O que é que o leva a avançar para as eleições para a presidência do MpD?
Avanço por sentido de responsabilidade. O MpD é um partido com uma história decisiva em Cabo Verde: foi protagonista da abertura democrática, da liberdade política, da alternância e da consolidação das nossas instituições. Mas os partidos que fizeram história só continuam necessários quando sabem renovar a sua missão. Hoje, Cabo Verde vive uma nova etapa. A democracia está consolidada, mas o país precisa de transformar essa democracia em desenvolvimento mais forte, mais inclusivo e mais equilibrado entre ilhas, gerações e comunidades. O MpD deve preparar-se para esse desafio: ser uma oposição séria e responsável agora, e uma alternativa governativa credível amanhã. A minha candidatura nasce dessa convicção. Quero ajudar a unir o partido, valorizar as suas bases, mobilizar os seus quadros, abrir espaço aos jovens, às mulheres, à diáspora e à sociedade civil, e preparar o MpD para voltar a servir Cabo Verde com ambição, serenidade e competência.
Uma das críticas que era feita à anterior direcção do MpD, principalmente por um dos seus adversários, era que o partido se tinha afastado das suas bases. Concorda com essa ideia?
Não gosto de fazer política olhando para trás com espírito de acusação. O MpD teve direções, governos, autarcas, dirigentes e militantes que deram muito ao partido e ao país. Devemos respeitar esse percurso. Mas também devemos ter humildade para reconhecer que, quando um partido perde eleições, há sempre sinais que precisam de ser escutados. É evidente que o MpD precisa de se reaproximar mais das suas bases. Precisa de ouvir melhor os militantes, estar mais presente nos concelhos, nas ilhas, nas comunidades emigradas, nas estruturas locais e junto dos jovens. Um partido forte não vive apenas da direção nacional; vive da energia quotidiana das suas bases. Por isso, defendo um MpD mais próximo, mais organizado e mais participativo. Um partido que escuta antes de decidir, que forma quadros, que valoriza as Comissões Políticas Concelhias e as Comunidades Emigradas, que respeita os autarcas e que transforma a militância numa força programática, não apenas numa força eleitoral.
Já tem toda a sua equipa formada para a direcção do partido?
Tenho uma visão clara do tipo de equipa de que o MpD precisa, mas não vejo uma candidatura interna como um exercício fechado em torno de nomes. O partido precisa de uma equipa competente, plural, representativa e capaz de trabalhar com método. Essa equipa deve juntar experiência e renovação, quadros técnicos e militância de base, autarcas, jovens, mulheres, diáspora e pessoas com conhecimento real do país. Naturalmente, há pessoas que me acompanham neste percurso e com quem tenho vindo a refletir sobre o futuro do MpD. Mas a equipa deve nascer também de um processo de escuta e integração. Quero uma direcção que não seja apenas de uma candidatura, mas que possa ser reconhecida como direcção de todo o MpD depois das eleições internas. O meu compromisso é formar uma equipa com seriedade, equilíbrio territorial, competência política e abertura. O MpD precisa de uma liderança que una, organize e prepare o futuro, não de uma liderança que feche o partido sobre si própria.
Uma última pergunta. Qual é a grande mensagem que quer passar aos militantes do MpD?
A minha mensagem é de confiança, unidade e trabalho. O MpD continua a ser uma grande força nacional. Tem história, tem quadros, tem autarcas, tem militantes, tem experiência de governação e tem uma ligação profunda à democracia cabo-verdiana. Mas agora precisa de uma nova ambição. O MpD democratizou Cabo Verde. Agora deve preparar-se para levar Cabo Verde ao desenvolvimento pleno. Esse é o nosso próximo grande desafio: transformar liberdade em oportunidades, crescimento em bem-estar, estabilidade em futuro e oposição em preparação séria para governar melhor. Peço aos militantes que participem, que debatam, que não tenham medo das diferenças e que coloquem o partido acima de grupos ou ressentimentos. Depois das eleições internas, o MpD terá de estar unido. E unido, organizado e com um projeto claro para o país, o MpD será novamente a esperança de muitos cabo-verdianos.
Texto originalmente publicado na edição impressa do Expresso das Ilhas nº 1280 de 10 de Junho de 2026.
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