Desporto e lusofonia

PorLeonardo Cunha,7 fev 2020 6:44

Sendo eu um habitante das ilhas de Cabo Verde, logo me lembro da celebre frase de Amílcar Cabral que dizia que “a língua portuguesa é uma das melhores coisas que os portugueses nos deixaram”. Igualmente, Fernando Pessoa, eleva este conceito dizendo que “minha pátria é a língua portuguesa”.

Esta partilha de identidade comum, que nos dá um sentido de irmandade, deve ser preservada pelas mais variadas formas. Através da cultura, do intercambio de ideias, pessoas e bens, de uma partilha sincera, honesta e franca por parte de quem dela faz parte. Contudo, a população tem de sentir a importância de pertencer a esta comunidade. Se existe algo que nos faz “sentir” é o desporto.

Cabo Verde assumiu desde 2018 a presidência do Conselho de Ministros da CPLP. O lema desta presidência é “Cultura, Pessoas e Oceanos" no qual faz referência ás grandes prioridades traçadas por esta liderança. Avanços no domínio da mobilidade e interação cultural, educacional e científica entre os membros são elementos nucleares para esta liderança.

Também são prioridades deste grupo a divulgação e a promoção da agenda 2030 entre as demais nações, num plano de ação internacional para erradicar a pobreza, proteger o planeta e garantir que as pessoas alcancem a paz e a prosperidade.

Olhando para os objetivos da organização e a relação que tem nos objetivos de desenvolvimento sustentável (ODS2030) verificamos aqui um “casamento” perfeito na utilização do desporto para este desígnio.

Neste quadro, que oportunidade surge para o Desporto? Em que medida pode existir pontos comuns de promoção do desenvolvimento através do Desporto? Que aprendizagens podem surgem entre os países membros?

Estas são as questões que temos de olhar com profundidade. Uma simples interligação entre os países membros suportados por um evento multidesportivo parece-me a partida claramente insuficiente para o desígnio traçado para a CPLP. Além de reconhecer a importância da existência destes jogos eles são um ponto de partida (ou ponto intermédio) para tudo o que deve seguir a partir daqui.

Depois de fazer esta ponte entre a CPLP, os ODS2030 e o desporto não posso terminar sem deixar uns conjuntos de questões ancorados nesta simples reflexão que pode servir de exemplo ao que realçar. O objetivo número 14 dos ODS2030 é a proteção da vida marinha através da conservação e uso de forma sustentável os oceanos, mares e recursos marinhos. Todos os países da CPLP são países costeiros. Que papel podem ser dados aos desportos náuticos e aquáticos como forma de programas de educação baseados no desporto que podem ensinar crianças e jovens sobre sustentabilidade e mudanças climáticas? Podem os eventos de desportos náuticos e aquáticos serem utilizados como campanhas de conscientização pública para promover a proteção climática e estimular uma resposta comunitária melhorada para a preservação do meio ambiente local? O desporto, incluindo os eventos desportivos e os seus atores envolvidos, podem transmitir mensagens sobre alterações climáticas e incentivar a evolução das políticas neste contexto, promover o ar limpo por meio de campanhas de conscientização através da colaboração entre uma variedade de partes interessadas?

Estas são apenas algumas das poucas questões colocadas e na qual gostaria cada vez mais ver o desporto como um meio primordial para dar resposta aos desafios da CPLP. Isto claro, numa logica de ferramenta de desenvolvimento sustentável e harmonioso.

*o autor escreve de acordo com as regras do AO90

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Autoria:Leonardo Cunha,7 fev 2020 6:44

Editado porSara Almeida  em  7 fev 2020 9:25

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