Portugal investe 4 milhões de euros em dois anos em formação profissional em Cabo Verde

PorExpresso das Ilhas, Lusa,4 dez 2023 14:41

O Governo firmou hoje memorando de entendimento com Portugal que vai investir quatro milhões de euros nos próximos dois anos em centros de excelência em Cabo Verde, para formação profissional, que pretende chegar a cerca de 2.000 pessoas em diversas áreas.

O acordo foi assinado pelo vice-primeiro-ministro e ministro das Finanças, Olavo Correia, e pela ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social de Portugal, Ana Mendes Godinho, e prevê investimentos nas áreas do digital, metalomecânica, construção civil, turismo, transição energética e social.

“Portugal fará aqui, nos próximos dois anos, um investimento de quatro milhões de euros nestes centros de excelência na formação, com o objectivo de chegarmos a duas mil pessoas, e o objectivo é começar já em Janeiro”, traçou a ministra portuguesa.

O documento agora assinado é um dos três objectivos de um memorando sobre a mobilidade laboral que os dois países assinaram há um ano, que previa ainda a colocação de um adido português para estas questões em Cabo Verde, o que já aconteceu, e a criação de uma equipa conjunta das inspecções de trabalho para acompanhar os processos.

Tudo numa altura de uma grande procura de vistos e trabalho por parte de cabo-verdianos para Portugal e também de multiplicação de acções de recrutamento de empresas portuguesas no arquipélago, na sequência da ratificação do acordo de mobilidade da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e da alteração da lei de vistos em Portugal.

Ana Mendes Godinho disse que a preocupação foi sempre realizar um trabalho conjunto e próximo com Cabo Verde, considerando, por isso, “crítica” esta aposta na formação profissional nesse país, para que a mobilidade “seja feita da melhor forma possível”.

“Apostando na valorização e nas competências das pessoas, de forma que seja também aqui um grande instrumento de crescimento e desenvolvimento de Cabo Verde”, salientou.

Frisando que centro de excelência é um “conceito”,  Olavo Correia, disse que Portugal entra nesta fase como um “acelerador” do que já existe, para criar algo com mais qualidade e para chegar a mais pessoas.

A ideia, prosseguiu, é criar condições para que os jovens cabo-verdianos tenham certificação com reconhecimento internacional, podendo trabalhar no país e em qualquer parte do mundo.

“Mas nós temos que criar condições para que a mobilidade se faça com organização, com planeamento e com estratégia”, indicou o também ministro das Finanças e do Fomento Empresarial, para quem a mobilidade dever ser vista com “uma oportunidade”.

Para isso, entendeu que devem ser criados os instrumentos jurídicos tanto em Cabo Verde como em Portugal.

Quanto ao acordo, disse que é “transformador”, mas não deve ser visto apenas como formação de excelência, mas também capacitação, financiamento e mercado, em que vão ser aproveitados os centros já existentes, mas há possibilidade de construção de novos.

“Hoje, os jovens cabo-verdianos, muitos deles, não pedem um emprego, pedem oportunidade para criarem emprego para si e para os outros”, referiu Olavo Correia, avançando que o acordo envolve ainda formação de formadores, formação à distância e todo o plano curricular.

“Isto é um salto qualitativo importante para os jovens cabo-verdianos, um mar de oportunidades que se vai abrir”, insistiu o membro do Governo, esperando trabalhar ainda com outros parceiros internacionais na área da formação profissional.

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Autoria:Expresso das Ilhas, Lusa,4 dez 2023 14:41

Editado porAndre Amaral  em  21 jul 2024 23:30

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