60% dos emigrantes cabo-verdianos estavam empregados, o que pode impactar taxa de desemprego

PorSheilla Ribeiro,14 jan 2026 13:38

Cerca de 60% dos cabo-verdianos que emigraram nos últimos cinco anos estavam empregados no momento da saída do país o que pode provocar um aumento inicial da taxa de desemprego, segundo dados do Censo 2021 analisados pelo representante do Fundo Monetário Internacional (FMI) em Cabo Verde, Rodrigo García-Verdú, na conferência “Mercado de Trabalho em Cabo Verde: Competências para uma Nova Economia”.

O economista explicou que esta realidade pode provocar um aumento inicial da taxa de desemprego, pois a saída de trabalhadores empregados reduz o denominador no cálculo do indicador.

“A taxa de desemprego é um rácio entre o número de pessoas desempregadas e a soma dos desempregados com os empregados. Quando sai alguém que está empregado, aquele rácio vai aumentar”, detalhou.

García-Verdú acrescentou que este efeito se observa principalmente nas áreas urbanas, onde a maior parte da população reside.

Nas zonas rurais, por outro lado, a maioria dos emigrantes estava desempregada ou fora da força de trabalho, pelo que o impacto no indicador é menor.

Este fenómeno também se verifica entre ambos os géneros, sendo mais acentuado nos homens, mas igualmente presente entre as mulheres.

O representante do FMI enquadrou a análise no interesse de avaliar o mercado de trabalho enquanto componente essencial do equilíbrio macroeconómico do país.

O economista alertou ainda para a confusão existente no debate público devido à mudança de metodologia do Instituto Nacional de Estatística (INE), que passou a adoptar, a partir de 2022, as novas convenções da Organização Internacional do Trabalho.

Segundo explicou, comparações incorrectas entre séries distintas podem levar a leituras erradas sobre a evolução do emprego e do desemprego em Cabo Verde.

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Autoria:Sheilla Ribeiro,14 jan 2026 13:38

Editado porAndre Amaral  em  14 jan 2026 19:35

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