Dai Varela apresenta novas edições da colecção “Tufas, Princesa Crioula”

PorChissana Magalhães,20 jul 2018 7:01

São três edições diferentes dos dois livros que compõem até aqui a colecção “Tufas, a Princesa Crioula”, inaugurada pelo autor em Abril de 2017, apresentadas na tarde de ontem na cidade da Praia, na Biblioteca Nacional.

O primeiro livro da série, “Aprendendo as Palavras Mágicas”, teve lançamento em Abril do ano passado numa versão bilíngue, em Português e Inglês. Desta feita, o mesmo título aparece também em versão bilíngue mas, em Língua Cabo-verdiana e Inglês. Já “Tufas, a Princesa Crioula – A Caixa das Desculpas” chega ao mercado com uma edição Português/Língua Cabo-verdiana e Língua Cabo-verdiana/Inglês.

O trabalho de tradução das histórias criadas por Odair Varela Rodrigues (Dai Varela) para a Língua Inglesa continua a ser assumido por Peggy Romualdo enquanto a dupla Carlos Almeida & Nezi Brito assina as traduções para Língua Cabo-verdiana.

Estes são os primeiros livros infantis cabo-verdianos traduzidos para Língua Cabo-verdiana e Inglês. Antes, há a apontar o caso de “Prispinhu”, adaptação para Língua Cabo-verdiana do clássico “ O Pequeno Príncipe” de Saint-Exupéry feita pelo francês Nicolas Quint, sendo um livro estrangeiro.

Esta opção de Dai Varela por traduzir os seus livros (pensa no futuro incluir tradução para o Francês) surge da constatação do autor de que o Português é uma língua não dominada, e nem usada, pelas crianças filhas e netas de cabo-verdianos residentes no exterior (com a excepção óbvia de Portugal e demais países de língua oficial portuguesa).

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 "Percebi que havia interesse delas em ter algo escrito na língua cabo-verdiana, para além do Inglês que é usado em qualquer dos países”, explica o escritor que espera ainda com esta opção mostrar que “é possível contar as nossas histórias na nossa língua materna”.

“No entanto, isto que estou a fazer tem sempre uma perspectiva pequena já que sou um autor independente e que, cada edição tem um número limitado de exemplares”, esclarece, avançando que as três edições actuais tiveram no total uma tiragem de 900 exemplares. Ou seja, para a apresentação de ontem, eram poucos os exemplares disponíveis para o público.

“O primeiro lançamento destas edições aconteceu em Abril deste ano no Bridgewater State University, Massachusetts (EUA), e com direito a mais seis sessões de apresentações neste mesmo Estado americano, mas também foi apresentado em Roterdão (Holanda)”, diz o autor em nota de imprensa acrescentando, em entrevista, que o livro já se encontra também na Bélgica e, através de uma acção de apadrinhamento a partir da comunidade cabo-verdiana na Holanda, em todas as escolas da ilha do Sal, estando previsto o mesmo para a ilha da Boa Vista.

“A Caixa das Desculpas/Kaxa de Deskulpa” traz de volta a pequena princesa crioula, Tufas e os seus amigos, para além de dois novos personagens que vão ajudar a contar uma história que tem como pano de fundo um alerta para as desculpas que as crianças costumam usar para fugir às suas responsabilidades diárias e que acabam por trazer consequências.

A equipa de colaboradores de Dai Varela mantem-se praticamente a mesma. O ilustrador Alberto Fortes redesenha os personagens e cenários, onde se destaca a capa que desta vez dá protagonismo a Crabeirinho, zona da ilha de São Nicolau classificada como uma das 7 Maravilhas Naturais de Cabo Verde.

“ Sempre quis trazer para a capa elementos ou aspectos da paisagem cabo-verdiana. O primeiro livro trazia na capa o Palácio do Povo, em São Vicente, e o próximo, que já estamos a pensar, terá o Vulcão do Fogo”, revela Dai Varela que no seu primeiro livro – A Fita Co-de-Rosa (editado em 2014) – homenageava a ilha desabitada de Santa Luzia.

Outra colaboradora que continua a ter um papel especial é a pequena Luna Alvarez. A enteada do escritor é uma espécie de cobaia no processo criativo dos livros da colecção. Para além de dar palpites sobre a história e até inspirar algumas situações também opina sobre as ilustrações.

Para apresentar os três livros o autor convidou Mariana Faria, vogal da Cátedra Eugénio Tavares de Língua Portuguesa da Uni-CV e também Leitora do Camões, Instituto da Língua Portuguesa em Cabo Verde e Evelise Carvalho, jovem aficionada pela literatura e autora do blogue “Bússola Literária”. Houve ainda uma breve intervenção de Alberto Fortes sobre o seu processo criativo para as ilustrações da colecção. 

Ainda no decorrer deste ano o autor pretende fazer a apresentação dos livros na sua ilha natal, São Vicente.

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Autoria:Chissana Magalhães,20 jul 2018 7:01

Editado porChissana Magalhães  em  21 jul 2018 10:04

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