resolver a questão nuclear.

"As negociações sobre o nuclear são questões altamente técnicas. Não se pode resolver uma questão nuclear em 72 horas numa mesa de café", declarou Marco Rubio ao New York Times.

Uma vez garantida a reabertura do Estreito de Ormuz, "iniciaremos, de acordo com as modalidades acordadas, negociações muito sérias sobre o enriquecimento, sobre o urânio altamente enriquecido e sobre o compromisso deles de nunca se dotarem de armas nucleares", disse o chefe da diplomacia norte-americana, referindo, a este respeito, um prazo de "60 dias".

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou no domingo ter acordado com Trump que qualquer acordo final com o Irão deveria "eliminar totalmente a ameaça nuclear", segundo um comunicado após uma conversa telefónica no sábado à noite entre os dois aliados.

O primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif, mediador nas negociações, alimentou no domingo a hipótese de uma resolução do conflito em várias fases, declarando que esperava "acolher muito em breve a próxima ronda de negociações", depois de uma primeira em Islamabad a 11 de abril, sem resultados.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,25 mai 2026 8:02

Editado porAndre Amaral  em  25 mai 2026 10:20

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