Escravos desfilam no Plateau em recriação histórica

PorChissana Magalhães,17 ago 2018 16:32

Fladu Fla em actuação
Fladu Fla em actuação(Culturarte)

A companhia de teatro Fladu Fla está a celebrar os seus 16 anos de actividade. Este sábado o grupo vai recriar, através de um desfile por algumas artérias do Plateau, o ambiente da época em que Cabo Verde – mais concretamente a Cidade Velha - era um posto de venda de escravos.

O Desfile de Escravos, como denominaram o evento, conta com a participação de cerca de 30 figurantes que irão interpretar escravos e recriar alguns aspectos da vivência dos escravos que chegavam à Ribeira Grande de Santiago, como simulação de venda de escravos e de castigos corporais.

O cortejo deverá partir do Palácio da Cultura Ildo Lobo, percorrer a Avenida Amílcar Cabral e adentrar o mercado do Plateau para depois chegar à Rua Pedonal. Outros momentos da história do país, como a Independência Nacional, também serão lembrados em outras performances, para além de se encenar uma representação da tabanca.

Segundo o representante do grupo, Sabino Baessa, a ideia para esta “recriação histórica” já vem desde Janeiro e, apesar das semelhanças com um projecto de maior dimensão anunciado no mês passado pelo Ministério da Cultura e das Indústrias Criativas diz não haver ligação entre as duas iniciativas.

“ Com esse desfile queremos assinalar os nossos 16 anos de existência através de uma homenagem à memória e assim lembrar a construção da nossa identidade enquanto nação. Se somos livres hoje foi graças aos sacrifícios dos nossos antepassados”, esclarece.

O actor e encenador também refere a importância de consciencializar as pessoas sobre o legado que poderão deixar às gerações vindouras.

“ Estamos tão focados no presente, naquilo que nos falta, nos problemas e precisamos pensar no que podemos fazer hoje para melhorar o nosso país para as gerações seguintes”, reflecte.

Um aspecto que destaca do desfile que amanhã animará o centro histórico da cidade é o contacto e a interacção que irá acontecer entre os figurantes e as vendedeiras do mercado. Em Fevereiro já tinham feito uma peça de kombersu sabi no mercado, também como forma de valorizar as mulheres que ali trabalham e passam a maior parte do seu tempo, sem muitas oportunidades de absorver a vida cultural e os fazeres artísticos da/na cidade.

A colaborar com os Fladu Fla nesta iniciativa estão os grupos Enigma e Marina Vaz, entre outros parceiros singulares.

A assinalar neste momento 16 anos de existência o grupo de teatro Fladu Fla é um dos mais antigos de Santiago e, desde há alguns anos, o mais activo. “Clownterrâneo”, “Homem, Eterno Prisioneiro”, “Sexta-feira 13”, “Jornada de Badio” e “Fronta ka Só Água ku Lumi” (esta última adaptação de “Auto da Compadecida” do brasileiro Ariano Suassuna), são apenas algumas das peças já encenadas pela companhia que tem no currículo perto de duas dezenas de obras.

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Autoria:Chissana Magalhães,17 ago 2018 16:32

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  17 ago 2018 18:02

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