UE disponibiliza 2,3 milhões para conter surtos de cólera em África

PorExpresso das Ilhas, Lusa,17 ago 2026 14:24

A União Europeia vai disponibilizar 2,3 milhões de euros a países da África Central e Ocidental para os ajudar a conter surtos de cólera, designadamente através do reforço da vacinação, medidas de saneamento e melhor comunicação.

Em comunicado divulgado hoje, a Comissão Europeia refere que este financiamento é destinado à Nigéria, aos Camarões, à República Centro-Africana e ao Chade, para "ajudar estes países a lidarem com a epidemia de cólera em curso".

O executivo comunitário refere que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), registaram-se mais de 61 mil casos de cólera em África nos primeiros cinco meses de 2026.

A maior parte do financiamento hoje anunciado vai ser destinada à Nigéria, com a Comissão Europeia a disponibilizar 1,5 milhões de euros para "aumentar o número de equipas de intervenção", fornecer bens essenciais, como 'kits' de combate à cólera, ou ainda apoiar ações de intervenção em termos de saneamento e higiene, "incluindo o tratamento dos pontos públicos de abastecimento de água".

"Este apoio contribuirá igualmente para intensificar a vigilância epidemiológica em zonas inacessíveis e para reforçar a gestão de casos, a comunicação de riscos e a sensibilização das comunidades", refere a Comissão.

A República Centro-Africana vai receber 500 mil euros ao abrigo deste pacote de assistência para "reforçar a vacinação", assim como ações de intervenção a nível sanitário e de higiene.

"O financiamento servirá também para reforçar a comunicação dos riscos e o envolvimento das comunidades, intensificar a vigilância e a deteção de casos e apoiar a realização de enterros dignos e seguros", indica o executivo comunitário.

O Chade vai receber 200 mil euros, para ajudar a "quebrar a cadeia de transmissão da cólera" ao garantir "melhor acesso à água e ao saneamento, bem como apoio à comunidade no âmbito da vigilância e gestão de crises".

Já os Camarões vão receber 100 mil euros para apoiar a "contenção do surto e a gestão de casos", designadamente através do reforço dos recursos humanos das organizações humanitárias no terreno, mas também do fornecimento de mais medicamentos e da criação de "unidades adicionais de tratamento de cólera".

Citada no comunicado, a comissária europeia para a Gestão das Crises, Hadja Lahbib, refere que "a cólera é uma doença que pode ser prevenida e tratada", mas que, apesar disso, "continua a ameaçar vidas quando as pessoas não têm acesso a algo tão básico como água potável e cuidados de saúde".

"Numa altura em que as necessidades humanitárias estão a aumentar e os recursos a diminuir, a Europa não vira as costas. Este financiamento de emergência vai ajudar os nossos parceiros a agir rapidamente, a conter surtos e a proteger as comunidades mais vulneráveis", afirma.

A Comissão Europeia salienta que a infeção provocada pela cólera se "propaga mais frequentemente quando as pessoas consomem água contaminada", e, "em casos graves, a rápida perda de líquidos pode provocar desidratação grave" e situações de risco.

O executivo comunitário ressalva, contudo, que a cólera não é uma "doença comum na Europa" e que "o risco de propagação a partir de casos importados é baixo".

Foto: depositphotos

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,17 ago 2026 14:24

Editado porAndre Amaral  em  17 ago 2026 16:19

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