O governo aprovou o Relatório Final do concurso internacional para a privatização parcial da CV Handling e determinou o início de uma fase de negociação com a Swissport International AG, primeira classificada entre as propostas vinculativas apresentadas.
Embora as negociações se iniciem com a Swissport, os concorrentes classificados em 2.º e 3.º lugar – a Çelebi Aviation Holding, da Turquia, e a Menzies Aviation Limited, do Reino Unido - poderão ser chamadas a intervir nesta fase caso não se alcance um acordo com o primeiro classificado.
Até agora, não está ainda definido o preço final da alienação das acções, nem as condições definitivas da transacção. A avaliação e graduação das propostas foi realizada em conformidade com os objectivos estratégicos e os critérios previstos no Decreto-Lei n.º 31/2020, de 22 de Março, no Caderno de Encargos e na Resolução n.º 35/2025, de 21 de Maio.
Quanto ao preço, a mesma resolução fixou um preço base de 64,67 euros por acção, correspondente à alienação de 287.640 acções, tendo todas as propostas apresentadas valores superiores. Relativamente aos postos de trabalho, o procedimento incide sobre a alienação de participações sociais da Cabo Verde Handling e integrou critérios específicos de políticas de gestão de recursos humanos, não se prevendo impactos directos nos empregos actualmente existentes.
Início do processo
O processo foi lançado pelo Governo em Fevereiro de 2024, enquadrando-se no programa de reestruturação e modernização do sector empresarial do Estado.
A empresa é responsável pelos serviços de assistência em escala nos aeroportos e aeródromos nacionais, desempenhando um papel central no funcionamento do sistema de transporte aéreo e na operação diária das companhias que escalam Cabo Verde.
O modelo aprovado prevê a entrada de um parceiro estratégico com a aquisição de até 51% do capital social da CV Handling, permitindo ao investidor assumir um papel relevante na gestão e no desenvolvimento da empresa. Paralelamente, foi estabelecida a realização de uma oferta pública de venda de pelo menos, 10% do capital, com 5% reservados aos trabalhadores e 5% destinados a emigrantes cabo-verdianos, através da Bolsa de Valores de Cabo Verde.
Na primeira fase do concurso internacional, o júri procedeu à análise das manifestações de interesse tendo sido seleccionadas seis empresas para avançar no processo: a Nigerian Aviation Handling Company (Nigéria), a Swissport International AG (Suíça), a Aviator Airport Alliance AB (Suécia), a Menzies Aviation Limited (Reino Unido), a Aviation Ground Handling Services SA (Zimbabwe) e a Çelebi Aviation Holding (Turquia).
Após a fase de qualificação quatro empresas foram convidadas a apresentar propostas vinculativas: Swissport International AG, Aviator Airport Alliance AB, Menzies Aviation Limited e Çelebi Aviation Holding. As propostas foram avaliadas com base em critérios técnicos, financeiros e estratégicos, definidos nos instrumentos legais que regulam o processo, incluindo aspectos como capacidade financeira, experiência operacional, plano de desenvolvimento da empresa e políticas de gestão de recursos humanos.
Concluída a avaliação, o júri procedeu à graduação das propostas, tendo a Swissport International AG alcançado a melhor classificação global. Em segundo e terceiro lugares ficaram a Çelebi Aviation Holding e a Menzies Aviation Limited.
Valor definitivo só após conclusão das negociações
No que respeita ao preço das acções, a Resolução n.º 35/2025, de 21 de Maio, fixou um preço base unitário de 64,67 euros, aplicado às 287.640 acções objecto da alienação. Segundo o Relatório Final, todas as propostas recebidas apresentaram valores superiores a esse preço base, embora o montante final a pagar venha a depender do desfecho das negociações e das condições contratuais a estabelecer entre o Estado e o investidor seleccionado.
Relativamente ao impacto laboral, o Governo esclarece que o procedimento em curso corresponde à alienação de participações sociais e não a um processo de reestruturação operacional imediata da empresa. Nesse sentido, o Relatório Final indica que não decorrem do procedimento alterações ou impactos directos nos postos de trabalho actualmente existentes na CV Handling.
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PIB cresceu 7,3% no terceiro trimestre
O Produto Interno Bruto (PIB) cresceu 7,3% em termos reais no terceiro trimestre de 2025, em variação homóloga, acelerando 1,1 pontos percentuais face ao trimestre anterior, segundo as Contas Nacionais Trimestrais divulgadas, esta terça-feira, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).
Pela óptica da produção, o Valor Acrescentado Bruto (VAB) aumentou 6,4%, acima do crescimento registado no segundo trimestre. As Indústrias Transformadoras, a Construção, os Transportes e Armazenagem e a Administração Pública deram contributos positivos para o crescimento económico. Em sentido inverso, a agricultura, pecuária e silvicultura registaram uma quebra de 15,5%, retirando 0,6 pontos percentuais ao crescimento do PIB. As Indústrias Transformadoras cresceram 15,2%, a Construção 17,2% e os Transportes e Armazenagem 12,6%. Os impostos líquidos de subsídios sobre os produtos aumentaram 11,8%.
Na óptica da despesa, o crescimento do PIB foi impulsionado pelo aumento do consumo final e do investimento. O consumo final cresceu 4,3%, reflectindo um aumento de 3,0% no consumo privado e de 8,7% no consumo público. O investimento registou um crescimento expressivo de 53,7%, após 12,3% no trimestre anterior.
No sector externo, as exportações de bens e serviços diminuíram 3,8%, enquanto as importações aumentaram 9,2%.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1257 de 31 de Dezembro de 2025.
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