Outubro Rosa : Pandemia altera nas actividades de prevenção do cancro da mama

PorSheilla Ribeiro,26 out 2020 7:45

Criado para alertar sobre a importância do diagnóstico precoce sobre o cancro de mama, o Outubro Rosa sofreu este ano modificações devido às medidas restritivas impostas pela pandemia da COVID-19. Ainda assim, as associações não deixaram de realizar as suas actividades, tendo em conta que a prevenção a este tumor maligno que ataca o tecido mamário não pode parar.

Desde os anos 90 do século passado que o mês de Outubro é marcado por marchas, palestras, rastreios e palestras sobre o câncer. Este ano, porém, para se evitar aglomerações, essas actividades sofreram modificações em todo o mundo por causa da situação gerada pela COVID-19.

Por cá, desde Março, aquando do aparecimento do primeiro caso de infecção positiva pelo novo coronavírus no Arquipélago, as actividades da Associação Cabo-verdiana de Luta contra Câncer (ACLCC) começaram a sentir “profundas modificações”.

Ainda assim, a presidente da ACLCC, Cornélia Pereira, afirma que as alterações não impediram que a associação realizasse algumas actividades, “respeitando as indicações sanitárias” impostas devido à pandemia. Este ano a efeméride é celebrada sob o lema “não abrandar a luta contra o cancro em tempo de COVID-19”.

“Durante os meses de Julho e Agosto, em articulação com as delegacias de saúde, conseguimos fazer rastreios a 200 mulheres no concelho do Tarrafal e outras 200 nos Órgãos”, revela.

Cornélia Pereira especifica que os rastreios foram feitos num formato diferente do habitual. Antes, a ACLCC juntava muitas pessoas num único espaço, onde, para além dos rastreios, eram realizadas palestras de sensibilização e socialização nas questões relacionadas com o cancro, que, entretanto, este ano não foi possível pelas razões que se conhece.

Para evitar aglomerações, os rastreios vêm sendo feitos de forma faseada, em “estreita” cooperação com as Delegacias de Saúde.

“Nós encaminhamos para as Delegacias de Saúde os materiais para as colheitas, assim como o exame da mama e as delegacias fazem o seu trabalho com os técnicos locais. A associação encaminha para o laboratório e, à medida que tiverem o resultado, voltam a devolver às Delegacias para fazerem os devidos seguimentos”, descreve.

COVID-19 impossibilita rastreios na Praia

Na cidade da Praia, conforme informa Cornélia Pereira, não foi possível realizar os rastreios, tendo em conta a incidência do vírus e o aumento do número de casos. A Capital do País é hoje o epicentro da doença em Cabo Verde, com perto de 4.700 casos confirmados, 50 óbitos e mais de 700 casos activos de COVID-19.

“Não havendo luz verde das delegacias os nossos rastreios não se efectivam. Agora nos dias 26 a 30 vamos ter rastreios de cancro do colo da mama e do colo uterino em concertação com a Delegacia de Saúde de Santa Cruz, de forma faseada e respeitando as regras de distanciamento”, assegura.

Sem marcha, Outubro Rosa fica marcado por eventos virtuais

E como tem sido em quase todos os quadrantes, o programa de Outubro Rosa da ACLCC foi reformatado e as marchas que nos últimos anos tem sido organizadas em todos os concelhos em articulação com as associações parceiras e com as Delegacias de Saúde foram canceladas.

“Estamos a recorrer, este ano, a videoconferências. No passado dia 19, tivemos a primeira videoconferência ontem que falava do impacto da alimentação e o uso dos cosméticos no desenvolvimento e progressão do cancro da mama e teve uma forte adesão”, relata a presidente da ACLCC.

Ainda de acordo com Cornélia Pereira, a associação tinha, para além da ilha de Santiago, projectos de actividades para as ilhas de Sal e Boa Vista que, entretanto, foram cancelados.

Criolas Contra Câncer também teve que se reenquadrar

Assim como a ACLCC, a Associação Criolas Contra Câncer, uma associação sem fins lucrativos e sedeada nos Estados Unidos de América, teve de fazer algumas alterações. Este ano, não vai realizar a passeata do último sábado de Outubro devido as regras referentes às aglomerações.

Tendo em conta o contexto actual, a Criolas Contra Câncer realizou, ao longo deste mês, campanhas de consciencialização nas redes sociais, segundo confidência ao Expresso das Ilhas Angélica Rodrigues representante da associação em Cabo Verde.

“Mas também, está a decorrer uma campanha de Angariação de Fundos na página de Criolas Contra Câncer no Facebook. E ainda, este ano, recebemos, dos Estados Unidos, produtos franchising de Criolas Contra Câncer, vendemos a preços simbólicos e todo o valor arrecadado será doado”, conta.

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A representante refere ainda que a associação tem em mente duas opções para a referida doação. A primeira seria identificar mulheres de baixa renda que estejam a lutar contra o câncer da mama, a quem seriam distribuídas cesta básica ou quantia em dinheiro.

Uma outra opção de doação seria, de acordo com uma eventual necessidade de material eleita pelo Serviço de Oncologia do Hospital Agostinho Neto, podendo ser um frigorífico, um armário para manter os materiais, entre outros, adquirir o equipamento e doar.

E sobre o lema: “Não abrandar a luta contra o cancro em tempo de COVID-19”

Segundo Cornélia Pereira o lema é precisamente para lembrar às pessoas que a pandemia existe, mas não se pode esperar para os tratamentos, ou consultas no caso de se sentir sintomas.

Foi nesse sentido que em plena pandemia, mas precisamente no mês de Abril, a associação procurou saber junto ao Hospital Agostinho Neto, se tudo estava a decorrer bem e, conforme diz, correu tudo na normalidade.

“Falei com alguns doentes que foram evacuados para Praia em pleno estado de pandemia. E disseram que estavam sem problemas e que os tratamentos estavam a correr bem”, afirma.

Esta responsável refere ainda ao diagnóstico do Instituto Nacional de Saúde Público, que dá conta que mais de 60% dos cancros são diagnosticados num estado muito avançado.

“Isto é algo que nos preocupa realmente, daí a necessidade de fazermos um trabalho conjunto deforma a que minimizemos esta questão. O que nos leva a querer faze acções de sensibilização, formação, informação, para que as pessoas cheguem às estruturas de saúde em tempo de tratar da doença e a ponto de conseguirem recuperar e fazerem a vida normal”, reitera.

Angélica Rodrigues, por sua vez, reforça que é importante não se atrasar com as realizações de exames, já que, quanto antes for o diagnóstico, há sempre esperanças de cura.

Em Cabo Verde, dados avançados pelo Ministério da Saúde indicam que o cancro da próstata é a que possui maior número de casos, seguido da mama e do colo de útero.

No arquipélago morrem anualmente de cancro cerca de 340 pessoas, ou seja, uma pessoa por dia, enquanto cerca de 600 casos para tratamento são diagnosticados.

O cancro é a terceira causa de morte no país, sendo que em relação aos homens há uma grande predominância dos cancros ligados ao aparelho digestivo e da próstata, enquanto nas mulheres os mais comuns são os da mama e do colo do útero.

Mortes que poderiam ser evitadas se os casos fossem diagnosticados mais cedo.

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Entendendo o Outubro Rosa

Tudo começou em 1990, em Nova York, nos Estados Unidos. Na ocasião, rolou na cidade a primeira edição da Corrida pela Cura, uma maratona em prol do tratamento do câncer de mama e que acontece em Outubro.

Na época, a Fundação Susan G. Komen for the Cure, que organiza o evento, distribuiu aos participantes um lacinho feito de fita cor-de-rosa. Desde então, a Corrida pela Cura acontece anualmente e reúne milhares de atletas não-profissionais.

Mas, foi só em 1997 que o Outubro Rosa propriamente dito nasceu. Outras entidades nos Estados Unidos aproveitaram a movimentação nesse mês para, de fato, conscientizar as pessoas sobre a importância do diagnóstico precoce - ou seja, aquele que é rapidamente constatado - do câncer de mama.

No começo, para chamar a atenção da população, as instituições distribuíam os lacinhos rosas em locais públicos. Depois, as acções começaram a se expandir, e o Outubro Rosa saiu dos Estados Unidos e também chegou a outros países.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 986de 21 de Outubro de 2020. 

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Autoria:Sheilla Ribeiro,26 out 2020 7:45

Editado porAndre Amaral  em  30 jul 2021 23:21

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