João Luís, deputado da UCID, falava hoje em conferência de imprensa, em São Vicente.
“Infelizmente, é com muita estranheza e preocupação que a UCID ouve a notícia do aumento das tarifas de água e energia eléctrica no país. Do nosso ponto de vista, não justifica, de forma nenhuma, o aumento do custo de energia e água. A culpa aqui não é da Agência de Regulação Económica, mas sim do Governo que ainda não teve a coragem suficiente. Coloca as medidas no papel mas dali não saem e nós estranhamos esta posição”, diz.
O partido lembra que o país tem água e energia eléctrica das mais caras do mundo e estranha o aumento das tarifas, numa altura em que o Governo fala na protecção da indústria nacional.
“As justificações para o aumento do tarifário de energia eléctrica e água não são convincentes, numa altura em que o Governo fala na protecção da indústria nacional, tendo já iniciado a legislação para o efeito”, entende.
“No momento em que o poder de compra dos cabo-verdianos é muito fraco, o aumento de tarifas de água e energia eléctrica vem agravar, ainda mais, o custo de vida das famílias e das empresas cabo-verdianas”, alerta.
A UCID sugere algumas medidas que, no seu entender, contribuem para a redução do preço da água e electricidade, nomeadamente a revisão do contrato entre a Electra e a Cabeólica, a utilização de fuel 380 nas centrais do Palmarejo, na Praia, e da Palmeira, no Sal e a injecção de mais energia de fontes renováveis na rede pública, o que pressupõe o aumento da capacidade das centrais foto-voltaicas e eólicas.
A União Cabo-verdiana Independente e Democrática pede urgência na implementação das tarifas sociais de água e energia, conforme estipula o Orçamento de Estado para 2018, e o programa do Governo.
“Não estamos a exigir nada que não possa ser feito para o bem deste país”, considera João Luís.
À Electra, o partido pede a adequação da política comercial da empresa, visando a redução do roubo de energia, com impacto directo nas perdas e, consequentemente, no preço ao consumidor.
Recorde-se que a electricidade e água estão mais caras desde o início deste mês. Os aumentos verificam-se em todos os escalões, tanto na Electra, como na empresa Águas e Energia da Boa Vista.
As novas tarifas, fixadas pela Agência de Regulação Económica (ARE), ditam, ao nível da Electra, uma subida média de preços de 2,38% e 2,55% para electricidade e água, respectivamente.
Em relação à Águas e Energia da Boa Vista, os preços sofrem um aumento na tarifa média de 2,84% para electricidade e 0,85% para água.