"Uma coisa nunca vista". Ciclone Itai deixa rasto de morte e destruição

O coordenador de emergência do Programa Mundial de Alimentação (PMA), Pedro Matos, define a situação em Moçambique como "uma coisa nunca vista.” O governo moçambicano decretou emergência nacional e luto oficial de três dias devido aos danos causados pelas cheias e pela passagem do ciclone Idai no país. Número de mortos continua a aumentar.

A passagem do ciclone Idai em Moçambique, Maláui e Zimbabué já provocou mais de 400 mortos - 200 em Moçambique, segundo balanços provisórios divulgados pelos respectivos governos desde segunda-feira. Espera-se que este número continue a aumentar exponencialmente. Mais de 1,5 milhões de pessoas foram afectadas pela tempestade naqueles três países. Segundo as estimativas moçambicanas, 600 mil pessoas foram afectadas nas províncias de Sofala, Manica, Zambézia, Inhambane e Tete.

Em declarações à ONU News, a partir da cidade da Beira, Pedro Matos explicou que “nem Moçambique nem nenhum país do mundo está preparado para responder a uma tragédia desta dimensão.”

A situação na Beira é dramática. O ciclone Idai entrou na Beira na quinta-feira com ventos de 200 km por hora. Pelo caminho, deixou um rasto de destruição, no corredor entre a Beira e o Zimbabué. O que veio a seguir foi ainda pior.

A pluviosidade nos dias seguintes, que chegou aos 600 milímetros em 24 horas, num dos dias, causou uma torrente tão forte que se pensou inicialmente que tinha sido uma barragem que tinha rebentado. A torrente continuou e dois rios, o Púngoè e o Búzi, correm como se fossem mar. O Púngoè, com cerca de 50 quilómetros, criou um grande mar interior com cerca de 50 quilómetros por 40. E o Búzi, com cerca de 65 quilómetros por 50.

O Programa Mundial de Alimentação, PMA, disse esta terça-feira que a situação em Moçambique é “uma grande emergência humanitária que aumenta a cada hora que passa.”

As Nações Unidas colocaram já US$ 20 milhões ao dispor de agências humanitárias para ajudar a resposta pós-ciclone. O valor do Fundo Central de Resposta a Emergências, Cerf, foi anunciado esta quarta-feira pelo subsecretário-geral para os Assuntos Humanitários da ONU, Mark Lowcock.

A União Europeia também reagiu aos acontecimentos em África e anunciou que vai enviar um pacote de ajuda de emergência no valor de 3,5 milhões de euros. De acordo com Bruxelas, a verba "será usada para fornecer apoio logístico para as pessoas afetadas, como abrigos de emergência, higiene, saneamento e cuidados de saúde". Do total, dois milhões serão alocados a Moçambique, um milhão ao Maláui e 500 mil euros ao Zimbabué.

Relatos de sobreviventes

O frio e a fome foram dois dos desafios enfrentados por quem sobreviveu em cima de árvores e edifícios. "Foram três dias e noites que ficámos em cima de uma árvore", relatou à Rádio Moçambique um residente de Dombe, povoação a cerca de 30 quilómetros do Zimbabué, na província de Manica.

Os residentes que se salvaram contaram ter enfrentado fome e frio, depois de uma fuga à subida dos caudais que não lhes deixou outro caminho senão procurar o sítio mais alto.

"Muitas pessoas morreram", uns levados pela corrente, "outros com frio", por não conseguirem sair totalmente da água enquanto esperavam por socorro, fosse em cima de árvores ou do tecto de escolas junto ao rio Lucite.

A subida de nível dos rios continua a ser uma ameaça.

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Autoria:Expresso das Ilhas, ONU News, agências,20 mar 2019 16:21

Editado porNuno Andrade Ferreira  em  20 jul 2019 23:22

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