"Há projetos de que estamos a falar e memorandos de entendimento para ligar os campos petrolíferos iraquianos e exportar o petróleo através do porto sírio de Baniyas", afirmou Ahmad al-Sharaa numa entrevista à cadeia televisiva catari Al Jazeera, cuja primeira parte foi divulgada na noite de domingo.
O Presidente sírio indicou que o objetivo é reabilitar uma rede de oleodutos que liga os campos petrolíferos do Iraque a Baniyas, um terminal marítimo e petrolífero estratégico, situado na região mediterrânica de Tartus, junto da maior refinaria do país.
Referiu também que a Síria e os Estados Unidos estão "a tentar ligar" essa rota petrolífera a Tripoli para que "o Líbano beneficie desse investimento", salientando que no país vizinho se espera "reconstruir centros de refinação de crude e produção de derivados de petróleo".
Al-Sharaa acrescentou que, entre outros projetos, "está também a construção de uma rede de oleodutos na Síria entre os campos petrolíferos e os terminais".
O Presidente sírio não revelou mais pormenores, embora tenha confirmado que se trata da reabilitação do antigo projeto da rota de crude Kirkuk-Baniyas, que remonta ao início da década de 1950 e cujas infraestruturas foram danificadas durante a invasão norte-americana do Iraque, em 2003.
Além de Baniyas, outro dos objetivos passa por relançar o oleoduto entre Kirkuk e Tripoli, no norte do Líbano, um tema que esteve em cima da mesa no domingo, durante o encontro entre o primeiro-ministro libanês, Nawaf Salam, e o seu homólogo iraquiano, Ali al-Zaidi, na visita deste último a Bagdad.
O objetivo destes projetos é exportar o petróleo do Iraque, país que possui uma das maiores reservas mundiais de petróleo, através do Mediterrâneo, evitando assim o vulnerável estreito de Ormuz, afetado por bloqueios económicos e constantes tensões militares, agravadas pela guerra no Médio Oriente.
O projeto Baniyas-Kirkuk surge num contexto de crescentes tensões geopolíticas no golfo Pérsico e de restrições impostas pelo Irão no estreito de Ormuz, por onde passava um quinto das exportações mundiais de crude antes da guerra entre o Irão, os Estados Unidos e Israel, iniciada no final de Fevereiro.
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