A iniciativa deve beneficiar, direta e indiretamente, cerca de 80 mil pessoas e contribuir para a proteção de áreas sensíveis de biodiversidade marinha e costeira. Sara Santos, coordenadora do Projeto, explica que o objectivo é transformar acções isoladas numa resposta coordenada, capaz de reduzir os impactos ambientais, económicos e sociais da poluição plástica em Cabo Verde.
“A nossa estratégia é reunir todos os parceiros locais, tanto do setor público como do setor privado, as escolas, as universidades, porque vamos trabalhar em conjunto na cadeia de consumo do plástico, porque esta cadeia vem desde a distribuição, o consumo, que como sabemos, Cabo Verde é um país que depende muito da importação. O projeto vai trabalhar também nessa parte científica, porque precisamos de mais estudos, com mais dados para saber que tipo de plásticos encontramos nas nossas praias e daí saber como abordar este problema”, refere..
“Ilhas Sem Plástico” é financiado pelo Fundo Francês para o Meio Ambiente Mundial e pela Hans Wilsdorf Foundation. O projecto prevê acções de sensibilização, formação, separação e recolha de resíduos, além da restauração de zonas de nidificação de tartarugas marinhas em Santa Luzia.
Sara Santos refere que a intervenção pretende também medir o impacto do plástico na biodiversidade e contribuir para a estratégia nacional de gestão dos plásticos.
“Vamos focar agora em São Vicente e Santa Luzia, mas a ideia depois é replicar os resultados que obtivemos aqui para todas as ilhas de Cabo Verde, porque Cabo Verde, sendo um país arquipélago, tem toda a influência das correntes oceânicas que traz o lixo de outras partes do mundo. Então, desde a gestão de resíduos que vem das nossas ilhas, como a internacional, este projeto é um projeto piloto. Os resultados que tirarmos daqui vamos divulgar depois para todas as ilhas e também daí podemos produzir melhores estratégias como as leis públicas, a implementação das mesmas e também a sensibilização do público é muito importante”, aponta.
Entre as metas estão a formação de 100 pessoas, a produção de quatro publicações científicas ou técnicas e a gestão sustentável de 3.500 hectares de biodiversidade marinha e costeira.
Presente no evento, a embaixadora de França em Cabo Verde, Catherine Mancip, afirmou que o projeto concretiza as ambições e os compromissos internacionais de França, mas também de Cabo Verde, país fortemente afetado pela poluição plástica.
“A poluição plástica é um verdadeiro flagelo. Ela ameaça Cabo Verde por se tratar de um arquipélago vulnerável e devido às correntes marinhas, que transportam resíduos plásticos para as suas costas. Falamos de garrafas de plástico, sacos, redes de pesca e microplásticos. É importante lembrar que esses plásticos podem também conter contaminantes químicos, que se acumulam na cadeia alimentar e podem afectar a saúde humana. Trata-se, portanto, de um verdadeiro flagelo. Tendo em conta a dimensão do desafio para o arquipélago - e, na verdade, para todos os arquipélagos, não apenas Cabo Verde -, este projecto insere-se numa abordagem mais ampla, apoiada pela França e por outros financiadores, como a União Europeia, para combater melhor este problema”, afirma.
Entre as soluções propostas no projeto estão a prevenção, a redução da importação e distribuição de plásticos, a triagem de resíduos em escala piloto, o reforço da legislação e a implementação efectiva das medidas de gestão já existentes. Além da Biosfera, a implementação conta com parceiros como Do Lixo ao Luxo, SMILO e ConsultantSeas, numa iniciativa alinhada com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável ligados ao consumo responsável, acção climática, vida marinha, vida terrestre e parcerias.
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