Cabo Verde fora do CAN 2019

Grupos de Carnaval da Praia já se preparam mas… um pode ficar de fora

PorChissana Magalhães,10 jan 2019 16:36

Carnaval da Praia 2018
Carnaval da Praia 2018

Grupos de carnaval da Praia têm até dia 21 para se inscreverem ao subsídio disponibilizado pela Câmara Municipal da Praia para o entrudo deste ano. Entretanto, em comunicado a autarquia deixa saber que o apoio financeiro está reservado ao máximo de 6 grupos do chamado escalão oficial. A liga do carnaval da Praia já manifestou preocupação uma vez que neste momento são sete os grupos na capital. Ainda assim, alguns grupos já iniciaram os preparativos e prometem um bom carnaval.

Vindos d’África, Afro Abel Djassi, Vindos do Mar, Intervila, Samba Jó, Maravilhas do Infinito e Estrelas da Marinha são os sete grupos que deverão desfilar no concurso oficial do Carnaval 2019 da cidade da Praia, naquele que é chamado Primeiro Escalão (no segundo escalão desfilam as escolas de Ensino Básico e no terceiro os jardins infantis). Isso se até 21 de Janeiro se inscreverem para receber o subsídio no valor de 500 mil escudos que a Câmara Municipal da Praia (CMP) reserva para apoiar os desfiles e realizar o concurso, sendo que em comunicado a autarquia define um máximo de 6 grupos a serem contemplados. Ainda, os grupos candidatos ao apoio financeiro devem ter um histórico comprovado de participação no Carnaval da Praia de três anos consecutivos.

Os números deixam perceber que, à priori um dos grupos será excluído, o que está a preocupar José Fernandes, o actual representante da liga dos grupos oficiais do Carnaval da Praia.

Fernandes, que há poucos meses passou a substituir o anterior presidente da direcção (que renunciou ao cargo por entender não existirem condições de realizar o trabalho) diz que os grupos estarão reunidos neste sábado para analisar o comunicado da CMP, já que este traz outros pontos que os preocupam.

“Vamos debater entre nós o comunicado da Câmara que impõe certas regras que não fazem sentido, porque fica um grupo de fora”, refere o mesmo pondo a hipótese de a edilidade não estar a considerar a entrada nesse primeiro escalão de algum grupo mais recente.

Representante do grupo Intervila, José Fernandes diz que o mesmo já está em preparativos há alguns meses não querendo para já revelar qual o enredo escolhido pelo grupo para o entrudo deste ano.

Com a previsão de ter pelo menos 400 foliões a desfilar na Avenida Cidade de Lisboa, Fernandes lamenta que o valor disponibilizado pela CMP seja ainda inferior ao ano passado em que tinha anunciado 700 mil escudos acabando por entregar aos grupos apenas 600.

“Isso acabou por causar embaraços. Houve grupos que ficaram com dívidas por conta disso. Estavam a contar com um valor que não chegou”, diz, acrescentando que o valor anunciado para este ano é apenas 40% do orçamentado pelo Intervila.

Já o grupo Afro Abel Djassi, um dos que ficou endividado no ano passado, este ano não fará despesas que não possa pagar no momento.

“Vamos fazendo à medida que as tranches forem entrando”, explica Gamal Mascarenhas Monteiro, criador do grupo que trabalha na sua batucada e coreografia ao longo de todo o ano.

Sempre com o mesmo tema de fundo – a história de Cabo Verde – o Afro Abel Djassi promete no entanto inovação no enredo (à volta dos intercâmbios culturais) nos adereços, carro alegórico e música, onde a introdução de instrumentos de sopro a juntar-se à percussão e voz deverá marcar a diferença.

“Estamos a prever ter umas 20 alas, mais ou menos, e pelo menos um carro alegórico. Temos um novo designer que já está a terminar os desenhos e a batucada tem ensaiado sempre”, avança o promotor cultural que ainda lamenta a situação da liga dos grupos de carnaval.

Gamal diz que o facto de a liga não se ter formalizado enfraqueceu-a enquanto locutor no diálogo com a CMP que acabou por definir sozinha as regras do Carnaval 2019.

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Mais desafogado em termos financeiros está o Vindos d' África, grupo com 30 anos de existência e tetracampeão do Carnaval da Praia.

“Temos as maquetas prontas e vamos avançar. Temos oito costureiros a trabalhar connosco e o artista Anderson Teixeira, aqui da nossa comunidade, nos andores”, informa-nos José Gomes, o presidente do grupo que no ano passado amealhou 450 contos ao vencer o primeiro lugar pela 4ª vez consecutiva.

Gomes avança ainda o enredo que os Vindos d´África irão oferecer ao público praiense este ano: “Ainda não definimos o título mas teremos a China como tema. Alguma coisa à volta da diversidade cultural Cabo Verde/China”.

Serão à volta de 400 os figurantes que, distribuídos em 10 alas, irão dar vida ao enredo escolhido.

O facto de possuírem um fundo próprio deixa José Gomes mais tranquilo em relação ao valor do subsídio disponibilizado pela CMP mas nem por isso o grupo esbanja. Segundo o seu presidente a aposta na reciclagem de materiais é grande.

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Autoria:Chissana Magalhães,10 jan 2019 16:36

Editado porChissana Magalhães  em  23 mar 2019 23:22

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