Disrupção com a crise no movimento Olímpico

PorLeonardo Cunha,11 mai 2020 7:03

O Movimento Olímpico vive neste momento uma crise, sendo um dos fatores agravantes a pandemia do COVID19. Contudo, não é a primeira vez que o movimento olímpico se encontra em crise. Poderemos encontrar no passado diferentes desafios e a forma como foram ultrapassados. Apenas considerando o passado, teremos possibilidade de projetar um promissor futuro e que não se entregue ao mesmo ciclo de erros passados.

Um dos mais notórios presidentes do Comité Olímpico Internacional (COI) foi o Lord Killanin. Ele esteve à frente do movimento olímpico num período extremamente difícil. Durante o seu mandato, ele passou por dois grandes boicotes e uma amarga disputa envolvendo as “duas chinas”. As pressões que ele enfrentou tiveram um custo pessoal quando foi atingido por problemas cardíacos. Considerando tudo, Lord Killanin pode muito bem ser uma das personalidades que teve um mandato mais conturbado como presidente do COI.

Como presidente do COI, este começou o seu mandato presidencial com pouca tranquilidade. Ele recebeu um telegrama do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos de Inverno Denver76, que transmitia a realização de um referendo popular que se opunha à realização destes Jogos. Acabou por ser Innsbruck a receber os Jogos nesse ano.

Os preparativos para os Jogos Olímpicos de Verão de 1976 em Montreal logo dariam mais motivos de preocupação. Menos de dois meses antes da cerimónia de abertura, o governo canadense havia anunciado que não estava disposto a aceitar a equipa da «China Nacionalista». Em 1976 eles ainda eram chamados de "República da China" no alfabeto olímpico. Depois de Montreal, Lord Killanin criou uma comissão para tentar rever a situação das 'duas Chinas', mas não evitou que 900 milhões de chineses (na altura) fizessem parte do movimento olímpico.

Numa apresentação na Sessão do COI de 1979 em Montevidéu, insistiu que "a questão da China” era o principal tópico. Foi tomada uma decisão para reintegrar o Comitê Olímpico Chinês em Pequim e manter o reconhecimento do Comitê Olímpico cuja sede está localizada em Taipei.

Moscovo 1980 na qual o presidente americano Jimmy Carter exigiu um boicote olímpico. Devido a este boicote o COI de alterou os regulamentos que possibilitavam a cada Comitê Olímpico Nacional usar durante as cerimônias olímpicas a bandeira e o hino de sua escolha e, assim, auxiliar os atletas para quem os jogos são realizados. Embora os Estados Unidos da América, o Canadá, a Alemanha Ocidental e o Japão estivessem entre um contingente considerável que boicotou Moscovo 80, Lord Killanin recebeu especialmente aqueles que viajaram para competir apesar das pressões exercidas sobre eles. Quando os Jogos terminaram, Lord Killanin fez seu discurso final dizendo “Imploro aos desportistas do mundo, uni-vos em paz antes de um holocausto descer”.

Foi depois sucedido por Juan Antonio Samaranch, que apanhou as bases para a eventual admissão de profissionais em uns Jogos Olímpicos “abertos". Foi de certo umas das mais tumultuosas presidências no COI, com grandes pressões internacionais e numa altura que o movimento olimpico poderia ter ruido. Contudo, foi possível manter a “chama olímpica” acesa e passar o testemunho.

O COI está neste momento numa situação sem paralelismo e terá de reinventar todo o movimento para poder ultrapassar esta fase. Thomas Bach tem aqui um verdadeiro teste a sua liderança, mas também a oportunidade de marcar pela diferença e devolver o movimento olímpico ás suas origens usando a inovação como ferramenta de desenvolvimento.

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Autoria:Leonardo Cunha,11 mai 2020 7:03

Editado porSara Almeida  em  28 mai 2020 10:19

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