Oposição reclama demissão do Governo italiano após novo revés para Meloni

PorExpresso das Ilhas, Lusa,15 jul 2026 14:28

Os partidos da oposição italiana, de centro-esquerda, reclamam em bloco a demissão do governo de direita e extrema-direita liderado por Giorgia Meloni, após esta ter perdido uma importante votação parlamentar sobre a sua reforma da lei eleitoral.

Depois de ter sofrido, em março, a sua primeira grande derrota nas urnas, ao ver chumbada de forma clara num referendo a sua proposta de reforma do setor da Justiça, que era uma das suas grandes "bandeiras" políticas, Meloni voltou a sofrer um embaraçoso desaire na terça-feira, quando a Câmara dos Deputados (câmara baixa do parlamento italiano) rejeitou uma das emendas propostas para a reforma da lei eleitoral, outra das grandes prioridades da primeira-ministra.

A câmara baixa do parlamento, na qual a coligação governamental -- formada pelos Irmãos de Itália de Meloni (direita nacionalista), a Liga de Matteo Salvini (extrema-direita) e o Força Itália de Antonio Tajani (centro-direita) -- goza de uma confortável maioria, chumbou, pela diferença de apenas um voto, uma das principais medidas propostas pela primeira-ministra.

O chumbo da emenda defendida por Meloni que propunha candidaturas com cabeças de lista garantidas e os restantes candidatos sujeitos à preferência dos eleitores, significa que vários deputados dos partidos da direita que integram a coligação governamental votaram contra -- no que, na gíria política italiana, lhes vale o estatuto de "atiradores furtivos" --, evidenciado as diferenças no seio da maioria em torno desta polémica proposta de reforma da lei eleitoral, no primeiro dia de tramitação parlamentar.

O objetivo da reforma, segundo os seus promotores, é garantir governos mais estáveis e, para tal, contempla como grande novidade a introdução de um bónus de assentos parlamentares -- 70 entre a Câmara dos Deputados e o Senado --- para a lista ou coligação que atingir 42% dos votos nas eleições legislativas.

Esta reforma, que Meloni tenta fazer passar a cerca de um ano das próximas eleições legislativas, é rejeitada em bloco por todos os partidos da oposição -- que acusam a líder dos Irmãos de Itália de querer alterar as regras eleitorais para se perpetuar no poder --, e também não parece convencer totalmente os parceiros minoritários da coligação governamental, a Liga e o Força Itália.

Deste modo, a oposição celebrou sem surpresa o resultado da votação, que evidenciou fissuras na maioria, e instou Meloni a demitir-se para que se realizem eleições antecipadas.

O Movimento 5 Estrelas (partido populista de esquerda), liderado pelo antigo primeiro-ministro Giuseppe Conte, interpreta a derrota da maioria como "uma verdadeira moção de censura política" contra Giorgia Meloni, exortando-a a apresentar a demissão ao Presidente Sergio Mattarella, tendo também o Partido Democrático (socialista, centro-esquerda), liderado por Elly Schlein, desafiado a primeira-ministra a "reconhecer o fracasso".

"O Governo falhou. É altura de se retirarem e de darmos ao país um governo capaz de resolver os problemas dos italianos", declarou Schlein, líder do principal partido da oposição.

Também a Aliança dos Verdes e da Esquerda pediu explicitamente a Meloni que se dirigisse ao Palácio Quirinal (sede da Presidência da República) para apresentar a demissão, e até o antigo primeiro-ministro Matteo Renzi, do Itália Viva, que se manifestara publicamente a favor da emenda agora chumbada, considerou "inevitável que a primeira-ministra se afaste do cargo para devolver o mandato e convocar imediatamente novas eleições".

Numa primeira reação a este novo desaire, Giorgia Meloni comentou, nas redes sociais, que "o pântano voltou a vencer" e, tal como afirmara depois da derrota no referendo sobre a reforma da justiça, considerou que se trata de mais "uma oportunidade perdida para os italianos".

Meloni reconheceu que "é necessária uma reflexão" no seio da sua própria coligação, pois "faltaram alguns votos", mas também criticou a oposição, por "celebrar como se tivesse vencido um Mundial".

A Câmara dos Deputados deverá prosseguir com o debate da reforma até à votação final, que poderá ocorrer no final da corrente semana, passando depois o texto para o Senado (câmara alta), para a sua tramitação definitiva, mas o facto de a votação final também ser com voto secreto aumenta as possibilidades de o projeto merecer o voto contra de "atiradores furtivos" dos partidos que formam a coligação governamental.

Foto: deposipthotos

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,15 jul 2026 14:28

Editado porAndre Amaral  em  15 jul 2026 17:19

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