​Primeiros moradores do complexo da Portelinha denunciam falta de energia eléctrica e água nas habitações

PorFretson Rocha, Rádio Morabeza,9 set 2022 14:05

As famílias beneficiárias das habitações na Portelinha, em São Vicente, já começaram a receber as chaves das moradias, mas o edifício continua sem luz eléctrica e sem acesso à rede pública de água. Os moradores ouvidos pela nossa reportagem pagam seis contos de renda mensal, num contrato de arrendamento renovável de três em três anos.

De acordo com informações recolhidas junto de alguns moradores do complexo habitacional, as chaves começaram a ser entregues pela Imobiliária, Fundiária e Habitat (IFH) em Agosto, enquanto representante do Estado, que é proprietário do edifício. Todas as famílias ouvidas elogiam a qualidade do imóvel, mas mostram-se revoltadas porque continuam às escuras e têm que apanhar água numa sentina próxima.

Consideram que o ramal para fazer chegar energia eléctrica ao edifício deve ser pago pela IFH, para depois cada ocupante fazer o seu contrato junto da Electra.

Mónica Amarante, vendedora ambulante, morava numa casa de tambor na Portelinha. Recebeu as chaves do apartamento em Agosto.

“Estamos bem instalados, mas queremos energia eléctrica. Está tudo às escuras e temos crianças a circular nas escadas e nos restantes espaços à noite, o que não é seguro. Na minha anterior casa tinha luz eléctrica, mas aqui não”, lamenta.

Helder Brito trabalha na área de limpeza na Câmara Municipal. Mudou-se esta quinta-feira com a esposa e os quatro filhos de Fonte Inês para a nova habitação. Está satisfeito com as instalações, mas reclama por serviços essenciais.

“Foi um privilégio receber esta moradia, porque desde 2011 eu e a minha esposa estamos a tentar uma habitação social e graças a Deus conseguimos. O que nos incomoda é a falta de luz eléctrica e água da rede pública. A água da sentina esgota rapidamente e muitos acabam por não ter acesso quando necessário. Pelo menos deviam ver a questão da electricidade porque temos muitas crianças aqui”, refere.

“Não vou pagar seis contos de renda numa casa que nunca será minha”

Soraia Oliveira está há uma semana no complexo habitacional. Falou com a nossa reportagem antes de se deslocar à sentina que fica mesmo ao pé dos apartamentos. Para além de electricidade e água, mostra-se descontente porque estava à espera que o contrato – que nos foi apresentado - fizesse referência que depois de um determinado período a pagar renda, a casa passaria para o seu nome.

“Eu morava numa casa de tambor aqui na Portelinha com luz eléctrica e vivia bem. Vim para aqui porque prometeram-nos muita coisa. O contrato não diz que a casa um dia será minha e não faz referência que tenho que entregar a minha casa de tambor. Tem que ter um contrato que diz explicitamente que a casa será minha. Já fomos enganados, mas agora estamos mais espertos. Não vou pagar seis contos de renda numa casa que nunca será minha”, afirma.

“Realmente não sabemos se vamos pagar renda para sempre ou se um dia serão nossas”, acrescenta Helder Brito.

Lúcia Lima também morava numa habitação precária, mas arrendada. Considera que foi enganada.

“Foram ter connosco e nos disseram que o pessoal da Portelinha não pagaria renda. Fomos enganados. Estamos a ser tratados como cães. Uma casa que não tem luz nem água, as crianças podem cair das escadas à noite. A situação tem que ser resolvida. E a casa um dia tem que ser nossa sim”, defende.

Um dos contratos a que a Rádio Morabeza teve acesso refere, numa das cláusulas, que o contrato tem a duração de três anos renovável por igual período, se não for denunciado por nenhuma das partes com seis meses de antecedência. O mesmo documento nota que durante o período de vigência, o montante da renda será revisto anualmente, através da actualização do Cadastro Social Único e rendimento do agregado.

Outras situações relatadas prendem-se com famílias que continuam a viver em situações difíceis, que se agravaram com a quedas das últimas chuvas, e que não foram contempladas com uma das 88 habitações, apesar de nem todos os apartamentos terem sido ocupados.

Marlene Fortes, com três filhos menores, é uma das moradoras que esperava ser contemplada.

“Estava no Hospital quando choveu e as cheias invadiram a minha casa. Estou numa situação difícil. Já corri muito para tentar conseguir uma casa mas ainda nada. Tenho filhos doentes por causa da situação sanitária do local. Quero ajuda porque passo por dificuldades”, apela.

A Rádio Morabeza entrou em contacto no início desta semana com a IFH, que remeteu esclarecimentos para a Câmara Municipal. Contactada, a autarquia disse que teria que reunir todos os dados para depois falar sobre o assunto, o que ainda não aconteceu. Esta sexta-feira voltámos a estabelecer contacto com as duas instituições, tendo conseguido retorno da Imobiliária Fundiária e Habitat, que pediu para aguardar.

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Autoria:Fretson Rocha, Rádio Morabeza,9 set 2022 14:05

Editado porFretson Rocha  em  26 set 2022 18:20

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