“A conectividade aérea é primordial para o desenvolvimento, internacionalização e criação de emprego”

PorNuno Andrade Ferreira,18 dez 2021 8:16

No rescaldo de mais uma edição do Campus África, a responsável pela acção externa do Cabildo de Tenerife, ilha que acolhe o evento promovido pela Universidade de La Laguna, explica o apoio dado ao programa científico, colocando-o como parte de uma agenda de cooperação virada para o desenvolvimento. Empenhada no fortalecimento das relações com Cabo Verde, Liskel Álvarez lamenta a falta de um voo directo entre os dois arquipélagos e garante que o governo da ilha está a trabalhar junto das companhias aéreas para a retoma das ligações regulares.

Comecemos pelo Campus África. Porquê a aposta neste projecto?

A área da acção externa do Cabildo de Tenerife tem uma aposta clara com o Campus África. Acreditamos que é uma ferramenta indispensável para o necessário processo transformador de que necessitamos em ambas as regiões [Cabo Verde e Canárias]. A cooperação que favoreça políticas de desenvolvimento é a chave do século XXI, um desenvolvimento que vise o progresso social dos países e das pessoas. Estamos num mundo globalizado e tudo o que afecta um país, uma região, afecta-nos a todos, em qualquer parte do mundo. As nossas acções procuram beneficiar os países que nos rodeiam. Por outro lado, é cada mais importante a cooperação entre Canárias e África, especialmente com os países da África Ocidental.

A cooperação científica Tenerife-Cabo Verde não se limita ao Campus África.

Temos em marcha um outro projecto, com a Universidade de La Laguna e a Universidade de Cabo Verde (Uni-CV), para um mestrado interuniversitário em Descarbonização. Num outro âmbito, mais técnico, há um projecto do Rotary Club de San Cristóbal de La Laguna, com o apoio da área de relações exteriores do Cabildo de Tenerife, para a instalação de painéis fotovoltaicos em todo o novo campus da Uni-CV. Este projecto também tem uma outra dimensão, através do Instituto Tecnológico e de Energias Renováveis, em Granadilla (Tenerife), para estágios de técnicos cabo-verdianos.

Cabo Verde tem sido destino da cooperação de Tenerife, mas também de internacionalização das empresas da ilha.

Precisamente. Por um lado, favorecemos a cooperação para o desenvolvimento, com projectos internacionais que favoreçam os países africanos. Por outro, também trabalhamos para fomentar a internacionalização das empresas da ilha de Tenerife que queiram expandir o seu mercado para os países africanos. Um dos países que as nossas empresas mais escolhem, à procura de oportunidades, é Cabo Verde.

Temos muitas semelhanças com Cabo Verde. O facto de sermos arquipélagos, a importância do turismo, a cultura, que tem muitos laços e semelhanças. Uma área concreta de interesse é o sector primário, nomeadamente o sector do vinho. Há muitas empresas que querem implantar-se em Cabo Verde, sobretudo na ilha do Fogo. Há trabalho a ser feito, por exemplo, através da Câmara de Comércio de Santa Cruz de Tenerife. Sim, o Cabildo e a Câmara de Comércio têm desenvolvido projectos de internacionalização para apoiar empresas. Temos levado a cabo missões comerciais, que durante a pandemia têm sido virtuais, envolvendo empresas de Tenerife que querem instalar-se em Cabo Verde e, também, empresas cabo-verdianas que queiram implantar-se em Tenerife. Por outro lado, temos promovido jornadas formativas para empresas, tanto de Tenerife, quanto de Cabo Verde. Desde o início da pandemia, já desenvolvemos cerca de uma centena de webinários com países de África, entre eles, claro, Cabo Verde. A participação tem sido muito grande, são eventos muito específicos, com empresas que realmente têm um interesse claro em investir em Cabo Verde.

Apesar da vontade dos empresários, a falta de voos directos entre os dois arquipélagos tem sido um problema.

Sim, é verdade. Na sequência da pandemia, os voos directos que tínhamos entre Canárias e Cabo Verde foram cancelados e não foram retomados. Um dos objectivos que o Cabildo de Tenerife definiu, através do nosso presidente, Pedro Martín, passa por fomentar a conectividade. A conectividade aérea é primordial para o desenvolvimento económico e social das ilhas, para a internacionalização e para a criação de emprego. Somos um arquipélago e uma plataforma tricontinental. Ao nível do Cabildo, estamos a trabalhar com as companhias aéreas, para que se retomem estas conexões directas, que são fundamentais para a internacionalização das empresas, tanto quanto para a mobilidade internacional de estudantes.

E até para as relações interpessoais…

Quanto mais conectividade, melhores serão as relações. Neste momento, quem quiser viajar entre Canárias e Cabo Verde tem que procurar alternativas com custos muito elevados, que as empresas não podem assumir. Estamos a escassos quilómetros uns dos outros e os preços são praticamente os mesmos do que para ir até um país do continente americano.

Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1046 de 15 de Dezembro de 2021. 

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Autoria:Nuno Andrade Ferreira,18 dez 2021 8:16

Editado porSara Almeida  em  19 dez 2021 8:47

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