Primeira-Dama sobre os desaparecimentos: "dar informação não é dizer o que toda a gente já sabe"

Lígia Fonseca
Lígia Fonseca(Rádio Morabeza)

A primeira-dama questionou ontem a falta de informação por parte das autoridades sobre o desaparecimento de crianças no país. Lígia Fonseca lamenta o facto de a polícia, até ao momento, ter apenas confirmado o desaparecimento dos dois menores no passado sábado, na cidade da Praia.

Em entrevista exclusiva à Rádio Morabeza, Lígia Fonseca pede respostas.

“Eu não sei qual é o perigo em que estamos. E dar informação não é dizer o que toda a gente já sabe. O comunicado emitido ontem [segunda-feira, 5] pela Polícia Judiciária confirma o desaparecimento. Isto, confesso que me deixa um bocado irritada, porque como cidadã não gosto de ser tratada como pessoa com menos capacidade intelectual. Que as crianças estão desaparecidas, toda a gente já sabe. Nós queremos saber mais alguma coisa, pelo menos que dissessem: não está envolvido nenhum tráfico de crianças, ou não temos nenhum dado que aponte para aí”, diz.

À Morabeza, Lígia Fonseca confessa-se transtornada e assustada com a situação, principalmente por não ter ainda uma explicação.

A primeira-dama diz acreditar nas instituições do país e lembra que todos têm que prestar contas num sistema democrático. No caso dos desaparecimentos, Lígia Fonseca pede informações, pelo menos para descartar alguma contra-informação e para que as pessoas possam viver em segurança.

“Eu acredito nas instituições do país. Eu acredito que não é à toa que nós somos considerados internacionalmente uma das primeiras democracias. Se eu acredito nisto, acredito que as instituições funcionam. Se as instituições funcionam, elas têm a obrigação de nos dar informação sobre as coisas”, realça.

“E mais, eu preciso desta informação para saber que aquelas outras contra-informações, digamos assim, não são verdadeiras. Para saber que não andam a raptar crianças para fazer tráfico de órgãos, que não andam a raptar crianças para fazer tráfico internacional. A polícia tem que, pelo menos, descartar estas possibilidades para nós podermos viver em segurança”, insiste.

Ajuda internacional

Desde Novembro que três crianças desapareceram de bairros periféricos da cidade da Praia. O caso mais recente é o dos dois menores, de 11 e 9 anos, com paradeiro desconhecido desde sábado. Edvanea Gonçalves, de 10 anos, residente no bairro Eugénio Lima, está desaparecida desde Novembro do ano passado.

Há ainda o caso de uma jovem de 19 anos que terá desaparecido de casa com um bebé recém-nascido, em Agosto de 2017, também na capital.

A Primeira-dama considera que se está perante uma catástrofe e questiona o porquê de o país não ter accionado apoio internacional.

“Neste momento, temos cinco pessoas desaparecidas e eu pergunto: a cooperação internacional foi accionada? A cooperação não é só pedir dinheiro. Nós temos acordos de cooperação e os países hoje cooperam também em serviços. Se nós não temos determinadas especialidades de investigação, porque são coisas novas que nos surgem, o que é que custa pedirmos investigação de países que usualmente colaboram connosco?”, questiona.

Lígia Fonseca diz que o desaparecimento de pessoas no país não se pode transformar numa coisa normal e pede a adopção de medidas máximas para o seu combate. A primeira-dama afirma que as instituições devem assumir as suas responsabilidades e quem não o consegue fazer não deve estar onde está.

A entrevista completa a Lígia Fonseca poderá ser ouvida na próxima edição do Panorama 3.0

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Autoria:Nuno Andrade Ferreira, Fretson Rocha, Rádio Morabeza,7 fev 2018 12:39

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  18 nov 2018 3:23

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