"É possível que, no final do verão, analisando toda a estação, possamos dizer que esta é uma onda de calor recorde. Mas, neste momento, ainda está em pleno andamento", disse Clare Nullis, porta-voz da OMM, à imprensa em Genebra.
"Penso que, em alguns países como a França, é perfeitamente justificável utilizar o termo 'onda de calor recorde'. Mas, se olharmos para o ano passado, também experimentámos ondas de calor recorde, só que afetaram uma parte diferente da Europa, a Escandinávia", acrescentou.
Segundo Nullis, "não podemos esquecer que ainda estamos no meio desta onda de calor. É incomum, mas não excecional: já experimentámos ondas de calor comparáveis em junho. A onda de calor ainda está em curso e desloca-se agora em direção à Europa Central e, em seguida, aos Balcãs".
Pelo menos 150 milhões de pessoas na Europa, incluindo mais de 50 milhões na Alemanha e mais de 30 milhões em França, deverão sofrer temperaturas acima dos 35°C hoje, de acordo com dados levantados pela agência de notícias AFP.
Nullis alertou hoje para os "grandes impactos" do fenómeno "na saúde humana, nos ecossistemas, na agricultura e na produtividade do trabalho. Em algumas regiões, particularmente em França, é acompanhado pelo agravamento da seca e pelo risco de incêndios florestais, bem como por tempestades localizadas".
De acordo com John Kennedy, responsável pela informação climática da OMM (Organização Meteorológica Mundial), "não existe uma definição única e precisa de onda de calor. Isto torna difícil dizer, em termos gerais, que se trata de uma onda de calor recorde".
"No entanto, podemos afirmar que, em alguns locais, os recordes foram de facto batidos. Em França, por exemplo, o país registou o dia mais quente da sua história para esta altura do ano; os recordes estão realmente a ser ultrapassados", declarou o responsável.
Por isso, segundo Kennedy, "em muitos aspetos, podemos falar de uma onda de calor recorde, mas não em todos os aspetos" nesta fase.
Foto: depositphotos
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