“A colaboração científica relacionada com as doenças infecto-contagiosas deve ser uma prioridade”

PorNuno Andrade Ferreira,17 mai 2021 7:09

Co-organizador do Campus África, José Gomes Soliño, da Universidade de La Laguna, fala da edição 2021 e analisa o fortalecimento de laços de cooperação científica no espaço da Macaronésia.

Que condições foram criadas para que esta edição fosse uma realidade?

Temos fundadas esperanças de que, a meados de Novembro, as condições pandémicas se tenham suavizado graças à vacinação massiva. Também acreditamos que as ligações aéreas entre Canárias e Cabo Verde se tenham restabelecido, para que seja possível a participação presencial. Ou seja, esperamos em que Novembro a covid-19 esteja sob controlo e que isso, como as devidas precauções, nos permita recuperar parte da normalidade perdida.

Em todo o caso, há mudanças, face às edições anteriores, nomeadamente um número limitado de participantes.

As incertezas pandémicas não nos permitem, este ano, ampliar a oferta a outros territórios, pelo que preferimos concentrar a nossa atenção na colaboração com instituições como a Universidade de Cabo Verde, com a qual já temos uma relação muito bem-sucedida de há vários anos. Queremos criar equipas em rede que nos permitam concorrer juntos a convocatórias internacionais de projectos de investigação. Em todo o caso, estamos a preparar a edição de 2022, que terá um carácter mais amplo, quanto à temática e convidados.

O Campus África é um espaço de diálogo científico e académico no espaço da Macaronésia.Que portas o Campus já abriu?

A partir da Universidade de La Laguna, no âmbito da Macaronésia, temos centrado a nossa atenção no fortalecimento da capacidade científica de Cabo Verde. Neste sentido, devo dizer que estão a ser trabalhadas, neste momento, quatro teses de doutoramento, por investigadores cabo-verdianos, sobre problemas de saúde com grande relevância para Cabo Verde. Nos próximos meses, ainda este ano, vão ser defendidas duas destas teses, que já estão na fase final de redacção. Será todo um acontecimento, pelos problemas analisados e os resultados alcançados. É esse o espírito do Campus África.

A pandemia que estamos a viver mostrou-nos a importância da cooperação.Que áreas podem ser reforçadas, em termos científicos e académicos, no espaço da Macaronésia?

Creio que a colaboração científica relacionada com as doenças infecto-contagiosas deve ser uma prioridade nos nossos territórios insulares atlânticos. O mesmo se pode dizer dos desafios que nos são apresentados pela transição ecológica, cujas consequências nefastas ameaçam o bem-estar das nossas sociedades e são um desafio à saúde animal e humana. Em linha com a posição de instituições internacionais e de fóruns como o de Davos, defendemos que essas são as duas frentes que, neste momento, devem concentrar toda a nossa energia científica.

 Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1015 de 12 de Maio de 2021.

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Autoria:Nuno Andrade Ferreira,17 mai 2021 7:09

Editado porAndre Amaral  em  30 nov 2021 23:21

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